Quatro crianças e adolescentes desaparecem por dia em Santa Catarina. Somente neste ano, mais de 200 menores de idade já foram dados como desaparecidos no estado. Cerca de 1.300 casos nos últimos 15 anos não tiveram solução. Diante deste cenário, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o International Centre for Missing & Exploited Children (ICMEC) promoveram o I Painel de Debates sobre Crianças Desaparecidas com interações entre a polícia do estado, familiares de desaparecidos, profissionais da saúde e da educação, além de alunos universitários. O evento ocorreu no auditório do Hospital universitário da Faculdade Federal de Santa Catarina (UFSC) no dia 25 de maio, data em que se celebra o Dia Internacional da Criança Desaparecida.
 
Na oportunidade, o CFM ainda lançou abaixo-assinado cobrando a efetivação do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. No documento, a autarquia cobra a adoção pelas autoridades medidas que fortalecerão as buscas. Uma delas se refere à notificação compulsória dos casos, obrigando que as informações sobre esse tipo de situação, registradas em boletins de ocorrência, sejam automaticamente repassadas pela autoridade policial ao Ministério da Justiça, sem a necessidade de pedidos ou procedimentos por parte dos familiares.
 
A petição capitaneada pelo CFM também cobra do Ministério da Justiça providências para que o site www.desaparecidos.gov.br também seja atualizado diariamente, bem como a criação de uma campanha permanente junto à população para orientá-la sobre as medidas de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes.(leia mais)
 
 
Engajamento – Durante a abertura, o secretário-geral do CFM e membro da Comissão de Ações Sociais, Henrique Batista e Silva, destacou o trabalho da Comissão de Ações Sociais da autarquia e ressaltou o papel social de cada um presente. “Entendemos que o médico é um agente político de transformação social. A Medicina trata do ser humano e da coletividade, por isso o CFM tem a disposição para enfrentar e trabalhar por esta temática, mas é um problema tão hercúleo que não dá para uma só instituição resolver. Precisamos mobilizar as pessoas e a sociedade para a realidade do desaparecimento”.
 
Entendendo o papel do médico, o presidente do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), Nelson Grisard, afirmou que o Conselho trabalhará para o maior engajamento da categoria. “Faremos uma recomendação pessoal sobre isso. Abordaremos o tema com cada médico que for ao CRM alertando para que, ao atender uma criança, fique atento a procedimentos que auxiliam na busca por crianças desaparecidas. É uma obrigação humanitária”.
 
Já a secretária de Ações Afirmativas e Diversidades da UFSC, Francis Tourinho, ressaltou a união para a questão dos desaparecimentos principalmente para a prevenção. “A UFSC como instituição diversa e plural tem que formar os profissionais para que tenham essa visão, muito mais que bons técnicos, eles devem ser pessoas preocupadas com a humanidade. Precisamos aprender a nos unir não só pela dor, mas também pela prevenção”, destacou.
 
De acordo com dados compilados pelo CFM, estima-se que, no mundo, o total de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes chega a 25 milhões. No Brasil há uma estimativa de que sumam 50 mil por ano. Em sua palestra, a Diretora de Políticas Públicas do ICMEC, Kátia Dantas, abordou alguns mitos do desaparecimento, como a tendência em achar que toda criança desaparecida é vítima de tráfico. “Existe a percepção de que a fuga é motivada apenas e necessariamente por casos de namoro, rebeldia ou vontade própria. A questão da fuga do lar está muito vinculada com conflitos intra-familiares, abusos, conflitos educacionais, altos índices de reincidência, pois se você não trata a causa a criança continua fugindo”, alertou.
 
 
Interações – A proposta da organização do evento era dar espaço para que cada participante pudesse interagir e apresentar soluções para o setor. Foram ouvidos os voluntários do Grupo de Apoio aos Familiares de Desaparecidos de Santa Catarina (Gafad) e da Rede Um Grito pela Vida, além de pais de desaparecidos e pessoas que se solidarizam e se preocupam com a causa. Para tanto, foram formados quatro grupos de participantes para que conversassem e juntos apresentassem ideias do acreditam que pode ser feito para mudar a realidade dos desaparecimentos nas diferentes áreas. As discussões e sugestões de cada grupo foram compartilhadas com os demais participantes.
 
Os integrantes do evento enfatizaram que é preciso tornar a causa mais humanitária, que ela é real e não escolhe classe, pois existe preconceito e é necessário trabalhar a desconstrução. Dentro desta questão, foi apontada a necessidade do trabalho em rede, pois, segundo eles, as informações necessariamente precisam ser plurais e integradas entre todos os setores envolvidos. Por este motivo, destacam a ideia de pensar juntos.
 
Também foi apresentado a sugestão de melhorar a capacitação dos profissionais da saúde para as questões sociais. Uma ideia exposta foi tratar a questão de forma educativa para as crianças nas escolas, e deste modo, as secretarias da educação precisam entrar na causa. Durante a apresentação das ideias uma reflexão que se ressaltou e foi lembrada várias vezes é a da necessidade de “trocar o eu pelo o nós”.
 
 
 
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