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Cremego debate suicídio entre médicos e alerta para a necessidade de prevenção das mortes Imprimir E-mail
Seg, 02 de Outubro de 2017 13:34

Plenária aprovou a intensificação de ações preventivas por parte do Cremego

 

Dentro das celebrações da campanha Setembro Amarelo, de prevenção do suicídio, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) realizou na quinta-feira, 28, um debate sobre suicídio entre médicos. A plenária temática teve o apoiodo Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a participação de conselheiros do Cremego, da Câmara Técnica de Bioética, de médicos e acadêmicos de medicina.
 
Buscando contribuir com a redução dos alarmantes números de suicídio no Brasil, inclusive entre a classe médica, a plenária aprovou a intensificação de ações preventivas por parte do Cremego. Assim, os trabalhos do Conselho para a prevenção do suicídio vão além da campanha Setembro Amarelo. O presidente do Cremego, Leonardo Mariano Reis, explicou que entre as ações aprovadas estão a impressão das cartilhas “Suicídio: informando para prevenir” e “Comportamento suicida: conhecer para prevenir”, já disponíveis no site do Cremego, e sua distribuição entre os médicos, a população e a imprensa.
 
Também será desenvolvido um trabalho educativo junto às sociedades de especialidade médicas, associações de classe, clubes de serviços e faculdades de medicina. “Não vamos conseguir zerar o número de suicídio, mas podemos reduzi-lo significativamente e uma das formas é divulgando as cartilhas com orientações sobre a prevenção”, disse o conselheiro do Cremego e do CFM, Salomão Rodrigues Filho.

Números da Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio mostram que, em média, entre 300 e 400 médicos cometem suicídio todos os anos no mundo. Entre 2000 e 2009, o suicídio foi a segunda maior causa de mortes entre médicos, perdendo apenas para acidentes automobilísticos. Pesquisas internacionais também revelam que médicos se suicidam até cinco vezes mais do que a população geral e entre os principais motivos estão o acesso a meios mais eficazes de letalidade, o isolamento social (desde a faculdade), situação conjugal insatisfatória e a precária situação de emprego.
 
Salomão Rodrigues abriu a plenária com uma palestra sobre a Síndrome de Burnout. Ele observou que a palavra Burnout significa algo que deixou de funcionar por exaustão e que os médicos, por vários fatores, estão expostos a essa exaustão. “Um total de 46% dos médicos já apresentou a Síndrome de Burnout em algum momento da vida e isso é muito preocupante por ela figurar entre as principais motivações que levam ao suicídio”, pontuou, ressaltando que os psiquiatras estão preocupados com o significativo aumento dos casos de suicídio entre médicos. “É algo que precisa ser enfrentado e o objetivo deste debate é motivar e orientar o médico a lidar com os riscos de suicídio e quando observar tais sintomas no paciente”, disse. O conselheiro federal por Goiás destacou que há uma maior incidência da síndrome de Burnout em profissionais que trabalham nas emergências
 
O conselheiro destacou que há uma maior incidência da síndrome em profissionais que trabalham na área de emergência e lidam diariamente com pacientes em estado crítico ou terminal. Segundo ele, os chamados fatores estressores, como jornada de trabalho excessiva, com plantões de 24 horas ininterruptas, colaboram bastante para o acometimento da Síndrome de Burnout.
 
“Outro fator fundamental e que interfere na saúde do médico facilitando o surgimento da doença é a privação do sono”, afirmou. Salomão Rodrigues orientou que medidas simples, como tirar férias regularmente, não extrapolar a carga horária prevista pela legislação, praticar exercícios físicos e incluir momentos de lazer na programação das atividades diárias, podem ajudar a prevenir a doença.
 
Antônio Geraldo da Silva, ex-presidente e tesoureiro da ABP, apresentou dados sobre o suicídio e alertou para o crescente número de casos no Brasil. “Estamos com índices muito altos, são 12 mil suicídios por ano no País apenas de dados oficiais, pois em muitas regiões o suicídio não é devidamente notificado pelas autoridades de saúde”, comentou. Para o psiquiatra, é necessário um esforço dos governantes para que sejam implantadas políticas públicas de prevenção ao suicídio e uma ampliação imediata das redes de atendimento de psiquiatria no serviço público de saúde.
 
“O suicídio está entre as dez principais causas de morte no mundo”, disse. O psiquiatra acredita que é necessária uma maior conscientização da classe médica para o problema como forma de antecipar o tratamento de pacientes que apresentam sintomas suicidas e também nos casos em que o próprio médico passa a ser o paciente. “O médico, muitas vezes, não tem o devido cuidado com a própria saúde embora tenha o conhecimento sobre as doenças e suas complicações”, alertou.

 
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