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O segundo dia do I Fórum Internacional e do VI Fórum de Médicos de Fronteira do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado nesta quinta-feira (30), em São Luís (MA), foi marcado pela valorização das vozes das populações de fronteira, pela integração entre medicina tradicional e ocidental e pelo papel estratégico da tecnologia para ampliar o acesso à saúde em áreas remotas. A programação também incluiu a leitura da “Carta de Fronteiras” e a solenidade de encerramento do evento.

Abrindo a programação, o Painel “Vozes da Floresta e das Águas” trouxe o olhar de quem vive nas regiões mais isoladas. A liderança indígena Neydaianne Pinho destacou a importância da medicina tradicional como instrumento de cuidado e preservação cultural. “A floresta e o território são a farmácia viva dos povos tradicionais. Proteger o ambiente é proteger a saúde”, afirmou, ao apontar desafios como preconceito, ausência de políticas públicas e falta de integração com o SUS.

Na mesma linha, Mônica Guajajara, presidente fiscal da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB) reforçou a necessidade de escuta e construção conjunta de soluções. “Quem vive na ponta sabe o que é passar dias para conseguir atendimento. Precisamos ser ouvidas para construir políticas mais eficazes”, disse.

No Painel 6, sobre a integração entre saberes, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, José Albuquerque de Figueiredo Neto, defendeu um modelo de cuidado baseado no diálogo entre diferentes sistemas de conhecimento. “O maior risco não é a existência de dois sistemas, mas a falta de diálogo entre eles”, afirmou, ao destacar a necessidade de uma bioética intercultural.

Representando os saberes tradicionais, o pajé Wagner Krikati ressaltou que a cura envolve dimensões físicas, espirituais e ambientais. “A floresta, o rio e a terra são fontes de cura. O cuidado precisa respeitar essa conexão”, defendeu.

Ainda no painel, o coordenador do projeto HÄMY, Gumercindo Leandro da Silva Filho, apresentou soluções que integram tecnologia e cultura. “A medicina falha quando a comunicação não acontece. A solução está na presença, na tecnologia e no respeito cultural”, afirmou, defendendo o uso de telemedicina, unidades móveis e conectividade para ampliar o acesso.

No Painel 7, especialistas discutiram a telemedicina como ferramenta para superar o isolamento geográfico. O conselheiro federal Hideraldo Cabeça (PA) destacou que o uso da tecnologia exige responsabilidade ética e adaptação cultural. “A telemedicina amplia o acesso, mas precisa respeitar a cultura, garantir o consentimento e preservar o vínculo humano”, afirmou.

Já o conselheiro federal Jeancarlo Cavalcante (RN) enfatizou o potencial transformador da ferramenta. “A telemedicina não substitui a rede física, mas amplia o acesso e fortalece o cuidado em regiões onde cada minuto faz diferença”, defendeu.

No Painel 8, médicos relataram a realidade do atendimento nas fronteiras. O médico Ywak Campos Pompeu destacou os desafios do cotidiano assistencial. “Na fronteira, muitas vezes tratamos primeiro e confirmamos depois”, afirmou, ao relatar dificuldades de acesso, escassez de recursos e necessidade de articulação com lideranças locais.

O médico e antropólogo Istvan Van Deursen chamou atenção para lacunas nos dados demográficos e na organização da política de saúde indígena. “Precisamos repensar o que é ser indígena no Brasil e como isso impacta o planejamento em saúde”, disse.

Cerimônia de encerramento – O encerramento do Fórum reuniu lideranças do Sistema Conselhos, que destacaram o legado do encontro. O presidente do CFM, Hiran Gallo, reforçou a necessidade de humanismo e respeito. “Tem que existir fraternidade e compromisso com os povos indígenas”, afirmou.

A coordenadora da Comissão de Médicos de Fronteira, Dilza Ribeiro destacou o resultado dos debates. “Saímos com a sensação de dever cumprido e com o coração mais humanizado”, disse.

Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, José Albuquerque de Figueiredo Neto, o evento deixa um legado concreto. “O Fórum plantou sementes e abre caminho para aprofundarmos o olhar sobre a saúde indígena”, afirmou.

O conselheiro federal Nailton Lyra (MA) destacou a importância de ouvir quem vive nas regiões de fronteira. “Escutar as vozes da floresta e das águas não é simbólico, é condição de eficácia. Na ponta, o problema não é apenas chegar. É chegar sempre, com qualidade, no tempo certo”, enfatizou.

Já a conselheira federal suplente Leopoldina Milanez (MA) ressaltou o caráter integrador do encontro. “A riqueza das discussões e a troca de experiências reforçam o compromisso com uma medicina mais sensível e inclusiva”, afirmou.

Ao final, o Fórum consolidou a defesa de uma saúde que integre ciência, cultura e tecnologia, com foco na redução das desigualdades e na garantia de acesso digno às populações que vivem nas fronteiras.

Para saber mais sobre o I Fórum Internacional e do VI Fórum de Médicos de Fronteira, clique AQUI e acompanhe as redes sociais do CFM.

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