É realizado, nesta sexta-feira (12) em Brasília (DF), o IV Fórum de Clínica Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM) – que tem como tema A formação em três anos. “Hoje temos a oportunidade de debater os impactos social e financeiro decorrentes da mudança do tempo de residência para esta especialidade, que passará a ser de três anos, a partir de 2020, com repercussão tanto no setor público quanto no privado”, afirmou o presidente do CFM, Carlos Vital – na mesa de abertura do evento.

Com a presença de palestrantes internacionais, do governo, de operadoras de saúde e especialistas médicos, o fórum traz mesas de debates sobre gestão em saúde, formação do médico especialista em medicina interna e os estudos financeiros sobre o custo dessa formação. Diretor da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, o professor Luis Campos debateu a relação entre determinantes de saúde, evolução demográfica, doenças crônicas e gastos em saúde. “Tradicionalmente, a medicina interna se envolve pouco com prevenção e temos o dever ético de promover saúde. Portugal é o país da Europa que mais investe em sistema ambulatorial e nós fomos a primeira sociedade em Portugal a se envolver em questões ambientais, pois elas impactam diretamente na saúde da população”, afirmou Campos.

Gestão – Representando a Unimed Brasil, Ary Célio de Oliveira pontuou que há no Brasil uma deficiência de investimento em saúde. “No país, temos um sistema altamente fragmentado que consome recursos e traz poucos resultados do ponto de vista de desfechos. O sistema Unimed é uma cooperativa de médicos presente em 84% do território brasileiro e, também na saúde suplementar, precisamos repensar o modelo de atenção – resgatando a ecologia no sistema”.

Para Luiz Claudio Marrochi, gestor da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, “o clínico é o gestor da alta complexa e qualificada, sendo que o plano terapêutico singular adequado deve ser intensamente trabalhado com os residentes. O internista tem a capacidade de gerir melhor a atenção como um todo”. Segundo ele, “quase 90% dos indivíduos hospitalizados [na Santa Casa] tiveram desospitalização simples”.

O comanejo clínico-cirúrgico foi tema de palestra do médico Rafael Ribeiro – gestor do Hospital Nossa Senhora da Conceição de Porto Alegre (RS). Apresentando dados sobre médias de permanência em serviços como urologia, cirurgia vascular – destacou que “o comanejo tem potencial para melhorar o desfecho de pacientes graves e internados em alas cirúrgicas. As taxas de resolução de problemas complexos nessas alas podem, inclusive, ser aumentadas a partir da inclusão na equipe de médico internista com formação sólida e consistente, e não apenas como consultor”.

Rodolfo de Albuquerque, representante do grupo NotreDame Intermédica, avaliou que “é preciso ter médicos capacitados em gerir as situações e o médico ainda é formado para tomar decisões individualmente, até mesmo porque ele é o responsável e assim o será visto judicialmente. Mas, é preciso ensinar a importância e os benefícios do trabalho em equipe, compartilhando inclusive responsabilidades”, pontuando que empatia e bom relacionamento são pontos fundamentais para uma boa formação.

Estado – Representando o Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (CONASS), Vanessa Campos afirmou haver 474 programas de residência em Clínica Médica – com 6.767 vagas autorizadas – sendo 3.350 de R1, 3.352 de R2 e 85 de R3, conforme nova carga horária. Abordando a extensão da residência para três anos, destacou a necessidade de haver cenários de prática.

Paula Gaiolla, membro da Câmara Técnica de Clínica Médica do CFM,  destacou que “a proposta é formar o médico especialista a partir da matriz de competências com ensino escalonado pautado no saber, fazer e ensinar. Os três anos são necessários para formar profissionais altamente qualificados, como o sistema demanda”.

Secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES) do Ministério da Saúde, Mayra Isabel Pinheiro afirmou que, em breve, a carreira federal para médicos estruturada em parceria com as entidades médicas será uma realidade. Sobre os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS), a secretária destacou que, “na porta de entrada do SUS, nas conhecidas UPAs, deveríamos ter médicos com formação em Clínica Médica ou Saúde da Família e esse é o nosso compromisso, que será concretizado na carreira de Estado”. Exemplificando desafios enfrentados pelo sistema de saúde, Mayra Pinheiro pontuou que, “no Brasil, temos ainda um setor que demanda 2% do orçamento da saúde: a judicialização, e – enquanto clínicos – temos também que pensar sobre a nossa responsabilidade na expectativa gerada em pacientes sobre demandas que o SUS não tem como pagar”.

Presidente do CFM, Carlos Vital pontuou que a SGTES, na gestão de Mayra Pinheiro, tem desenvolvido parcerias importantes para a medicina brasileira.

A mesa-redonda foi coordenada pela coordenadora adjunta da Câmara Técnica de Clínica Médica do CFM, Maria do Patrocínio. “A qualidade desta mesa veio ao encontro dos nossos anseios, enquanto clínicos”, afirmou. A Clínica Médica é a especialidade que reúne o maior número de profissionais: são mais de 42 mil médicos, sendo 48% de homens e 52% de mulheres. Desse total, 65% têm no máximo 44 anos.

O IV Fórum de Clínica Médica do Conselho Federal de Medicina está sendo transmitido ao vivo pelo canal da autarquia no YouTube e pode ser acessado no link a seguir: http://twixar.me/TTG1 .

Confira fotos do evento aqui.

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