Os conselheiros Henrique Batista e Fernando PedrosaCom a intenção de colocar em debate o problema do desaparecimento de menores no país e promover a divulgação de medidas de prevenção para médicos e a população em geral, o Conselho Federal de Medicina (CFM), com apoio do Conselho Regional de Medicina do Estado de Alagoas (Cremal), promoveu o V Seminário Sobre Crianças Desaparecidas, no dia 13 de novembro, em Maceió (AL).

Com ampla discussão, os representantes dos médicos, assistentes sociais, enfermeiros, Ministério Público, ONG Mães da Sé, Pastoral da Criança e de universidades do estado puderam se debruçar sobre um drama que se multiplica no Brasil: os casos de crianças e adolescentes desaparecidos e a falta de políticas públicas no setor.

Durante a abertura do encontro, o secretário-geral do CFM, Henrique Batista e Silva, explicou que desde 2012, o Conselho Federal se dedica, através da Comissão de Ações Sociais, à temática do desaparecimento. Dentre as ações, ele chamou atenção para a Recomendação CFM nº 4/2014 que alerta os profissionais sobre procedimentos que auxiliam na busca. “Na consulta o médico pode observar como o menor se comporta com o acompanhante, se tem marcas ou empatia, por exemplo”, ressaltou.

Com amplo debate, seminário debate políticas públicas sobre crianças desaparecidas Entendendo o papel do médico, o presidente do Cremal, Fernando Pedrosa, explicou a importância de se discutir o tema através dos eventos propostos pelo CFM ao redor do país. “Este é um tema instigante ao qual devemos nos dedicar para proteger nossos pacientes. É um problema social gravíssimo, do qual só tivemos conhecimento por meio desse debate proposto pelo CFM. O médico, principalmente o pediatra, pode ajudar a identificar situações”.

Realidade regional – Nem a delegacia civil, nem o Ministério Público ainda conseguiram dimensionar o número de desaparecidos em Alagoas. “Implementamos neste ano o programa de localização e pretendemos criar um sistema de buscas integrado nacionalmente e desenvolver ações conjuntas e de apoio mútuo às atividades de sistematização de procedimentos, comunicações e registros de notícias de pessoas desaparecidas ou vítimas de tráfico humano, com cruzamento de dados”, apontou a assessora do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos do Estado de Alagoas (Plid-AL), Amanda Castro.

De acordo com dados compilados pelo CFM, estima-se que, no mundo, o total de casos de desaparecimento de crianças e adolescentes chega a 25 milhões. “O número de crianças desaparecidas é muito maior do que as pessoas imaginam. No Brasil há uma estimativa de que sumam 50 mil por ano, mas o governo sequer tem esse dado preciso”, ressaltou o integrante da Comissão de Ações Sociais do CFM, Ricardo Paiva, que concluiu “é uma pauta que exige esperança, fora isso é ficar na omissão”.

Representando os familiares de desaparecidos, a presidente da Associação Mães da Sé, Ivanise Esperidião Santos, ressaltou sua luta e dor: “desde 2011, as Mães da Sé e o CFM trabalham em parceria na prevenção. Mas, a minha luta começou em 1995, quando a minha filha de 13 anos desapareceu. E, nessa busca, o que eu ouvi durante muito tempo é de que este assunto não faz parte da pauta do dia. Eu resolvi transformar a minha dor em uma luta porque para o poder público nossos filhos são uma estatística e, até hoje, mais de 10 mil mães já passaram pela associação Mães da Sé”.

 

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