
O X Congresso de Humanidades Médicas do Conselho Federal de Medicina (CFM) foi encerrado nesta quarta-feira (16) com a conferência “História e realizações da Comissão de Humanidades do CFM e suas consequências”, proferida por Roberto Luiz D’Ávila, membro da Comissão de Humanidades do CFM. O evento teve como tema central “Valorização da Identidade Médica – Essência, realidade e futuro” e foi organizado pela conselheira federal Maíra Dantas, coordenadora da comissão. A mesa de encerramento foi presidida por Henrique Batista e Silva e secretariada por Helena Maria Carneiro Leão, ambos integrantes da comissão.
A transmissão completa está disponível no YouTube:
https://www.youtube.com/live/v_CYrhBTX0E?si=iRvB8eS3oySnVVG4
O conferencista relacionou avanços tecnológicos, como o crescente uso de Inteligência Artificial para tudo, à redução da empatia ao longo da formação médica, que, segundo ele, é apontada por estudos desde a década de 1990. Mencionou também pesquisas recentes que usam simulações com chatbots para treinar essa habilidade, com a ressalva de que as máquinas não alcançam a empatia real. D’Ávila citou o médico Luiz Roberto Londres (palestrante anterior), com quem disse ter aprendido que o paciente “é biologia, é biografia e é simbolismo” e que todo médico é um artista.
Nessa linha, mostrou a possibilidade do ensino das humanidades por meio da arte. Citou professores no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa que levam estudantes de medicina a museus para observar obras e discuti-las em grupo. Apresentou ainda uma comparação entre a análise de uma pintura e o raciocínio clínico, em etapas de observação, interpretação, síntese e intervenção. Como exemplo, usou a pintura A coluna partida (La columna rota), de Frida Kahlo, para discutir a dor e a experiência subjetiva do paciente. Na avaliação dele, profissionais que atuam em terapia da dor deveriam estudar a trajetória da artista.
Encerramento – Ao agradecer aos participantes, Maíra Dantas explicou a escolha das flores do cenário. “Quando nós escolhemos as flores, nós colocamos amarelas e azuis propositadamente, mostrando que a harmonia e a beleza vêm da composição, assim como numa orquestra”, disse. Ela lembrou que o congresso reuniu pessoas de ideologias, regiões e formações diferentes. Ao ver o participante mais jovem ao lado de um decano, disse ter percebido “como, ao vivo e a cores, a gente pode demonstrar o que a humanidade pode fazer pela medicina na prática”. Em seguida, pediu que Helena Leão fizesse o encerramento, em reconhecimento ao trabalho que ela desenvolveu na comissão antes de sua chegada.
Surpresa com o convite, Helena disse estar feliz com a continuidade do trabalho e destacou, sobretudo para os mais jovens, a consciência do papel social e ético do médico. “Não é o futuro, é o presente, é o que estamos vivendo agora”, afirmou. Sobre as mudanças tecnológicas, avaliou que elas transformam a profissão para melhor, mas ressalvou: “Não perder a essência do que é ser médico é o mais importante”. E agradeceu ao CFM, “que se mantém firme nesse caminho da bioética, das humanidades em tempos tão complexos”.