O ginecologista, obstetra e professor José Humberto Belmino analisou a fase atual de transição epidemiológica no paísAs percepções sobre o fim de vida e o impacto das tecnologias de comunicação na prática médica também foram temas abordados durante a I Conferência Nacional de Ética Médica (Conem), realizada no dia 15 de março pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), o ginecologista e obstetra José Humberto Belmino Chaves, abordou a terminalidade da vida como um desafio para o exercício da medicina, em especial no atendimento ao paciente idoso.

De acordo com ele, o Brasil passa por uma fase de transição epidemiológica. Os dados apresentados sublinham a tendência de envelhecimento da população e o aumento das demandas por serviços de saúde para tratar doenças características dos mais idosos, como transtornos cardiovasculares, neoplasias, diabetes mellitus e problemas respiratórios crônicos.

“O Estado deve estar preparado para prover políticas públicas que assegurem uma atenção integral”, disse. A palestra do professor abordou ainda diversos aspectos que dialogam com a temática do envelhecimento. Ele também tratou sobre a relação entre a medicina e a morte e conceitos como distanásia, ortotanásia, cuidados paliativos, ordem de não reanimar e diretivas antecipadas da vontade ou testamento vital, dentre outros temas.
 
Tecnologia – Outro destaque na programação do I Conem, foram as participações dos médicos Fernando Todt Carbonieri e José Eduardo de Siqueira, que falaram sobre novas tecnologias. Ambos analisaram o impacto da inserção das ferramentas técnico-científicas na prática médica ao longo das gerações.

Carbonieri, que é pesquisador sobre a relação médico-paciente, ressaltou que, hoje, a presença da tecnologia é uma realidade. Ele apresentou dados de trabalho conduzido por ele pelo qual 38,3% dos médicos relataram disponibilizar o whatsapp para contato com os pacientes e 58% informaram usar esse aplicativo para sanar dúvidas com colegas.
 
Os dados mostram, ainda, que 37% dos médicos declaram que o tempo de consulta aumenta em até 25% quando o paciente já chega com informações prévias sobre sintomas ou doenças. Na sua avaliação, esse cenário exige a criação de um “melhor ambiente para que as diferentes gerações não sejam simplesmente atropeladas pela inovação”.O professor José Eduardo Siqueira destacou que o avanço da ciência não suprimirá a importância do médico

Por sua vez, o professor José Eduardo de Siqueira, que é cardiologista e leciona na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), reforçou que o avanço da ciência não suprimirá a figura do médico. Para ele, as pessoas devem ser educadas a buscar fontes confiáveis de pesquisa na internet, como os sites das sociedades de especialidade.

O professor da PUC-PR ressaltou também que os médicos devem aprimorar a forma de comunicação com seus pacientes, considerando valores e contextos psicossociais, o poder decisório e a responsabilidade. “A inteligência intrapessoal (aprender a ser) precisa ser desenvolvida para atender o outro (inteligência interpessoal), aprender a viver junto”, ressaltou.

 

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