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Novas Escolas Médicas: Uma Realidade Imprimir E-mail
Dom, 05 de Maio de 2002 21:00
Estamos vivendo uma época da abertura de escolas médicas em todo o país. Durante vários anos, o número de escolas de medicina permaneceu estável, havendo uma preocupação por parte do regime militar no aumento do número de vagas. Quem não se lembra da figura dos “excedentes”, muitos dos quais terminaram por ingressar nos cursos de medicina. A criação de uma escola de medicina segue alguns critérios, segundo os seus defensores: Grade Curricular A grade curricular deve estar voltada para o aprendizado das disciplinas consideradas básicas e a parte clínica, de forma abrangente e dinâmica, devido ao grande avanço da medicina na últimas décadas. Para o curso básico há a necessidade de cadáveres e laboratórios são essenciais para uma boa aprendizagem. Por outro lado, o curso profissional deve contar com um hospital escola, capacitado e aparelhado para que possa oferecer um ensino teórico-prático ao futuro médico das clínicas básicas como também de várias outras especialidades, para que o aluno tenha uma visão global da medicina. Para isto são necessários equipamentos e outros instrumentos para o pleno exercício da aprendizagem. Outro fator importante, exigido até pela nova LDB é que os docentes tenham qualificações (mestrado e doutorado) para incrementar no alunado o interesse pela pesquisa, considerada, também, vital para uma escola de medicina. Se olharmos estes itens, veremos como estas escolas médicas pecam ao apresentarem seus projetos de funcionamento. Vejamos: 1) Cidades de pequeno porte com hospitais gerais precários oferecem a clínica básica, possuindo poucos médicos na cidade acreditam ser importante uma escola médica naquela cidade. Ora, como pode um hospital universitário ser oriundo de hospitais precários sem estruturas adaptadas para o ensino ser a espinha dorsal de uma escola de medicina? E as demais clínicas? É entender a função real de um hospital escola. Não é simplesmente um hospital. Primeiro, não visa lucro, o seu modus operandi é a inserção do estudante de medicina para que possa desenvolver suas aptidões, atitudes e habilidades com o fiel cumprimento dos princípios éticos e bioéticos. 2) Sabemos que a aquisição de equipamentos, instrumentos e laboratórios são muito caros e não vai ser de um dia para a noite que um hospital vai estar equipado para atender as exigências acadêmicas, administrativas e docentes para se tornar um hospital escolar. É querer nos enganar de forma banal aqueles defensores destas novas escolas médicas; 3) A qualificação dos docentes. Claro que é muito salutar que uma faculdade de medicina tenha seu corpo docente todo titulado, mas isto não é uma condição sine qua non, para que o seu ensino seja de qualidade. Associado a titulação docente é necessário a complementação e implementos de recursos atinentes ao ensino médico para que a aprendizagem seja efetiva. O incentivo à pesquisa decorre das boas condições que esta unidade hospitalar oferece a seus pesquisadores. Não se faz pesquisa somente com titulação, tem que haver incentivos e condições favoráveis às mesmas. O argumento que estas novas escolas estão usando de que estão com um quadro docente capacitado e de aposentados, quase todos oriundos de faculdades de medicina federais, por si só é falacioso. Pode servir para enganar o futuro aluno, mas não para quem vive há tempo no ramo. Projeto e Criação O projeto de criação geralmente é bem escalonado, alegando que esta nova escola vai solucionar o problema da assistência médica naquela região, fixando os futuros médicos nas cercanias. Ledo engano. Nenhuma faculdade de medicina fixa o médico na região. Assim, na Paraíba, em nosso próprio estado, com duas escolas médicas não teríamos algumas dezenas de municípios sem médicos, e no Brasil, mais de 1000 municípios estariam TODOS com pelo menos um médico residente nos mesmos. O presidente do Conselho Federal de Medicina, Edson de Oliveira Andrade, afirmou em uma conferência no Rio Grande do Norte que “ ... saúde se faz com médico, sem médico não há saúde”. Esta afirmação usada por muitos espertos para justificarem a abertura de novas escolas médicas nos mostra que já somos mais de 260 mil médicos. O nosso problema não é números, até por ser uma quantidade considerável, mas sim uma política de governo voltada para a fixação do médico no interior, dando-lhe condições dignas de trabalho com uma carreira estruturada e um salário digno. É preciso acabar com este mito de que medicina é um sacerdócio. Até que deve ser, mas o médico é um cidadão como outro qualquer, que compra do pão a uma casa para morar e, se não for com o seu trabalho, com certeza, não sobreviverá. Reafirmamos os ensinamentos éticos, estes sim, são indispensáveis ao exercício da prática médica. Outra questão fundamental é que quantidade não significa resolver os problemas médicos do país. Estas novas escolas irão formar mais médicos para ficarem nas grandes cidades, e aquilo que constava de seus projetos originais nem mais serão lembrados. O que vale, agora, é o lucro e a qualidade do ensino passa a ser secundário. Até porque mesmo com as “exigências” do MEC, com certeza, nunca veremos uma escola ser fechada. As pressões políticas serão muito grandes. Não faltarão padrinhos para defender a as permanência em benefício da comunidade e por aí vai o resto do discurso. Portanto, estamos diante de uma realidade cruel. Já são mais de 100 faculdades de medicina e outras tantas esperam o “agrément” de funcionamento que com certeza ser-lhe-á dado. Não faltará quem ache uma medida correta, salutar, mas na verdade, estamos abortando a categoria médica deste país, desviando do rumo de uma discussão política voltada para os interesses dos médicos e da população que clama por atendimento. É assim que os nossos governantes estão vendo o futuro da medicina no Brasil. Genário Alves Barbosa é o 1º Tesoureiro do CFM.
 
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