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Brasil precisa manter proibida comercialização de cigarros eletrônicos, defende norte-americano Imprimir E-mail
Qua, 04 de Setembro de 2019 11:15

No Fórum sobre Tabagismo do CFM, o ativista e pesquisador Stanton Glantz defendeu que o Brasil deve manter rígida a legislação que proíbe a comercialização dos cigarros eletrônicos no País

Os chamados cigarros eletrônicos não são mais seguros que os cigarros tradicionais e não ajudam os fumantes a parar o vício. Os principais argumentos pró-cigarros eletrônicos foram rechaçados por Stanton Glantz, um dos principais pesquisadores e ativistas do movimento mundial pelo controle do tabaco, durante sua conferência no Fórum sobre Tabagismo do Conselho Federal de Medicina (CFM). Para o especialista, que abordou os “mitos e verdades sobre os dispositivos eletrônicos”, o Brasil deve manter rígida a legislação que proíbe a comercialização dos cigarros eletrônicos no território nacional.

“Ao permitir a entrada dos cigarros eletrônicos no Brasil, vocês estarão estimulando a captação de jovens ao vício e expandindo a epidemia do tabaco. Mantenham o que estão fazendo, pois, pelos padrões internacionais, o Brasil está em situação muito melhor na luta contra o tabaco. É preciso desmistificar os falsos benefícios dos cigarros eletrônicos”, destacou Glantz.

Ao defender a proibição, o especialista comentou recente caso notificado nos Estados Unidos, em que um jovem que morreu após desenvolver uma grave doença respiratória associada ao uso de cigarro eletrônico. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, este seria o primeiro caso de óbito associado ao uso de cigarro eletrônico. Outras 193 pessoas também teriam apresentado sinais de uma doença pulmonar depois do uso do dispositivo.

As autoridades americanas de saúde ainda investigam o que levou ao surgimento da doença. No entanto, os pacientes relataram um início gradual dos sintomas respiratórios, como falta de ar e dor no peito. Além disso, alguns doentes também apresentaram vômitos, diarreia e fadiga. Muitos dos usuários contaram aos médicos que usaram um dispositivo conhecido por “vape” para consumir produtos contendo tetra-hidrocanabinol (THC), o principal composto ativo da maconha.

Principais evidências – De acordo com Stanton Glantz, há um acúmulo de evidências que sugerem que fumar cigarros eletrônicos pode trazer riscos semelhantes ou até maiores que outras formas de uso de tabaco. O especialista destacou que, como o produto libera níveis mais baixos de toxinas do que os cigarros convencionais, ele é utilizado por alguns como subterfúgio para abandonar o tabagismo. Contudo, explica, seu uso contínuo tem demonstrado efeito contrário, ou seja, seus usuários costumam se tornar fumantes intensos.

Além disso, pondera o pesquisador, o e-cigarro polui o ambiente e emite um vapor de água com componentes prejudiciais à saúde. “O e-cigarro coloca o fumante com as mesmas condições e problemas do que cigarro comum. Não há indícios científicos que comprovam que este produto auxilia o fumante a largar o vício e as pessoas passivamente expostas ao aerossol de e-cigarros também absorvem nicotina”, alerta.

Proibido no Brasil – Criado em 2003 na China, o cigarro eletrônico (e-cigarro) é proibido no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa), desde 2009. Seus dispositivos mais comuns utilizam desde um cartucho que contém nicotina, aromatizantes ou extrato de tabaco a uma mistura líquida com variáveis concentrações de nicotina que é injetada no dispositivo.

Após ligar o dispositivo, o fumante de e-cigarro ao aspirar ao fluxo de ar gerado aciona um sensor provocando o aquecimento do líquido do refil, liberando-se a nicotina e outras substâncias presentes na solução, por meio de um aerossol. Além da semelhança entre o dispositivo e um cigarro convencional, até o vapor tem ingredientes para simular a tradicional “fumaça”.

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