A crise humanitária vivida pela Venezuela e pelos médicos e pacientes do país foram o tema da palestra do presidente da Federação Médica Venezuelana, Douglas León Natera, durante a Assembleia Geral Ordinária da Confederação Médica Latino-Ibero-Americana e do Caribe (Confemel), realizada em Brasília. “Estamos vivendo uma situação muito complexa, difícil de entender. Exercer a medicina no meu país está perigoso”, lamentou Natera. Em 18 anos, desde a ascensão de Hugo Chaves ao poder, só foram construídos três hospitais. Há um déficit de 47 mil leitos, falta de insumos e de medicamentos básicos, como ansiolíticos e antibióticos.

O governo também incentivou a abertura indiscriminada de faculdades de medicina e o número de médicos saltou de 73 mil em 1998 para 130 mil em 2016. Assim como no Brasil, os cubanos foram contratados para trabalhar no programa Bairro Adentro. Foram construídos postos de saúde nos bairros, mas devido à crise financeira esses lugares foram abandonados e muitos hoje são ocupados por moradores de rua.

Filas de espera – Nos últimos anos, 2 milhões venezuelanos emigraram, dos quais 16 mil eram médicos. “Infelizmente, os baixos salários, a insegurança e a situação política estão provocando uma fuga de cérebros no nosso país”, lamentou Natera. A situação política e econômica tem provocado uma crise na saúde sem precedentes: existem hoje 400 mil venezuelanos esperando uma cirurgia, sendo que em um único hospital pediátrico a fila é de 5 mil crianças.

Levantamento feito pela Federação Médica Venezuelana constatou que pacientes estão sem alimentação, doentes crônicos não encontram medicamentos e recém-nascidos não têm recebido suplementação alimentar. “Em um único hospital morreram nos últimos quatro meses 183 crianças”, denunciou Natera. Ele mostrou fotos de prateleiras de remédios vazias, recém-nascidos em caixas de papelão e de pacientes nas ruas denunciando a falta de medicamentos.  O desabastecimento alcança até as fraldas descartáveis. “Somos o único país do mundo onde para se comprar um pacote de fraldas é preciso mostrar a certidão de nascimento”, ironizou.

“Tínhamos um sistema de saúde exemplar e hoje está um caos. A malária estava erradicada no país desde a década de 1960, neste ano teremos 220 mil casos”, denunciou. O poder de compra do venezuelano e as condições de vida caíram drasticamente: de 1953 a 1998, o consumo médio de carne era de 19 quilos por pessoa/ano e o leite era de 80 litros pessoa/ano. Em 2012, o consumo dessas duas fontes de proteína estava em 14 quilos e 31 litros, respectivamente. Em 2010, um milhão de bolivarianos dava para comprar uma mansão, hoje não paga o seguro de um carro.

Ao final da palestra, Natera agradeceu a oportunidade de denunciar a situação do país e afirmou que os médicos venezuelanos continuarão lutando pela volta da normalidade na Venezuela.

Veja, aqui, a apresentação de Douglas Natera.

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