Arthur Danila, um dos dirigentes da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) Com exceção de alguns palestrantes, a maioria dos participantes do 3° Fórum de Integração do Médico Jovem era formada por profissionais com menos de 40. Entre esses, lideranças que participaram da organização do primeiro evento. Para Arthur Danila, um dos dirigentes da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR) em 2015, quando foram realizados fóruns regionais, os médicos jovens acumularam vitórias desde que foi reorganizada a Comissão Nacional de Integração do Médico Jovem do Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Nesse período, organizados na ANMR e com o apoio do CFM e de outros conselhos, conseguimos alterar o projeto de lei do Mais Médicos, incluímos as nossas preocupações nas pautas dos conselhos, tanto é assim que todas as chapas que agora concorrem nas eleições dos regionais mostram preocupação com esse segmento, e construímos uma identidade do que é ser médico jovem hoje”, afirmou Danila. Para ele, esse médico é dinâmico, comunica-se com o paciente usando a tecnologia, mas sem expô-lo e sem mercantilizar a medicina. “Usa de forma ética e consciente as redes sociais”, afirmou.

Para Danila, o 3° Fórum conta com a participação de muitos médicos que não estavam nos eventos anteriores “o que é ótimo”. São profissionais que podem antecipar para o sistema conselhal as angústias e os problemas enfrentados por quem está há pouco tempo no mercado de trabalho. O conselheiro do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) Carlos Tadeu de Oliveira Leonídio, também reconhece que os fóruns promovidos pelo CFM impulsionaram a organização dos médicos jovens nos estados, porém, é preciso avançar. “Muitos estados já têm conselheiros jovens, porém, essa deveria ser uma realidade de todos os conselhos”, defendeu.

Para a dirigente da Associação dos Médicos Residentes do Rio Grande do Sul (Amerers), Pauline Elias Josende, uma das preocupações deste jovem médico é com a sustentabilidade econômica. “Todos têm de aliar a residência médica com trabalhos em hospitais, dando plantões, ou em outros lugares”, informou. O médico também sofre com as cobranças e a pressão psicológica, “preocupado em atingir as grandes expectativas dos outros e de si próprio”.

Eventos como o Fórum servem para que o jovem médico perceba que não está sozinho e que é possível se organizar para tentar mudar a situação atual. Uma das expectativas de Pauline é que a Carta do Fórum, a ser aprovada ao final do evento, traga indicativos de que as escolas médicas incluam em seus currículos disciplinas como empreendedorismo, marketing e liderança. Este também é o posicionamento do presidente da ANMR, Juracy Barbosa. “O estudante passa os seis anos da graduação preocupado em acumular o maior número de conhecimento possível. Quando entra no mercado de trabalho, tem de lidar com as operadoras, o contador, administrar a carreira, planejar-se para o futuro. Mas aí não tem mais tempo para estudar disciplinas como finanças, marketing e planejamento estratégico. Temos, portanto, de incluir esses assuntos na graduação”, defendeu.

Barbosa defende que já foi feito o diagnóstico do que causa sofrimentos ao médico jovem, como burnout e a pressão psicológica e social. “Temos, agora, de apontar caminhos, buscar soluções”, argumenta. Para Carlos Tadeu de Oliveira Leonídio, da APMR, a Carta também deve incluir outras temáticas. “Tivemos aqui debates interessantes como a saúde global, o reflexo das imigrações na saúde da população e o recrudescimento de doenças infecciosas. Assuntos que devem contrar na Carta, assim como o adoecimento do médico. A sociedade está adoecendo e nós estamos adoecendo junto. Temos de cuidar da nossa saúde para cuidarmos da do próximo”, argumentou.

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