O Conselho Federal de Medicina (CFM) abriu, nesta quarta-feira (29), em São Luís (MA), o I Fórum Internacional e o VI Fórum de Médicos de Fronteira, com foco nas desigualdades em saúde e na construção de estratégias para regiões de difícil acesso. Na mesa de abertura, representantes do Sistema Conselhos e de organismos internacionais ressaltaram a necessidade de integrar conhecimento técnico, respeito cultural e cooperação institucional.

Ao declarar abertos os trabalhos, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, destacou a relevância do encontro e homenageou a médica Dilza Teresinha Ambrós Ribeiro, pela atuação em áreas remotas. “Ela sabe como fazer medicina em regiões com pouca infraestrutura e população carente de cuidados”, afirmou, ao defender o compromisso com uma assistência digna.

Representando a Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, Maria Cristina Hoffman ressaltou que as fronteiras concentram vulnerabilidades e exigem respostas integradas. “Precisamos transformar as fronteiras em pontes de cuidado, com respeito às culturas e compromisso contínuo com as comunidades”, disse.

Coordenadora da Comissão de Médicos de Fronteira, Dilza Teresinha Ambrós Ribeiro destacou os avanços na produção de dados e na articulação de ações voltadas às populações vulneráveis. “A realidade das fronteiras é diferente, e nós, enquanto médicos, podemos — e precisamos — ajudar essas populações”, afirmou.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Maranhão, José Albuquerque de Figueiredo Neto, defendeu uma abordagem que vá além da técnica. “É preciso dialogar com os saberes dos povos e construir uma medicina mais inclusiva, sensível e justa”, pontuou.

O conselheiro federal Nailton Jorge Ferreira Lyra chamou atenção para a complexidade do tema. “As fronteiras não se limitam às linhas do mapa. Envolvem fluxos migratórios, escassez de recursos e exigem responsabilidade na tomada de decisões”, afirmou. Já a conselheira federal suplente Leopoldina Milanez da Silva Leite destacou o papel dos profissionais que atuam em áreas de difícil acesso. “A medicina de fronteiras exige mais do que tecnologia: exige respeito, escuta e compromisso com a dignidade humana”, disse.

Ao longo das falas, os participantes convergiram na defesa de uma atuação integrada, sensível às especificidades culturais e sociais, e orientada pela redução das desigualdades em saúde, reforçando o papel estratégico do Fórum na formulação de políticas e práticas voltadas às populações de fronteira. Para assistir as discussões do primeiro dia do evento, clique aqui.