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Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial debate atuação do médico na prevenção de acidentes aéreos Imprimir E-mail
Sex, 13 de Outubro de 2017 13:11

A medicina aeroespacial é um importante aliado na prevenção de acidentes aéreos. Essa foi uma das conclusões da visita de integrantes da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial do Conselho Federal de Medicina (CFM) ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa), em Brasília, quarta-feira passada (11). Na ocasião, foi possível conhecer os laboratórios onde os técnicos investigam as caixas pretas dos aviões envolvidos em acidentes, conhecer um local onde estão os destroços de várias aeronaves e saber qual o papel dos médicos nas investigações. "A medicina aeroespacial exige saberes específicos, pois mistura conhecimentos de outras especialidades, como perícia e clínica médica, e nesta visita ficou clara a necessidade da criação da especialidade", defendeu o coordenador da Câmara, Emmanuel Fortes.

A Comissão Mista de Especialidades, composta por representantes do CFM, da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) e da Associação Médica Brasileira (AMB), está analisando o reconhecimento da Medicina Aeroespacial como área de atuação, que é o primeiro passo para que ela seja reconhecida, futuramente, como especialidade. "Entendo que já temos conhecimento acumulado para reivindicarmos a especialidade, mas essa definição deve ser feita pela CME", pondera Fortes. O conselheiro federal também ficou impressionado com a estrutura do Cenipa, que está entre os doze melhores centros de investigação de acidentes aéreos do mundo, sendo o melhor da América Latina e África. 

Atividade médica – A visita ao Cenipa começou com uma palestra do diretor do Hospital de Força Aérea de Brasil, coronel médico Ricardo Kanashiro, que fez uma apresentação (acesse aqui) sobre "A medicina aeroespacial e a segurança de voo". Após um acidente, é formada uma comissão, formada por vários especialistas, que vai analisar as circunstâncias do acidente. Cabe ao médico avaliar em quais circunstâncias as mortes ocorreram. No caso de uma queda no mar, por exemplo, é possível averiguar se elas ocorreram antes do contato com a água, ou antes. Com base nas informações encontradas, são propostas medidas de segurança para futuras aeronaves. "Cada acidente, se bem investigado, é uma oportunidade para evitarmos incidentes futuros", ressaltou Kamashiro.

A medicina aeroespacial foi acompanhando a evolução da própria aviação. Ainda na I Guerra Mundial, pilotos morriam ao realizar loopings devido à hipóxia. Hoje, os pilotos de caças usam vestimentas que pressionam as pernas e o tórax toda vez que o avião faz manobras bruscas e são submetidos a centrífugas que simulam situações de loopings extremos, ocasiões que em aprendem exercícios de respiração para levar oxigênio ao cérebro. Medidas de segurança que foram sugeridas por médicos.

Acidentes - Kanashiro também relatou várias situações em que as causas dos acidentes foram identificadas por médicos e as medidas de segurança tomadas em seguida. Em um acidente na Grécia, um erro do engenheiro de solo deixou a pressurização do avião no manual, o piloto não identificou o sinal de alerta e a hipóxia o levou a perder os sentidos, assim como todos os passageiros e tripulantes. A partir de então, o sinal sonoro de problemas na pressurização mudou e foram intensificados os treinamentos de identificação de hipóxia.

Em outra situação, no Alasca, foi servida uma comida estragada, que hospitalizou o piloto e todos os demais que comeram a refeição. A partir de então, o piloto e o copiloto não podem comer da mesma comida, nem o mesmo tipo de proteína. "Infelizmente, cada acidente é uma oportunidade muito cara, pois envolve vidas, por isso devem ser bem investigadas para que outros eventos não aconteçam", lamentou o vice-chefe do Cenipa, coronel Roberto Fernandes Alves, que deu a palestra seguinte sobre os "Fundamentos da Prevenção dos Acidentes Aéreos" (acesse aqui apresentação).

Para o coordenador da Câmara Técnica de Medicina Aeroespacial, Emmanuel Fortes, a apresentação realizada por Kanashiro mostrou as possíveis áreas de atuação da medicina aeroespacial. "O especialista pode trabalhar na clínica, como médico de esquadrão, avaliando as condições de saúde dos pilotos e das equipes de voo, na perícia especializada, prevenção e no ensino e pesquisa. Áreas de atuação de uma futura especialidade", argumentou. Este também é o entendimento do brigadeiro do ar Flávio Xavier, integrante da Câmara Técnica. "O médico tem um importante papel na garantia da segurança de voo e deve receber um treinamento específico", defendeu.

Participaram da visita ao Cenipa, Emmanuel Fortes, Dalvélio Madruga, Albert Costa Rebello, Flávio Xavier, Hélvio Ferro, Marco Antônio Cantero, Rodrigo Neves e Ronald Coelho. Durante a reunião, o conselheiro Dalvélio Madruga informou que o CFM apresentou ao relator do projeto de lei do Senado 258/16, que institui o novo Código Brasileiro de Aeronáutica, senador José Maranhão, mudanças no texto com o objetivo de garantir a segurança médica da tripulação e dos passageiros das aeronaves.

 
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