
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou nesta terça-feira (3) o 2º Fórum de Nutrologia, sob coordenação do conselheiro federal Jeancarlo Cavalcante, terceiro vice-presidente do CFM e coordenador da Câmara Técnica de Nutrologia. Com o tema central “Educação e Avanços Tecnológicos na Nutrologia”, o evento reuniu médicos, especialistas e gestores para debater os rumos da especialidade diante das transformações tecnológicas e dos novos desafios éticos impostos pela era das redes sociais.
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A mesa 2, dedicada à “Ética em Nutrologia” abriu espaço para um debate urgente: a proliferação de médicos que atuam e se comunicam nas redes sociais sem a qualificação formal exigida pela especialidade.
A médica Eline Soriano, membro da Câmara Técnica de Nutrologia, apresentou a palestra “A importância do RQE na atuação e publicidade da especialidade”, destacando que o Registro de Qualificação de Especialista protege simultaneamente o médico e a sociedade. Segundo ela, o documento confere segurança jurídica, legitimidade e reconhecimento técnico ao profissional, além de garantir maior transparência à população sobre quem de fato possui formação reconhecida.
“A população deve saber da importância do RQE. Muitas vezes ela nem sabe o que significa isso”, afirmou Soriano, ressaltando que a ausência dessa informação nas redes sociais pode representar risco ao paciente e perda de credibilidade para a especialidade.

Na sequência, a também membro da Câmara Técnica, Marcella Garcez Duarte, abordou o fenômeno da “pseudoautoridade nas redes sociais”. Ela apontou que a popularidade nas plataformas digitais tem superado, na percepção do público, a competência técnica e a formação acadêmica. “A popularidade hoje supera a evidência científica”, disse Duarte, que definiu pseudoautoridade como o indivíduo que transmite imagem de especialista sem formação adequada, utilizando apelo emocional intenso, linguagem assertiva, promessas rápidas e forte construção de marca pessoal.

A mesa 3, “Novas Tecnologias em Nutrologia”, trouxe três palestrantes com perspectivas complementares sobre o impacto da tecnologia na especialidade. Para o palestrante Carlos Lopes, da Medx, o paciente de Nutrologia é o perfil ideal para a telemedicina: crônico, estável, recorrente e raramente dependente de atendimento presencial urgente. “Em 2023, foram realizadas 30 milhões de consultas online no Brasil, com crescimento de 172% em relação ao ano anterior”, afirmou, lamentando que a Nutrologia ainda não figure entre as especialidades que mais utilizam o recurso.

A médica Juliana Tepedino Martins Alves, representando a Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE), discutiu o uso da inteligência artificial na prática nutrológica. Ela defendeu que a IA deve atuar como assessora do médico, organizando dados, reconhecendo padrões e validando referências. Mas a responsabilidade clínica, técnica e ética permanece sempre com o profissional. Juliana alertou para riscos como o viés algorítmico em populações vulneráveis e para a proibição ética de inserir dados identificados de pacientes em ferramentas de IA. “A IA deve ampliar o raciocínio clínico, não substituí-lo”, resumiu.
Fechando a mesa, Eduardo Jorge Valadares, secretário-adjunto da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, tratou dos dispositivos médicos e das novas tecnologias aplicadas à saúde. Ele apresentou ferramentas de avaliação corporal disponíveis na clínica, ressaltando que todas são complementares à atuação médica, não substitutivas. Valadares também fez um alerta sobre os dispositivos vestíveis de consumo, como smartwatches: apesar de populares, a maioria não foi testada para uso clínico diagnóstico, podendo apresentar erros significativos quando aplicados fora do contexto de bem-estar.