Especialistas de diversas áreas reunidos em evento promovido pela Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox) reforçam necessidade de ampliar as discussões

 
 
“O que há dez anos poderia ser apologia às drogas, atualmente pode ser considerado como uma estratégia realista e pragmática”. Essa foi uma das afirmações mais contundente sobre o tema Redução de Danos feita pela toxicologista Alice Chasin, durante o evento realizado na quinta-feira, 8 de junho.
 
Promovido pela Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox), o debate sobre Redução de Danos no Tabagismo ganhou força com a abordagem da evolução de novas tecnologias nas diferentes áreas de estudo. Se comparado com a aplicação do conceito em etanol, ou seja, no controle do consumo de álcool, a prática pode ser abordada sob a ótica do estabelecimento de risco x gerenciamento de risco.
 
“Na área da toxicologia, podemos tratar o consumo do álcool de forma aguda ou crônica. A sociedade adotou a forma crônica que são os seus efeitos imediatos no trânsito, por exemplo. E assim, passamos a tratar o gerenciamento do risco com o estabelecimento de cotas mínimas de consumo, sem perder de vista a máxima – Se beber, não dirija”, reforçou Alice. “A estratégia de redução de danos no tabagismo deve ser considerada como uma estratégia complementar às convencionais utilizadas pelas autoridades de saúde. Elas não são concorrentes ou antagônicas. E passamos, então, a tratar também a questão de Redução de Danos x Redução de Risco”, completou.
 
Nessa mesma linha, Silvia Cazenave, ex-superintendente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (entre 2014-2016), destacou os objetivos específicos da Anvisa quanto ao tabagismo, principalmente o de reduzir a exposição da população aos componentes tóxicos presentes na fumaça gerada pela queima do tabaco. “Enquanto (a Anvisa está) preocupada com a proteção à saúde, reduzir a exposição de um produto que é licito é uma medida que eu considero importante”, ressaltou
 
Também presente no evento, a Secretária Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CONICQ/INCA), Tânia Cavalcante comentou que, para termos uma política de redução de danos no tabagismo, precisamos discutir que medidas regulatórias se fazem necessárias para que as de Redução de Danos Individual não impactem negativamente as medidas coletivas. “Já tivemos grandes avanços em relação ao combate ao tabagismo. Não podemos correr o risco de um retrocesso”, destacou.
 
Aberto pela presidente da SBTox, Danielle Palma, o debate reuniu também um público qualificado, entre médicos, cientistas, psicólogos e demais profissionais da área de saúde pública e contou ainda com a palestra “O controle do tabagismo: presente e futuro”, sobre as tendências globais para o controle do tabagismo, com apresentação de Mônica Andreis, vice-diretora da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT);
 
Na finalização das exposições, antes da abertura para o debate com o público, o Dr. Marcus da Matta, consultor de políticas públicas em saúde ambiental, fez uma apresentação das novas tecnologias para redução de danos à saúde. Uma das tecnologias que Marcus destacou é a do tabaco aquecido, com as avaliações independentes relacionadas a não combustão do tabaco, resultando em níveis semelhantes de exposição à nicotina, com a redução da exposição aos compostos carcinogênicos da fumaça e alcatrão. “Estive no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Philip Morris International, na Suíça, e verifiquei as pesquisas e estudos realizados para o desenvolvimento de produtos de risco reduzido para substituição do cigarro convencional”, concluiu.
 
Esse encontro “Redução de Danos no Tabagismo” fez parte do Ciclo de Cursos e Palestras em Toxicologia, que tem o propósito de impulsionar a discussão e atualização sobre os conhecimentos relacionados à Toxicologia, em geral.
 
Sobre a Sociedade Brasileira de Toxicologia –  Fundada em agosto de 1972, a Sociedade Brasileira de Toxicologia (SBTox) foi instituída como uma sociedade científica com o intuito de congregar docentes, profissionais, empresas e organizações interessadas no desenvolvimento da Toxicologia no Brasil. A entidade dedica-se ao desenvolvimento contínuo de conhecimento técnico-científico para o aprimoramento e garantia da saúde humana, assim como para a segurança de todos os organismos vivos e da proteção do seu ambiente.
 
 

 

Fonte: SBTox

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