O levantamento foi apresentado nesta terça-feira, no CRM-ES

O Espírito Santo perdeu 322 leitos de internação pelo SUS nos últimos oito anos e o investimento na Saúde pública capixaba tem se mantido estável, representando apenas R$ 1,33 por dia por habitante – três vezes menos do que a média nacional. Esse quadro é, particularmente, preocupante porque a população capixaba, quase no mesmo período, cresceu 14,3%.  

Os dados foram apresentados nesta terça-feira (3 de julho) pelo presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, acompanhado do conselheiro federal representante do Espírito Santo, Celso Murad, e do presidente do Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), Carlos Magno Pretti Dalapicola.

Por meio de um minucioso levantamento feito pelo CFM a respeito de financiamento para a saúde, entre outros dados obtidos nas páginas oficiais dos governos federal e estadual, foi constatado que dos 78 municípios capixabas – além da perda de 322 leitos do SUS, entre 2010 e 2018 –, apenas 66% contam com leitos de internação hospitalar pelo SUS.

“A situação da saúde é inadequada no Espírito Santo e no restante do Brasil. Faltam financiamento, infraestrutura e uma gestão eficiente. O caos permanece e se materializa, sobretudo, na demora pelo atendimento, que pode levar até mais de um ano para resolver o problema de um paciente”, disse o presidente do CFM, Carlos Vital.
Já para o presidente do CRM-ES, Carlos Magno Pretti Dalapicola, o governo estadual precisa direcionar melhor os seus gastos. “O problema é a falta de investimento e a má gestão. A saúde pública no Estado é deficiente. Há necessidade de um investimento maior do governo federal.”

O representante capixaba no Conselheiro Federal, Celso Murad, acredita que falta uma política que estimule o médico a ocupar postos no interior do Estado. “Um dos principais problemas é a ausência de estímulos para que os médicos e outros profissionais se instalem nos municípios mais distantes e/ou menores. Por isso defendemos a criação de uma Carreira de Estado para os médicos. Por outro lado, em Vitória, onde há 12 médicos por mil habitantes, vemos vários problemas no atendimento, o que mostra que além de profissionais é preciso que se assegure uma boa infraestrutura e gestão para que a saúde pública atinja seus objetivos.”

Investimento – No que diz respeito aos leitos públicos de UTI, no mesmo período, houve um aumento de 216 leitos, totalizando 478 leitos de UTI nos hospitais do Espírito Santo. No entanto, somente 12 municípios do Estado (15%) oferecem leitos de terapia intensiva na rede pública.

Sobre as despesas na área da saúde, nos últimos cinco anos a média do Governo do Estado foi de R$ 2,6 bilhões por exercício, com cerca de 60% dos valores anuais voltados para a assistência hospitalar e ambulatorial. O Espírito Santo gastou uma média de R$ 1,33 por dia com a saúde por habitante (no Brasil, este valor chegou a R$ 3,89), totalizando R$ 479,82 ao ano per capita (somatória dos investimentos dos governos estadual e federal), contra R$ 1.419,84 per capita em todo o País. Esse montante corresponde a 22% do que os beneficiados de planos de saúde gastam por ano com a assistência complementar.

 

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