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Mesas-redondas trataram do Juramento de Hipócrates, da atuação médica nas redes sociais, da liderança em saúde pública e do legado de Albert Schweitzer

 

A programação científica do X Congresso de Humanidades Médicas, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nesta quarta-feira (16), começou com duas mesas-redondas: “Erros e acertos na construção da imagem médica” e “Resgate do protagonismo médico”. O congresso tem como tema “Valorização da Identidade Médica: Essência, Realidade e Futuro” e é coordenado pela conselheira federal Maíra Dantas. A programação inclui debates sobre ética, humanidades médicas, comunicação, imagem profissional e os valores que orientam o exercício da Medicina.

O evento pode ser assistido em sua íntegra aqui:

https://www.youtube.com/live/v_CYrhBTX0E?si=i-JoOEXRC9mciwW1

 

A primeira mesa foi coordenada pelo conselheiro federal José Elerton Secioso de Aboim (SE) e moderada pela conselheira federal Graziela Schmitz Bonin (SC). Na abertura dos trabalhos, a coordenação lembrou que a imagem médica mudou profundamente nos últimos 30 anos com as redes sociais e a inteligência artificial. Também defendeu que, diante dessas mudanças, a profissão preserve seus princípios, sua simbologia e seus valores.

 

O professor Hélio Angotti Neto, coordenador do curso de Medicina do Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc), abordou o tema “Juramento de Hipócrates no século XXI”. Para ele, discutir a identidade profissional significa discutir as raízes da Medicina. “Se você não tem raiz, você pode ser qualquer coisa, você pode ser jogado para qualquer direção”, afirmou. O palestrante disse ainda que o abandono desses valores já levou a desvios graves. Angotti descreveu o Juramento como “um clássico de uma página”, com várias camadas de significado. Segundo ele, compreender essas camadas exige conhecer também as obras hipocráticas e seus comentadores.

 

Em seguida, o médico e advogado Alessandro Timbó tratou do “Posicionamento digital e redes sociais”, tema de sua tese de doutorado. Ele fez um histórico da regulação da profissão no Brasil desde 1808 e descreveu as redes sociais como a nova porta de entrada da população em busca de informação. Para Timbó, esse ambiente é ao mesmo tempo uma oportunidade de levar orientação em saúde e de combater informações falsas, e um risco para o médico que prioriza o ganho rápido. “A mercantilização da atividade médica deve ser evitada”, resumiu. Ele também alertou que a comunicação inadequada nas redes pode gerar consequências penais.

 

Protagonismo médico – A segunda mesa teve moderação de André Soares Dubeux. O conselheiro federal Eduardo Jorge da Fonseca Lima (PE) falou sobre “Liderança médica na defesa da saúde pública, da ciência e da ética”. Ele apontou quatro desafios atuais: a velocidade com que a informação circula; o ruído em que opinião compete com evidência; a complexidade das decisões clínicas; e a  desconfiança em relação às instituições.

 

Por isso, defendeu que a liderança seja ensinada já na graduação e na residência. Ao tratar da defesa da saúde pública e da ciência, destacou a equidade no acesso, a atenção ao custo-efetividade e a transparência sobre os limites do conhecimento. “Comunicar incerteza é comunicar a verdade”, disse. Segundo ele, quem burocratiza a informação médica perde espaço para quem transmite informações equivocadas de forma mais clara.

 

Encerrando a mesa, Péricles Vasconcelos Brandão de Almeida, membro da Comissão de Humanidades Médicas do CFM, apresentou “Liderança social transnacional – O exemplo do Dr. Albert Schweitzer”. Ele reconstituiu a trajetória do médico, teólogo, filósofo e músico. Por volta dos 30 anos, Schweitzer decidiu cursar medicina e renunciou a uma carreira acadêmica e artística consolidada para atender populações africanas. Em 1913, partiu para o Gabão com a esposa, Helene Bresslau, e dedicou mais de 50 anos ao hospital de Lambaréné. “Ao heroísmo da ação voltada para a conquista e exploração, seria preciso opor a autodoação como prova de fraternidade”, afirmou Péricles.

 

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