A Demografia Médica no Brasil 2020 confirma o que o CFM denuncia há anos: há falta no país de políticas públicas que fixem os médicos e demais agentes de saúde no interior do país. Isso fica evidente na análise dos números. Enquanto nas 27 capitais a média é de 5,65 médicos por mil habitantes, nas cidades do interior é de 1,49. Enquanto abrigam 23,8% da população, as capitais concentram 54,2% dos médicos.

ACESSE AQUI A ÍNTEGRA DA DEMOGRAFIA MÉDICA 2020

As maiores taxas nas capitais estão em Vitória (13,71), Florianópolis (10,68), Porto Alegre (9,94) e Recife (8,18). Já Macapá (AP) e Rio Branco (AC) têm as menores taxas (1,77 e 1,99, respectivamente), apresentando, inclusive, um percentual menor do que a média nacional geral.

No comparativo entre as regiões, as capitais do Norte têm 2,94 médicos por mil habitantes, seguidas pelas capitais do Nordeste (5,30), Centro-Oeste (5,44), Sudeste (6,15) e Sul (8,35).


Indicador – Para mostrar como é irregular a distribuição dos médicos nos estados, o Demografia Médica criou o Indicador de Desigualdade, que revela a diferença entre a presença de médicos nas capitais e nos municípios do interior.

O indicador é resultado da divisão entre a razão de cada capital e a razão das regiões do interior do respectivo estado. Quanto maior o Indicador de Desigualdade, maior a concentração de médicos na capital. No Brasil como um todo, esse indicador é de 3,80 – resultado da divisão entre a razão das capitais, que é de 5,65, e a razão dos municípios do interior, que é de 1,49 médico por mil habitantes.

Após os cálculos, percebe-se que a maior desigualdade ocorre em Sergipe, cujo índice é 22,93. Neste estado, a relação de médicos por população é de 6,01 na capital, enquanto no interior é de 0,26. O extremo oposto ocorre em São Paulo, que tem um índice de 2,43. Lá, o índice na capital é de 5,61 e, no interior, de 2,31. Essa boa relação é explicada porque o estado tem várias cidades com mais de 500 mil habitantes, que geralmente contam com um contingente maior de médicos.

Com um Indicador de Desigualdade equivalente a 7,95, o Nordeste é a região com maior diferença entre capitais e interior. Nessa região, enquanto a média de médicos nas capitais é de 5,30, nas cidades do interior fica em 0,67. O Sudeste é a região com o menor Indicador de Desigualdade: 2,87. Nessa região, a taxa de médicos atuando na capital é de 6,15 e, no interior, 2,15.

Grandes centros – Além das capitais, os médicos tendem a se fixar nas cidades com um maior número de habitantes. Enquanto nos municípios com mais de 500 mil moradores, a média é de 4,89 médicos por mil habitantes, nas localidades com até 5 mil pessoas, a relação é de 0,37. Só a partir dos municípios com mais de 100 mil habitantes é que é possível alcançar a média de 2,27.

O Estudo Demografia médica mostra que os 48 municípios com mais de 500 mil habitantes reúnem 66 milhões de pessoas (31,7% da população do país) e contam com 325.490 médicos (62,4%). Já nos 1.253 municípios com até 5 mil moradores vivem 4,2 milhões de pessoas, que são atendidas por 1.557 médicos.

A situação também é difícil nos 1.199 municípios que têm de 5 a 10 mil moradores, cuja razão é 0,38. Neles moram 8,5 milhões de pessoas e 3.269 médicos. As cidades com população entre 10 mil e 20 mil moradores agrupam 1.345 municípios, onde vivem 19,2 milhões de pessoas e trabalham 9.051 médicos. A taxa é de 0,47 médico por mil habitantes.

Somados, os 3.797 municípios com até 20 mil habitantes representam 68,2% dos 5.570 municípios do país, abrigam 31,9 milhões de habitantes e contam com 13.877 médicos. Os números mostram que 15,2% da população brasileira é assistida por apenas 2,7% dos médicos em atividade.

Para Mauro Ribeiro, os números mostram a necessidade de uma política que fixe o médico no interior e nos pequenos municípios. “O médico precisa ter segurança financeira e de infraestrutura, além de uma rede de referência e contrarreferência. Sem essas condições, é quase impossível fixar qualquer profissional em alguns locais”, argumenta.

 

Notícias Relacionadas

Desigualdade na distribuição dos médicos dificulta o acesso da população aos cuidados em saúde

08 dez 2020

Explode número de médicos no Brasil, mas distorções na distribuição dos profissionais ainda é desafio para gestores

08 dez 2020

Em 20 anos, dobra o número de mulheres que exercem a medicina no Brasil

08 dez 2020

Idade dos médicos em atividade no Brasil vem caindo nos últimos anos

08 dez 2020
Aviso de Privacidade
Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o Portal Médico, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies. Se você concorda, clique em ACEITO.