Rede dos Conselhos de Medicina
Selecione o Conselho que deseja acessar:
Artigos
Escolas médicas: é preciso avaliar mais, e sempre
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por José Luiz Gomes do Amaral.


Dos 103 cursos de Medicina avaliados pelo Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), 17 serão supervisionados. Esse número não significa que a maioria das 175 escolas médicas do País alcance qualificação mínima. Muitos cursos não foram avaliados, como os 52 que ainda não formaram a primeira turma. O exame é apenas uma dimensão da avaliação do ensino. Também é preciso avaliar a instituição, a estrutura do curso, as instalações e qualificação do corpo docente. Isto também está programado. Com esses dados, será identificada uma enorme quantidade de insuficiências.

A causa do mau desempenho é a péssima qualidade das faculdades e não dos alunos. Apesar de o ensino médio brasileiro ser reconhecidamente fraco, a concorrência nos vestibulares de Medicina é tão grande que acaba selecionando candidatos com potencial satisfatório.

Não causa estranheza surgirem tantas faculdades públicas na lista dos reprovados. A degradação do ensino público tem ocorrido paralelamente à mercantilização do ensino privado. Os professores são mal remunerados, a carreira não é atrativa, as instalações estão degradadas e os laboratórios não tem equipamentos apropriados. Além disso, os hospitais do SUS constituem a arena de aprendizado do estudante de Medicina. A deterioração da estrutura física e organizacional do sistema público de atendimento afeta intensamente a formação do aluno de Medicina.

A distribuição desigual dos médicos entre as diferentes regiões do País e a concentração de escolas médicas não guardam relação direta de causa e efeito. Nos Estados do Sul e Sudeste estão os candidatos com maior poder aquisitivo para enfrentar o desafio das caríssimas mensalidades das faculdades particulares. Coincidentemente, nessas regiões existe oportunidade de trabalho na Medicina privada. Dos 40 milhões de brasileiros que tem planos de saúde, a maioria vive nas grandes cidades da região Sul e Sudeste. Os brasileiros da região Norte e Nordeste, particularmente aqueles que residem em cidades do interior, são dependentes do serviço público e no SUS não há perspectiva de carreira para o médico.


*José Luiz Gomes do Amaral é presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).

 

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
Prática de atividade física exige orientação especializada e disciplina
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Antônio Carlos Lopes*


Praticar esporte ou qualquer atividade física diariamente, ou pelo menos na maioria dos dias da semana, por pelo menos 30 minutos, é o mínimo que as pessoas podem fazer para beneficiar sua saúde em diversos sentidos. Além de melhorar a aparência e o humor, o hábito é comprovadamente eficaz na prevenção e até mesmo no tratamento de inúmeras doenças.

Está comprovado que alguns males do coração, certos tipos de câncer e até o estresse podem ter solução com um estilo de vida saudável, sem tabagismo, que inclua alimentação balanceada e prática de exercícios. As atividades físicas são importantes também para os idosos, porém, sempre sob orientação médica. E não são proibidas para pacientes doentes, entretanto, deverão ser adequadas à doença e às condições clínicas de cada um.

Muitas vezes considerado normal, o estresse desencadeia ou agrava males como a hipertensão e as doenças do coração. Também contra ele, o exercício é o melhor remédio. Para os moradores das metrópoles, sempre tão agitados e apressados, vale outro alerta: a ansiedade, o excesso de trabalho, o barulho e o medo da violência levam facilmente à depressão e ao estresse.

Contudo, lembre-se sempre de que até mesmo o tão benéfico exercício pode ser prejudicial se feito sem orientação médica. Esportistas ou não, todos devemos fazer periodicamente avaliação clínica para verificar se há condições para os exercícios mais indicados, sua freqüência e duração ideais. Após esta avaliação, é importante um monitoramento permanente por profissional da área de educação física.

De posse dos exames e da prescrição médica, ele poderá desenvolver individualmente o programa mais adequado e orientar o praticante a ficar atento às suas condições durante os exercícios. O acompanhamento também é essencial para que as orientações médicas sejam cumpridas e para avaliar se o organismo da pessoa está respondendo ao esporte conforme a expectativa.

Essas medidas são fundamentais para que não aconteçam fatalidades como as que assistimos esporadicamente nos noticiários esportivos. Atletas bem treinados e bem preparados têm sido vítimas de morte súbita, em campo ou nas quadras, por falta de informação ou de avaliação médica adequada. Nos mais jovens, a má formação congênita cardíaca é um dos principais problemas e deve ser diagnosticada precocemente. A anomalia pode levar, em situação de grande esforço cardíaco, à morte súbita.

A recomendação é especialmente importante para quem nunca praticou atividades físicas ou voltou a se exercitar depois de muito tempo parado. Além de intensificar problemas ligados à saúde cardíaca, a falta de avaliação médica pode levar a problemas músculo-articulares, como estiramentos e entorses. É preciso esclarecer que a prática de atividade física traz muito mais benefícios que riscos, desde que realizada de maneira segura, com acompanhamento médico e avaliação cardíaca completa.

Portanto, a regra vale para todos, do atleta de fim de semana àquele que tem o hábito de jogar uma partida de futebol com os amigos de vez em quando, e também para a gestante e o idoso. É relevante ressaltar que a idade não é um impeditivo para começar uma atividade nova, muito ao contrário. À medida que o tempo passa, maiores são os benefícios de atividades como a caminhada ou a hidroginástica.


*Antônio Carlos Lopes é professor titular da Disciplina de Clínica Médica do Departamento de Medicina da Unifesp e presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
A medicina no esporte
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Aguiar Farina*


Muitos atletas são considerados celebridades e sua saúde é notícia constante nos meios de comunicação. Entretanto, até março não havia nenhuma regulamentação sobre a prestação de serviços médicos nas instituições a que esses atletas são vinculados. Outra deficiência era o socorro em casos de acidentes ou mal-estar durante as competições, como o que aconteceu durante uma prova de MotoCross em Primavera do Leste ou quando um jogador morreu subitamente durante uma partida de futebol.

O Conselho Federal de Medicina aprovou a Resolução 1833/2008 que regulamenta a organização de serviços médicos em instituições de prática desportiva para competições oficiais. Essa medida tem como principal objetivo garantir a integridade da saúde dos atletas, seja na sua manutenção ou prevenção. A partir de agora, instituições que se destinem à prática desportiva para competições oficiais, como clubes ou associações de futebol, natação, automobilismo ou qualquer outra modalidade, devem ter um departamento de serviço médico sob a responsabilidade de um profissional inscrito no CRM da região onde a instituição se localize.

Cabe ao médico o acompanhamento de cada atleta, que deve ser organizado em prontuários de forma confidencial e com informações de todos os procedimentos referentes a sua saúde.

Sem a autorização expressa e por escrito, é vedado ao médico a revelação do diagnóstico ou tratamento de doença do esportista. O profissional deve limitar sua comunicação à comissão técnica da instituição quanto à aptidão ou inaptidão do atleta para a prática esportiva, bem como o tempo estimado para sua recuperação e retorno à atividade. Esta comunicação deve ser feita por escrito e com cópia anexada ao prontuário médico do atleta.

O serviço médico da instituição deve ainda elaborar plano de avaliação periódica dos atletas com vistas a um seguimento de desempenho na atividade. Entre as atribuições está a orientação aos atletas sobre substâncias que contenham ingredientes considerados como "doping".

A resolução também prevê que a comunicação do médico sobre a aptidão ou inaptidão do atleta para a prática esportiva e o tempo necessário para a recuperação e retorno à atividade se limite à comissão técnica da instituição.

Essa iniciativa também promove a especialidade de medicina esportiva, responsável pela avaliação funcional das práticas desportivas, diagnóstico, tratamento e reabilitação das lesões e doenças relacionadas com atividades físicas.

 

*Aguiar Farina é médico ginecologista e mastologista, presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT).* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
O SUS que queremos
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Marco Antônio Becker*


Criada a universalidade do atendimento à saúde pela Constituição Federal de 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) é formado hoje por mais de 6,7 mil hospitais, quase 370 mil leitos e aproximadamente 11 mil postos de saúde. Um aparato gigantesco que se propõe a prestar atendimento integral, um objetivo que sempre esteve longe de ser alcançado.

Nesses 20 anos, o SUS atendeu milhões de pessoas. Muitas vidas foram salvas. Mas a cada ano aumenta o martírio dos usuários, em grande parte gente pobre que não tem acesso a um plano privado de saúde. Na maioria das vezes, o paciente enfrenta um longo calvário até ser atendido por um médico especialista, fazer algum exame ou ser submetido a um procedimento cirúrgico.

Enfim, um sistema perfeito na teoria, mas que na prática se revela insuficiente. O SUS só se mantém graças ao trabalho abnegado de médicos e profissionais da saúde. Um sistema que remunera a consulta médica com valor equivalente ao de um sanduíche de má qualidade e que, muitas vezes, não proporciona as mínimas condições de trabalho aos profissionais. Ao mesmo tempo, hospitais arcam com prejuízos incalculáveis.

Não é o prefeito, nem o governador, nem o ministro, muito menos o presidente da República, que está diante do paciente, mas sim o médico, usado como pára-choque do sistema.

O Brasil é um dos países que menos investem em saúde pública, superado pela maioria dos países latino-americanos. No entanto, a arrecadação da União bate recordes a cada mês.

Na área econômica do governo, a palavra "saúde" é associada a "problema", e não ao entendimento correto de que aplicar dinheiro em saúde não é despesa, e sim investimento. Cada centavo destinado ao setor, em especial a ações preventivas, além de salvar vidas resulta em economia, pois cidadão doente não produz, além de onerar a Previdência Social.

Para evitar que o quadro se agrave, o movimento "Mais Saúde para o SUS" promove no dia 30 de maio, no Largo Glênio Peres, uma grande manifestação em defesa da saúde pública.

É um movimento que reúne toda a sociedade na defesa do SUS que queremos, e não este SUS subfinanciado e precariamente gerido que querem nos impor.


*Marco Antônio Becker é presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers).

 


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
Reflexões sobre a vida humana
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Pedro Pablo Chacel*


Atualmente diversos grupos discutem quando se inicia e quando termina a vida humana, com intuito de permitir ou não permitir a prática do aborto, o uso médico e em pesquisa de células-tronco embrionárias e a ortotanásia.

Os grupos religiosos de uma maneira geral acreditam que a vida se inicia com a fecundação; grupos contrários, na maioria favoráveis à legalização do aborto, entendem que a vida se inicia na implantação; outros entendem que esta se inicia com o surgimento da atividade celular neuronal.

Entendo que a vida pode ser dividida em três partes, a saber, o passado que já acabou, o presente, sempre em extinção, e o futuro que é obviamente uma expectativa.

Vejo o espermatozóide da espécie como um ser vivo de natureza humana. Em uma ejaculação são liberados em média 200 milhões, que tem uma vida média de 36 horas e morrerão de causas naturais nesse período.

O óvulo é um ser vivo, também de natureza humana, hibernado no ovário, em um número de 400.000. Durante o período fértil da vida, ou seja dos 15 aos 49 anos, poderá ser liberado um na trompa, em média, mensalmente, ou seja, um total de 408; admitindo a ovulação em todos os meses, portanto um em cada mil, sendo que estes outros jamais serão fecundados e jamais se desenvolverão. Uma vez ocorrida a ovulação este óvulo tem uma expectativa de vida de 48 horas, após o que morrerá de causas naturais. Cada gestação que progrida ao termo impedirá nova ovulação durante a mesma e mais 3 meses em média, ou seja, um ano ou 12 possibilidades de fecundação.

Em dois dias no mês, há a possibilidade do encontro e da fertilização de 1 entre 200 milhões de espermatozóides com 1 entre 400.000 óvulos. Este novo ser – pré-embrião, terá uma vida em torno de 4 dias, podendo ocorrer a morte por causas naturais, a recoleção do mesmo para nova hibernação, ou a implantação. Ocorrida esta, surgem condições ambientais, endócrinas e respiratórias que poderão promover o desenvolvimento deste ser até que, por ocasião do nascimento, adquira este uma condição de vida autônoma, claro dependente ainda de cuidados externos até uma independência plena. Torna-se uma pessoa e passa a ter uma expectativa de vida de várias décadas.

Parece-me que o mais importante é a expectativa de vida e não o início dela, afinal cada indivíduo é constituído de um grande número de células, que em sua maioria morrem e se renovam ao longo da vida. Todas exerceram uma função o que não deixa de ser uma forma de inteligência. Somos todos, um permanente renascer.

Teremos nós, seres humanos, o direito de impedir a expectativa de vida? Creio que não.

Não temos, no entanto, como impedir que ocorra a morte de um ser vivo, seja espermatozóide, óvulo, pré-embrião ou embrião por causas naturais, em um processo de seleção natural.

Um pré-embrião hibernado em um recipiente para vir a se tornar uma pessoa depende de uma atitude pró-ativa que faça com que alguém o retire do recipiente e o coloque em condições de implantação, que ocorrerá ou não, em um útero, que propiciará ou não seu desenvolvimento até tornar-se uma pessoa. Na grande maioria das vezes isto jamais ocorrerá. É remota a expectativa de vida humana plena, isto é, com um futuro, para este pré-embrião. A pergunta que fica é se estamos tirando a expectativa de um ser que poderá ainda que dificilmente, ser utilizado para uma possível implantação, retirado aleatoriamente de um grupo onde certamente isto não acontecerá. Dentro de uma visão criacionista, inserida no preâmbulo de nossa Constituição, Deus é o criador de todos os seres e todas as coisas; assim é lícito aceitar a seleção natural como de sua criação.

Qual será a diferença entre uma seleção natural espontânea e a produzida pela escolha, ao acaso, de um pré-embrião hibernado para a recoleção de células tronco?

No caso de um indivíduo em vida artificial, sem atividade cerebral, apenas com funções decorrentes de atividade de tronco cerebral, com o coração batendo e ventilado por um sistema mecânico, a suspensão do suporte ventilatório estará influindo em sua vida, já que não há expectativa?


*Pedro Pablo Chacel é ginecologista e corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM).


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
Mais Artigos...
<< Início < Anterior 161 162 163 164 165 166 167 168 169 Próximo > Fim >>

Página 167 de 169
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner
Banner

© PORTAL MÉDICO 2010 - o site do Conselho Federal de Medicina -Todos os direitos reservados
SGAS 915 Lote 72 | CEP: 70390-150 | Brasí­lia-DF | FONE: (61) 3445 5900 | FAX: (61) 3346 0231| E-mail: cfm@portalmedico.org.br | CNPJ: 33.583.550/0001-30