Todos os profissionais que estão na sala de parto devem ser treinados para reanimar o recém-nascidos e não apenas o neonatologista. Este foi o recado dado pela coordenadora do Programa de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e professora de neonatologia do curso da medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Maria Fernanda Branco de Almeida, que falou sobre o tema “Assistência em Sala de Parto: atualização das diretrizes”, durante o I Fórum de Neonatologia do CFM, realizado nesta sexta-feira (30), em Brasília.
O evento foi transmitido pelo canal do CFM no YouTube. Assista abaixo:
A professora Maria Fernanda explicou que a cada dez recém-nascidos brasileiros, dois não choram e não respiram, sendo que um deles vai precisar de ventilação com pressão positiva ao nascimento. Um a dois de cada cem nascidos vão requerer intubação traqueal, que é um ato médico, e de um a três em cada mil nascidos vão precisar de ventilação acompanhada de massagem cardíaca e/ou medicações. “Atualmente, morrem três mil bebês com asfixia perinatal ao ano. Eram sete mil nos anos 2000. A mortalidade diminuiu, mas ainda é alta. Precisamos reduzi-la”, afirmou.
Em sua apresentação, ela apresentou questões relacionadas à reanimação de bebês de 34 semanas ou mais e nos menores que 34 semanas de gestação, explicando as especificidades de cada caso. “São duas fisiopatologias diferentes, a depender do tempo de gestação”, explicou. Também ressaltou a necessidade de que os cuidados sejam prestados ao recém-nascido de forma rápida, nos primeiros minutos de vida do paciente. “Quanto mais rapidamente o bebê for reanimado e receber a ventilação necessária, maiores são as chances de sobrevida”, defendeu.
Para que haja esse atendimento rápido, ela defendeu que todos os que estejam na sala de parto façam o treinamento de reanimação neonatal, inclusive obstetras e enfermeiros. “É preciso treinar, treinar e treinar”, reforçou.
Ao final do Fórum, o coordenador da Câmara Técnica de Neonatologia, Eduardo Jorge da Fonsêca Lima, agradeceu a participação dos presentes e elogiou a qualidade dos debates. “Quando juntamos ciência e ética, temos um evento como este, que discutiu com seriedade os problemas da neonatologia e apontou caminhos”, elogiou.