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Médicos debatem avanços e desafios do uso da tecnologia na medicina Imprimir E-mail
Sáb, 28 de Julho de 2018 11:00

Conselheiro Fernando Vinagre (primeiro à direita) falou da relação entre ética e inovaçãoComo usar a tecnologia a favor da medicina e dos pacientes? Esta foi a tônica do dois painéis realizado na tarde do dia 25 de julho, em São Paulo, como parte da programação do 3º Fórum Nacional de Integração do Médico Jovem, promovido nos dias 24 e 25 de julho, pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). O primeiro painel, “Inovação em medicina, novas tecnologia e relação médico-paciente”, foi proferido pelo fundador do site Academia Médica, Fernando Carbonieri, que enfatizou a necessidade de o médico dominar as ferramentas tecnológicas e de gestão como forma de oferecer um melhor serviço para o paciente (acesse a apresentação aqui).

Primeiro debatedor a falar, o corregedor do CFM, José Fernando Maia Vinagre, argumentou que as novas tecnologias têm afetado o fazer médico. “O CFM está atento a essas tendências no exercício profissional e temos regulamentado para em prol da ética na medicina, respeitando-se a confidencialidade e a privacidade do paciente”, frisou. Em seguida, o clínico e CEO da Health Innova, Fernando Cembranelli, propôs uma mudança de mentalidade quanto ao uso de tecnologias na saúde. “Temos pouco espaço para inovar nas instituições de saúde por uma questão cultural”, afirmou.

O outro debatedor da mesa, o fisiatra e CEO da INOVAlife, Marcelo Tournier, também enfatizou a necessidade de os médicos dominarem as ferramentas tecnológicas. “A principal revolução da reforma protestante foi a tradução da bíblia, o que tirou dos padres católicos o poder de serem os únicos intérpretes da palavra de Deus. O google fez isso com a medicina”, argumentou.

O diretor do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas de São Paulo, Fábio Jatene, ponderou, no entanto, sobre os custos da introdução das novas tecnologias “não conheço um novo antibiótico que seja barato”. Para o cardiologista, a tecnologia não pode ser usada de uma forma que prejudique o sistema de saúde e, consequentemente, as pessoas. “Não é porque opero com robôs que sou o melhor. É preciso avaliar em qual circunstância o uso do robô é melhor, ou não. Não é usando a tecnologia a qualquer preço que vamos resolver o problema do paciente. Temos de ponderar o que é melhor para ele”, disse.

Telemedicina – Em seguida, o professor titular do departamento de patologia da Faculdade de Medicina da USP Chao Lung Wen, falou sobre “Presente e Futuro da Telemedicina”. Defensor do uso da inovação na medicina, Chao Wen mostrou vários casos de empresas que sucumbiram diante dos avanços tecnológicos, como Kodak e Xerox, e alertou que as mudanças são cada vez mais rápidas. “Em 2026, a telemedicina será completamente diferente. Lembrem-se de que há dez anos não existia Ipad, nem smartphone, que hoje são quase uma extensão do homem. Teremos uma avalanche tecnológica, queiramos, ou não”, previu.

Gerente de inovação do grupo DASA e curador de saúde do Cubo Health, uma joint venture com o Banco Itaú, o radiologista Thiago Júlio enfatizou que, acima de tudo, é médico. “Quando penso em inovação é sempre procurando o melhor para o paciente. Devemos usar a tecnologia com responsabilidade, principalmente na área da saúde”, disse. Em seguida, o gerente do serviço de telemedicina do hospital Albert Einstein e ginecologista Eduardo Cordioli defendeu a regulamentação da atividade. “Existem caubóis na telemedicina, como existem caubóis na estética, temos de regulamentar para coibir a atuação dos maus profissionais”, destacou.

A proposta de atualização da resolução do CFM que trata da telemedicina foi o tema da fala do conselheiro federal Aldemir Humberto Soares, responsável por escrever o novo texto. Sem adiantar o conteúdo, Soares ressaltou que o CFM está sendo cuidadoso. “É difícil trabalhar com uma legislação que vai interferir no dia-a-dia do médico e no atendimento à população. Principalmente numa área que muda a todo tempo”, afirmou. “Se estivéssemos editado essa resolução há cinco anos, quando as discussões começaram, teríamos de fazer outro texto hoje, pois muita coisa mudou desde então”, argumentou.

A última conferência do evento foi do professor da Universidade Federal de Santa Catarina Ylmar Correa Neto, que falou sobre a ética médica nos tempos atuais. “Nos tempos atuais, em que proliferam as fake news, o senso crítico é mais importante do que a informação”, afirmou. “O conhecimento está na internet, mas o que fazer com ele é mais difícil”, ponderou. Correa Neto se mostrou preocupado com o número de médicos recém-formados que estão devendo o Fies. “É bom que o médico precise de honorários para viver, mas é ruim quando o médico está muito endividado, pois vai fazer de tudo para obter dinheiro”, raciocinou (acesse a apresentação aqui).

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