Cerca de 200 professores, alunos e médicos acompanharam nesta quinta-feira (30) o primeiro dia do X Fórum Nacional de Ensino Médico, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em Fortaleza (CE). Na abertura, o presidente do CFM, Carlos Vital, chamou a atenção para a importância do encontro que ocorre quando o Brasil exige a rediscussão do aparelho formador no ensino médico.

“No Brasil, existem 336 escolas médicas distribuídas em 223 municípios que, juntas, já oferecem 34.465 vagas. Desse total de cursos, 119 são gratuitos, mantidos pelo setor público, e 217 cobram mensalidades de seus alunos. Do total de unidades em funcionamento, 161 foram autorizadas nos últimos 10 anos”, destacou Vital, que, em seguida, apontou as dificuldades geradas pelo aumento exponencial de cursos de medicina no País.

Cuidado – Segundo ele, esse crescimento não veio acompanhado do cuidado para que as novas escolas contem com o mínimo necessário para cumprir seu papel. “Em boa parte delas, faltam hospitais de ensino ou campos de estágio; as instalações são ruins; e o corpo docente não possui a qualificação e o preparo exigidos”, afirmou. O conselheiro Lúcio Flávio Gonzaga Motta, corregedor-adjunto e coordenador da Câmara Técnica de Ensino Médico do CFM, concorda com esse diagnóstico.

“Precisamos aperfeiçoar o processo de formação dos futuros médicos para assegurar a qualidade na assistência para a população e o ético exercício da profissão”, destacou, ao lembrar que no X Fórum os debates serão focados em dois temas: a importância do internato na fase da graduação e qualificação dos preceptores. “O internato é a fase em que o futuro médico toma contato direto com os pacientes, seja em hospitais ou em ambulatórios. Trata-se de um debate importante, pois os cenários de prática se tornaram insuficientes diante do número crescente de faculdades de medicina”, argumentou.

Formação – Ainda no primeiro dia, o professor Ruy Guilherme Silveira de Souza, da Universidade Federal de Roraima (Unir), fez conferência sobre o tema “Formação Médica, Internato e Responsabilidade Social”. Em sua apresentação, destacou a importância de atuar para que o estudante de medicina já comece, desde a graduação, a desenvolver de forma harmônica suas competências, habilidades e atitudes.

Na sequência, foram realizados painéis temáticos, que prepararam o terreno para a realização de trabalho em grupo. Dentre os temas, “Utilização dos cenários de prática do internato na rede pública de saúde pelas universidades”, apresentado pelo professor Jorge Carvalho, do Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Bahia; “Processos avaliativos do internato nos diferentes cenários de prática”, sob a responsabilidade da professora de clínica médica Iolanda de Fátima Lopes Calvo Tibério, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; e “Qualificação da preceptoria no internato”, a cargo da coordenadora do curso de graduação em medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas, Joana Froes Bragança Bastos.

Regiões – O Presidente do Conselho Regional de Medicina do Ceará (Cremec), Helvécio Neves Feitosa, parabenizou a iniciativa do CFM ao promover o X Fórum, em Fortaleza. Na sua opinião, essa foi uma oportunidade de ampliar o escopo da discussão sobre o ensino médico para outras regiões, deslocando-a do eixo Rio de Janeiro – São Paulo – Brasília para outros estados. “O CRM apoiou esse projeto por acreditar no papel-chave das entidades médicas nesse debate”, disse.

Ainda participaram da solenidade de abertura, Lincoln Lopes Ferreira, presidente Associação Médica Brasileira (AMB); Nildo Alves Batista, presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM); José Roberto de Souza Baratella, presidente da Federação Brasileira das Academias de Medicina (FBAM); Mayra Isabel Correia Pinheiro, secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde; e Valéria Góes Ferreira Pinheiro, diretora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará.

As atividades do X Fórum prosseguem nesta sexta-feira (31) com discussões sobre a influência das novas tecnologias no ensino médico. Pela manhã, ocorrerá a conferência “Saúde Digital e o Internato”, a ser proferida pelo coordenador do núcleo de Tecnologias e Educação à Distância em Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, Luiz Roberto de Oliveira. Depois da conferência, os coordenadores dos grupos de trabalho vão apresentar as propostas debatidas e aprovadas no dia anterior.

 

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