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Artigos
Atentado ao ensino médico
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Antonio Carlos Lopes*


Há dias o Estado noticiou que o Ministério da Saúde planeja implantar "um novo perfil para a medicina", por intermédio de sua Secretaria de Gestão do Trabalho da Educação na Saúde. A proposta está centrada no curso de graduação em medicina.

Por conhecermos a filosofia ideológica desta Secretaria, somos obrigados a trazer a público a realidade dos fatos. O objetivo é formar médicos para o Sistema Único de Saúde (SUS), e desde já salientamos a contramão da realidade em que se encontra este projeto.

Contestamos tal posicionamento, pois a prioridade deve ser a formação de médicos competentes, éticos, prontos para trabalhar no SUS e também nos diversos locais que o mercado oferece. O paciente do SUS também merece um médico qualificado, por isso, a formação deve ser de excelência.

A proposta do Ministério da Saúde mostra desconhecimento sobre o ensino médico e o exercício profissional, afronta princípios do ensino preconizados por quem exerce a medicina e busca a excelência acadêmica e a competência profissional.

O correto e bom ensino médico é complexo. Envolve currículo humanista, modelo pedagógico, estrutura acadêmico-administrativa, metodologia de ensino e de avaliação e recursos humanos e materiais condizentes. É necessário ainda que haja quem ensine, pois a medicina é uma profissão em que só se aprende ao lado de quem sabe, assim como é fundamental o ambiente em que se dá o aprendizado.

Esse fato, com a grande expansão do ensino médico na última década, pode ser um complicador, pois não há docentes qualificados para todas as escolas recém-criadas, e a maioria não possui condições minimamente adequadas.

Como sabemos, um grande número dos postos de saúde apresenta condições precárias de atendimento e não tem estrutura para o ensino da medicina. As filas são enormes; as condições de higiene, precárias; o atendimento ao paciente dura menos de dez minutos; pessoas morrem em filas de espera; as doenças não são tratadas, mas sim os sintomas; e os resultados dos exames só chegam quando a situação clínica do paciente já é totalmente diferente da inicial.

É, portanto, claro que este não é um ambiente adequado para o ensino da medicina. Porém é evidente que os alunos da graduação devem ter no seu currículo o estágio no SUS, até mesmo para aprender o que não se deve fazer, mas isso nunca pode ser prioridade.

Se o escopo do Ministério da Saúde é propor mudanças no ensino da medicina, o que não é da sua alçada, com o objetivo de garantir mão-de-obra barata, não conseguirá. Se pretende sensibilizar o aluno a se compromissar com o SUS, certamente o amedrontará. Inclusive corremos o risco de a decepção o levar a abandonar o curso médico, tão desejado dentro de seu idealismo louvável.

Se tal proposta fosse boa, não deveria envolver repasse de verbas, uma vez que as instituições, que possuem a massa pensante, já estariam centrando o ensino na rede pública de saúde. Que não se confunda ensino da medicina com mercadoria que pode ser "comprada".

Entendemos ser o SUS o melhor sistema de saúde já idealizado e lutamos por sua valorização, mas somos testemunhas dos problemas que o tornam inviável para a transmissão de conhecimento e a formação médica.

Concordamos que o ensino deva ser baseado na comunidade, e não apenas como ocorre em algumas instituições, em que está centrado em casos ditos "interessantes", pois todos o são, e o que ocorre são médicos desinteressados, cujo desinteresse possui explicações que escapam ao escopo deste artigo.

Para agravar a situação, a Secretaria de Gestão do Trabalho da Educação na Saúde, do Ministério da Saúde, tenta transformar a residência médica em política de saúde, quando é política de educação. É a educação a serviço da saúde e, por isso, está alocada no MEC.

Além de a Secretaria tentar interferir no ensino da graduação, quer usar o residente para solucionar os problemas de saúde do País, por ser mão-de-obra barata, comprometendo o aprendizado em serviço que caracteriza a residência, que não tem como objetivo sanar as dificuldades da graduação, mas o faz uma vez ser esta totalmente deficiente.

A referida Secretaria lamenta ser a residência médica puramente curativa, propondo um perfil mais preventivo. Porém o atendimento médico só poderá ser preventivo, como todos queremos, quando as doenças e o sofrimento das pessoas estiverem sob controle e os pacientes tiverem atendimento médico digno que priorize a relação médico-paciente e o humanismo.

Infelizmente, os que defendem arduamente a medicina preventiva têm demonstrado incompetência no controle da dengue, da febre amarela e de outras doenças prevalentes. Também por falta de conhecimento não sabem que a medicina curativa está compromissada e vinculada à medicina preventiva, porém em níveis secundário e terciário.

Respeitamos a opinião do Ministério da Saúde por garantia ao Estado Democrático de Direito. Contudo, a desqualificamos com base no exposto. Esperamos que o ministro da Educação, Fernando Haddad, que tem lutado pela busca da excelência na educação, trabalhando com seriedade e propostas louváveis, interfira imediatamente nessa questão.

Dentro de uma intelectualidade delirante, talvez tenham concluído que a medicina de Cuba seja a solução para o Brasil, advogando para o atendimento médico bacharéis em medicina que não conhecem as características do SUS e da medicina brasileira, com formação (se é que ela existe) fundamentalmente sanitarista.

Talvez, a curto prazo, a busca desse novo perfil para a medicina leve nossos estudantes a ter como professores tais bacharéis cubanos, que nem revalidaram seus diplomas, pondo em risco o ensino e a graduação.


* É professor titular da disciplina de Clínica Médica da Unifesp (EPM), presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM) e ex-secretário executivo da Comissão Nacional de Residência Médica (MEC).


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


 * Os textos para esta seção devem ser enviados para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , acompanhados de uma foto em pose formal, breve currículo do autor com seus dados de contato. Os artigos devem conter de 3000 a 5000 caracteres com espaço e título com, no máximo, 60.


 
Residência médica em debate
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por José Luiz Gomes do Amaral*

A residência médica é uma consagrada forma de especialização em medicina. Busca, por meio da prática clínica, sob a supervisão qualificada, formar os médicos, habilitando-os ao pleno exercício da profissão.

A ampliação do conhecimento médico nas últimas décadas exige correspondente aumento no conteúdo e extensão dos programas de residência médica, que hoje, em todo mundo, obrigatoriamente ultrapassa quatro anos.

Espera-se que a formação do médico seja integral, sólida a ponto de permitir-lhe desenvolver-se em uma carreira que, não raro, ultrapassa quarenta anos. A residência é complementação obrigatória do curso de formação e, ao completá-la, deve o médico dominar a especialidade escolhida em todos os aspectos.

Trata-se de um erro fundamental tentar reduzir os programas apenas aos aspectos mais prevalentes das doenças que circunstancialmente afligem o país, visto que este quadro é mutável e a carreira é longa. De outra parte, se o fizéssemos, teríamos profissionais de qualidade inferior aos formados em países mais bem sucedidos. Estaríamos, portanto, caminhando na direção contrária ao progresso que desejamos.

O Ministério da Educação e as Sociedades de Especialidade poderiam melhor contribuir para a formação dos médicos, se o Ministério da Saúde se ocupasse em criar condições para distribuir os médicos no Brasil facilitando sua atuação. Vemos com apreensão propostas reducionistas e manifestações de conceitos ultrapassados. Não há lugar para médicos “pés descalços” no mundo globalizado.


* É presidente da Associação Médica Brasileira.


* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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Plano de Carreira e Salários para médicos
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Abdon Murad*


O Conselho Regional de Medicina do Maranhão já solicitou ao Exmo. sr. governador do nosso estado que seja constituído um Plano de Cargos Carreira e Salários para os médicos que aqui trabalham e, como vereador, fiz a mesma solicitação para todos os profissionais da rede estadual, de todos os níveis e profissões. Logicamente que o tão necessário Plano de Cargos, quando for ser elaborado, deverá ter opiniões de todas as entidades representativas dos trabalhadores.

Atualmente, um médico que trabalha há mais de 20 anos para o estado do Maranhão recebe no final de cada mês o mesmo valor que um colega mais recentemente contratado, o que desestimula e preocupa, pois, com o passar do tempo, todos começamos a pensar na aposentadoria e, se o salário é baixo, a aposentadoria será menor ainda, com toda certeza.

Não consigo mesmo é aceitar que o funcionalismo continue a trabalhar sem um Plano que lhe ofereça um mínimo de estímulo e respeito em vários aspectos. Em relação aos médicos, citarei uma série de tópicos que não podem faltar em um Plano de Cargos, Carreira e Salários, tais como os que se seguem:

1 - Ingresso na carreira através de concurso público de provas e títulos, com a participação das entidades médicas em todas as suas fases;

2 - Salário inicial que leve em conta o tempo de formação de cada profissional;

3 - Evolução na carreira mediante tempo de serviço e/ou educação continuada;

4 - Previsão de cursos oficiais de preparação e aperfeiçoamento de médicos como requisitos para o ingresso e promoção na carreira;

5 - O Plano deverá estabelecer vantagens para o trabalho sob regime de plantão, especificamente em plantão noturno e nos sábados, domingos e feriados, estimulando assim, os profissionais que se dedicam a tão extenuante ramo da profissão;

6 - Garantia de estímulos que propiciem vantagens financeiras, dentre outras, aos médicos com dedicação em tempo integral e/ou dedicação exclusiva. É importante frisar que o sonho de todo médico é trabalhar em um só local e ser bem remunerado por esse emprego que, inclusive, propicie ótimas condições de trabalho;

7 - Gratificação pelo trabalho nos interiores do estado, inclusive, com planejamento para o futuro, com o passar do tempo;

8 - Deverá especificar vantagens pelo trabalho em atendimento de Urgência e Emergência, objetivando incentivar os profissionais que nestas áreas trabalham;

9 - O Plano deverá incluir vantagens pela obtenção de título de especialista, mestrado e doutorado;

10 - Promoção, alternadamente, por antiguidade e merecimento, atendendo as seguintes normas:

a) Ser obrigatória a promoção do médico que figurar três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento;

b) A promoção por merecimento deverá pressupor, inicialmente, dois anos de exercício em um mesmo município;

c) Aferição do merecimento pelos critérios de presteza e segurança no exercício da profissão e pela frequência e aproveitamento em cursos reconhecidos de aperfeiçoamento;

11 - Piso Salarial inicial em torno de R$ 7. 500,00. Claro que não estou exaurindo todos os pilares de sustentação de um bom Plano de Carreira e Salários. Ao serem ouvidas todas as entidades representativas da classe médica, haverá várias assembleias dos profissionais, onde serão colhidas outras sugestões e idéias que com certeza ajudarão e muito para a existência do tão sonhado Plano de Cargos, Carreira e Salários. É urgente que o Plano passe a existir, mudando o atual panorama reinante, hostil, cruel e contrário ao que os médicos precisam e merecem, pela enorme contribuição diuturna que oferecem. Não é mais possível que médicos com até 30 anos de trabalho para o estado continuem a receber mensalmente algo em torno de R$ 1.500,00 líquido. Necessário e urgente é que o piso inicial dos médicos seja o preconizado por suas entidades nacionais: R$ 7.503,18, sob pena de que uma grande explosão aconteça na categoria, com repercussões incalculáveis.

 

*Abdon Murad é conselheiro federal e presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão (CRM-MA).

 

* As opiniões, comentários e abordagens incluidas nos artigos publicados nesta seção são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam, necessariamente, o entendimento do Conselho Federal de Medicina (CFM).


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Transfusão de sangue, um ato de amor à vida
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Antonio Carlos Lopes*


A cada dois segundos um paciente precisa de transfusão de sangue no Brasil, de acordo com a Fundação Pró-sangue. Normalmente isso ocorre em casos de cirurgias, traumatismos, anemias, ou partos, em que a perda de sangue é significativa e o organismo não é capaz de uma recomposição suficientemente rápida.

Pacientes de câncer e portadores de algumas doenças genéticas que afetam o sistema sanguíneo também podem precisar de sangue ou de seus derivados. É, por exemplo, o caso dos hemofílicos, que necessitam de transfusão para minimizar a o comprometimento do sistema de coagulação.

O procedimento começa com a doação de sangue, que deve ser feita de maneira absolutamente voluntária. A Constituição Federal veda qualquer tipo de comercialização envolvendo o sangue, que deve sempre ser doado com fim altruístico. Também garantido por lei é o sigilo acerca das declarações prestadas pelo doador na entrevista que precede a coleta.

O questionário é o primeiro passo para garantir que a doação seja de pessoas saudáveis e não ofereça riscos nem ao receptor nem ao doador. Após esta triagem inicial, o sangue passa por uma série de testes para comprovar sua qualidade. De acordo com recomendação do Ministério da Saúde, o sangue doado deve ser submetido a testes que confirmem a ausência de doenças diversas, como malária, sífilis, doença de Chagas, hepatites B e C e até mesmo a AIDS. No caso de o doador ser portador de algum destes males, eles podem ser transmitidos em uma transfusão. Passado esse processo, o sangue é estocado à espera de receptor compatível. Pode também ser armazenado para uso próprio, situação em que o indivíduo doa para si mesmo meses antes de ser submetido a uma cirurgia.

Existem determinados tipos de sangue incompatíveis com outros, impedindo a transfusão. No universo das combinações, o portador do sangue AB positivo é considerado receptor universal, já que pode receber qualquer tipo sanguíneo. O de tipo O negativo é classificado como doador universal, pois seu sangue pode ser recebido por todos os indivíduos. É o tipo ideal para casos de acidentes ou emergências, quando não há tempo de realizar o estudo do sangue do receptor. Aliás, por este motivo, os bancos de sangue geralmente focam suas campanhas de doação nos portadores do sangue tipo O negativo.

Como ainda não existe nenhum substituto para o sangue humano, seja qual for o seu tipo, fazer da doação uma rotina é um ato de cidadania. É seguro doar sangue a cada seis meses. Qualquer pessoa com boa saúde, entre 18 e 65 anos de idade e com mais de 50 kg de peso, é um doador potencial. Além de salvar inúmeras vidas, a doação não traz qualquer revés ao doador, demora cerca de uma hora e pode ser útil para até três pessoas.

Todos devem conhecer os locais de coleta mais próximos. Além do benefício evidente da doação, pois pode salvar vidas, quem doa tem gratuitamente vários exames realizados. Frequentemente pacientes portadores de hepatite B ou C e sífilis, que não tinham diagnóstico estabelecido, são identificados durante a doação de sangue e passam a ter a oportunidade de receber o tratamento adequado.


* É presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM).


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O peso da obesidade mórbida
Seg, 29 de Novembro de 1999 00:00

Escrito por Isabella de Oliveira*

Cerca de 30% da população mundial sofre com sobrepeso e obesidade, a OMS (Organização Mundial da Saúde) a nomeou como a doença do século XXI, trata-se um problema tão grave que o seu índice, há muito tempo, já ultrapassou a marca da AIDS, uma das doenças de maior impacto enfrentadas pela humanidade – contaminou em torno de 60 milhões de pessoas. Todos esses dados tornam a obesidade um problema de saúde pública igualável ao da desnutrição.

Antes, privilégio dos países desenvolvidos, hoje, ao contrário, ela afeta parcelas cada vez mais crescentes dentro das populações mais pobres. A grande disponibilidade de alimentos com alto teor calórico e o estilo de vida sedentário são os fatores ambientais mais associados ao aumento da obesidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, dois terços da população tem sobrepeso e metade é obesa. No Brasil, algumas pesquisas demonstraram um aumento de 255% na prevalência da obesidade mórbida, levando a uma estimativa de que exista mais de 27 milhões de brasileiros obesos e, pelo menos, 1,5 milhões de obesos mórbidos.

Mas o que é obesidade mórbida? A OMS utiliza o IMC (Índice de Massa Corporal) para classificar a obesidade da população, o cálculo divide o peso do paciente pela sua altura elevada ao quadrado. Acima de 25 kg/m2 o indivíduo está com sobrepeso, de 30 kg/m2 ele é considerado obeso e a partir de 40 Kg/m2 ele alcança a obesidade grau III ou mórbida, diretamente relacionada ao aumento da mortalidade e a ocorrência de diversas doenças associadas, as chamadas co-morbidades. Considerando que a obesidade é uma condição médica crônica e causada por múltiplos fatores, seu tratamento envolve abordagens de caráter nutricional, medicamentoso e prática de exercícios físicos. Nenhuma delas faz milagre, o resultado depende fundamentalmente da consciência do paciente de que sua performance determinará o resultado. Cerca de 95% dos pacientes que passam pelo tratamento convencional recuperam seu peso inicial em dois anos, aos que não conseguem restam as intervenções mais incisivas. A cirurgia bariátrica (ou redução do estômago) é o método mais eficaz para a cura da obesidade mórbida. Realizada no Brasil há 34 anos, estima-se que hoje em torno de 20 a 25 mil cirurgias sejam realizadas no país anualmente, sendo que apenas 20% delas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O paciente que se propõe a fazer uma cirurgia para tratamento da obesidade ingressa num longo processo de readaptação corporal que começa dois anos antes e só termina dois ou três anos depois.

É importante salientar que para realização deste procedimento, alguns critérios devem ser obrigatoriamente seguidos tais como: presença de obesidade mórbida estável por um período superior a dois anos, idade acima de 18 anos, tratamento clínico prévio ineficaz – pelo menos dois anos de tentativa de emagrecimento comprovada, ausência do uso de drogas e bebidas alcoólicas, ausência de doenças com riscos inaceitáveis para cirurgia e de doenças endócrinas como causa da obesidade, compreensão dos riscos e das mudanças de hábitos de vida pós-cirurgia e a necessidade de acompanhamento pós-operatório com equipe multidisciplinar, isto é, formada por vários especialistas.

Atualmente, o grande problema observado é que, a médio e longo prazo, os pacientes passam a apresentar os mais variados graus de desnutrição protéica e calórica, e de anemias e deficiências vitamínicas diversas, que, na maioria das vezes poderiam ter sido completamente evitadas se o paciente estivesse sendo acompanhado de perto por uma equipe multidisciplinar antes, durante e principalmente após a cirurgia bariátrica. Fica claro que, para o sucesso duradouro do procedimento cirúrgico, é fundamental que sejam obedecidos todos os critérios de seleção de candidatos à cirurgia e que o acompanhamento clínico/nutricional pós-operatório seja criteriosamente realizado e continuado para o resto de suas vidas. Segundo dados do Hospital Alvorada Moema, que realiza uma média de 300 cirurgias bariátricas por ano, cerca de 65% dos pacientes têm um percentual de perda de peso acima de 50%, num espaço de tempo entre 6 meses e um ano pós-cirurgia. Nesse mesmo período, 76,92% apresentam cura das doenças associadas à obesidade.

Para garantir a segurança, é fundamental que o paciente procure uma equipe filiada à Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica (www.sbcbm.org.br) e faça o acompanhamento multidisciplinar, aí o sucesso é garantido.


É mestre em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília (UnB).

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