O Brasil possui um número absolutos de médicos significativo, como mostram os levantamentos mais recentes. Contudo, ao avaliar os dados se percebe que há distribuição desigual entre as regiões do país e entre as áreas metropolitanas e o interior. As áreas mais afetadas são as menos desenvolvidas, as mais distantes e as de difícil provimento (com altos índices de violência, por exemplo).

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Enquanto a média nacional é de 2,38 médicos por 1.000 habitantes, há lugares, como Vitória (ES), onde a proporção é de 13,71, enquanto em municípios com até 5 mil habitantes, são 0,37 médicos por mil habitantes. Porém esse problema não afeta apenas a presença do médico, o estudo Demografia Médica já revelou em edições anteriores que nos locais sem cobertura também não há profissionais de outras categorias, inclusive da área da saúde.

“Localidades com esse perfil – população pequena, sem atividade econômica definida ou com baixos indicadores de desenvolvimento humano – não atraem e fixam profissionais. Neles, o mercado não se autorregula. Assim, cabe ao Estado, por meio de políticas indutoras levar e manter médicos e outros profissionais nestas áreas. Para isso devem ser oferecidas condições de trabalho e remuneração adequadas”, disse o 1º vice-presidente do CFM, Donizetti Giamberardino.

Melhora – Contudo, apesar de poucas iniciativas do setor público neste sentido, todas as regiões brasileiras apresentaram melhora na relação médico e população atendida. Porém, como ressaltam os representantes do CFM, persistem as distorções percebidas na Demografia Médica 2011 e mantidas em todas as edições seguintes. Ao analisar o quadro, percebe-se que o Norte (1,30) e Nordeste (1,69) apresentam uma média menor do que o índice nacional, enquanto o Sul (2,68), Centro-Oeste (2,74) e Sudeste (3,15) exibem um desempenho melhor.

Pela primeira vez na série histórica, nenhum estado apresentou razão menor do que um (1) médico por mil habitantes. Em todo o país, apenas quatro estados apresentam proporção de médicos por mil habitantes inferior a metade da média nacional, ou seja, 1,2. Por outro lado, outros sete relatam um desempenho acima de 2,4 médicos por mil habitantes. Os destaques são Distrito Federal, com 5,11, seguido por Rio de Janeiro (3,70) e São Paulo (3,2).

Média – No Norte, que tem uma taxa 43% menor do que a média nacional, a maior proporção de médicos é encontrada no Tocantins, com média de 2,01. A menor aparece no Pará (1,07). No Nordeste, a pior situação está no Maranhão (1,08) e melhor índice fica na Paraíba, com 2,04. No Sul, a média regional é de 2,68, com o Rio Grande do Sul apresentando 2,89; Santa Catarina 2,64 e o Paraná, 2,49.

No Centro-Oeste, com 2,74 médicos por mil habitantes, os números são puxados pelo Distrito Federal, cuja proporção é 5,11. O Mato Grosso, com 1,91, que é o único estado da região a ter uma média menor do que a nacional. No Sudeste, a melhor indicativo é encontrado no Rio de Janeiro, com 3,70, e a menor concentração está em Minas Gerais, com 2,66. (Veja gráfico a seguir).

Além das desigualdades regionais, a Demografia Médica também mostra que há uma concentração de médicos na iniciativa privada, que geralmente oferece melhores condições de trabalho. De acordo com o estudo da USP, 50,2% dos médicos atuam na iniciativa privada e no serviço público, 28,3% trabalham apenas na iniciativa privada, seja por meio dos planos de saúde, ou em consultórios particulares, e 21,5% atendem apenas no serviço. Com isso, a força de trabalho na iniciativa privada é de 78,5% e, no serviço público, 71,7%.

 

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