Dando continuidade às comemorações do dia do médico (18 de outubro), o Conselho Pleno do Conselho Federal de Medicina (CFM) escolheu, neste ano, cinco médicos brasileiros que contribuíram para o engrandecimento da medicina nacional e internacionalmente, relacionando-a às áreas de responsabilidade social, saúde pública, literatura e arte, humanidades e ensino médico.

Os escolhidos foram os médicos Eurípides Ferreira, Aníbal Gil Lopes, Rodrigo d’Eça Neves, Ana Lúcia Escobar e Malaquias Batista Filho. Eles serão homenageados pelo Pleno do Conselho Federal de Medicinano dia 11 de dezembro, às 18h, na sede do CFM, em Brasília (DF).

“No sentido de zelar pelo prestígio e bom conceito da profissão, o Conselho Federal de Medicina (CFM) instituiu, em 2011, a concessão de comendas para médicos e instituições que tenham se destacado, ao longo da vida, na contribuição para o bom nome da medicina, honrando e dignificando a profissão”, destaca Henrique Batista e Silva, secretário-geral do CFM e coordenador da Comissão das Comendas 2018.

Cada comenda tem um patrono que, de acordo com o Pleno do CFM, honrou e dignificou a medicina em suas respectivas áreas com ética e profissionalismo. Zilda Arns representa medicina e responsabilidade social; Sérgio Arouca, medicina e saúde pública; Moacyr Scliar, medicina, literatura e arte; Mario Rigatto, medicina e humanidades; e Fernando Figueira, finalmente, medicina e ensino médico.

A seguir, conheça os homenageados e a biografia dos patronos:

Eurípedes Ferreira

O médico Eurípedes Ferreira (acima) será um dos homenageados. Ele recebe, em Brasília, no dia 11 de dezembro, a Comenda Fernando Figueira de Medicina e Ensino Médico.

Conheça o patrono Fernando Figueira:

Diplomado em 1940 pela Faculdade de Medicina do Recife, o professor Fernando Figueira iniciou sua vida profissional como clínico geral em Quebrangulo, interior de Alagoas. Em 1948, foi médico do Hospital das Clínicas e assistente da cadeira de Clínica Pediátrica na Universidade de São Paulo (USP). Após nove anos, voltou ao Recife obtendo com distinção a livre-docência.

Nos anos seguintes, adquiriu experiência profissional como professor visitante nos Estados Unidos, México e Paris. Por meio de concurso, assumiu a cátedra da disciplina de Pediatria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1960 e, em seguida, o cargo de professor titular da Faculdade de Ciências Médicas. Na área científica, o professor Fernando Figueira publicou seis livros e mais de cem trabalhos, e foi secretário de saúde no governo de Eraldo Gueiros.

Falecido no dia 1º de abril de 2003, aos 84 anos, Fernando Figueira deixou como herança o Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), que posteriormente passou a se chamar Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira, um legado da medicina brasileira.

Além de fundar o Imip, o professor também criou instituições como a Fundação de Saúde Amaury de Medeiros (Fusam), o Laboratório Central de Pernambuco (Lacen), o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), o Centro de Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas (Ceon), a Academia Pernambucana de Medicina, o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope), entre outros.

Ao longo de sua trajetória, foi cidadão honorário de Alagoas e da Paraíba e Comendador da Ordem de Malta, sendo o terceiro brasileiro a receber tal Comenda. O Governo do Estado de São Paulo também o homenageou ao inaugurar o primeiro centro de incentivo ao aleitamento materno – Centro Fernando Figueira – no Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo. (Fonte: Imip)

Anibal Gil Lopes

O médico Anibal Gil Lopes (acima) será um dos homenageados. Ele recebe, em Brasília, no dia 11 de dezembro, a Comenda Mário Rigatto Medicina e Humanidades.

Conheça o patrono Mario Rigatto:

Médico da Santa Casa de Porto Alegre, onde atuou na Enfermaria 29 desde sua formatura, em 1954, seguiu, em 1957, para estágio de três anos nos Estados Unidos, realizado nas universidades de Cornell e de Columbia, onde produziu trabalhos de pesquisa que mereceram publicação nos melhores periódicos daquele país.

Em 1966, foi recebido na Universidade de Londres como professor visitante e pesquisador, realizando conferências e pesquisas também nas universidades de Oxford, Cambridge, Edimburgo, Estocolmo e Gotemburgo. Em 1969, tornou-se pesquisador-conferencista do então Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq).

Suas linhas de pesquisa abrangeram circulação pulmonar, doença pulmonar obstrutiva crônica, tabagismo, fisiopatologia do exercício físico, equilíbrio ácido-básico e envelhecimento. Fez contribuições relevantes sobre a medida do tempo de recirculação pulmonar em repouso e do aperfeiçoamento da medida do débito cardíaco por técnica respiratória incruenta, estudos sobre cor pulmonale crônico e fisiopatologia pulmonar.

Publicou a obra Fisiopatologia da circulação pulmonar em 1973 e centenas de artigos, resumos, teses feitas ou orientadas, livros, capítulos e ensaios no Brasil e no exterior, chegando a mais de duas mil comunicações de cunho científico ou médico-social. Rigatto foi um dos introdutores da Residência Médica no sul do Brasil, em 1960, e membro da Academia Nacional de Medicina, tomando posse em 20 de agosto de 1991 na cadeira nº 15, cujo patrono é Clemente Ferreira.

 

Ana Lúcia Escobar

A médica Ana Lúcia Escobar (acima) será uma das homenageadas. Ela recebe, em Brasília, no dia 11 de dezembro, a Comenda Sérgio Arouca Medicina e Saúde Pública.

Conheça o patrono Sérgio Arouca:

Graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) em 1966, foi consultor da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e atuou em países como México, Colômbia, Honduras, Costa Rica, Peru e Cuba. Professor da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), foi convidado para trabalhar com o governo sandinista da Nicarágua. Nesse período teve início sua ligação com o sistema de saúde cubano, que assessorou tanto na formação de recursos humanos quanto no desenvolvimento de programas assistenciais.

Voltou ao Brasil, em 1982, como chefe do Departamento de Planejamento da Ensp, sendo nomeado presidente da Fiocruz em 1985. Durante sua gestão (até 1988), a instituição recuperou o prestígio no campo da pesquisa científica e do desenvolvimento tecnológico, com destaque para a formulação e discussão da política de saúde.

Colocou em pauta temas considerados novos no fim do século XX, como biossegurança, violência como epidemia mundial e gestão da saúde pública. Por toda sua produção científica e liderança na construção do Sistema Único de Saúde, Arouca tornou-se referência mundial.

Rodrigo d'Eça Neves

O médico Rodrigo d’Eça Neves será um dos homenageados. Ele recebe, em Brasília, no dia 11 de dezembro, a Comenda Moacyr Scliar Medicina, Literatura e Arte.

Conheça o patrono Moacyr Scliar:

Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista e iniciou os trabalhos nessa área em 1969. Tornou-se doutor em ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública e foi professor da disciplina de Medicina e Comunidade no curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

Scliar publicou mais de setenta livros com crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infantojuvenil. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público amplo de leitores e, em 2003, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Recebeu prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o da Associação Paulista de Críticos de Arte (1989) e o da Casa de las Américas (1989).

Suas obras, traduzidas para doze idiomas, frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil e temas como socialismo, medicina e a vida da classe média. Entre os textos mais importantes estão seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim – este último incluído na lista dos cem melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

Malaquias Batista Filho

O médico Malaquias Batista Filho (acima) será um dos homenageados. Ele recebe, em Brasília, no dia 11 de dezembro, a Comenda Zilda Arns Neumann Medicina e Responsabilidade Social.

Conheça a patrona Zilda Arns Neumann:

Formada em medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especializou-se em educação em saúde materno-infantil e em saúde pública para graduados em medicina, ambas pela Universidade de São Paulo, em administração de programas de saúde materno-infantil (Opas/OMS), pediatria social (Colômbia), pediatria (Sociedade Brasileira de Pediatria) e educação física (UFPR).

Em 1983, a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Zilda Arns fundou a Pastoral da Criança com o membro do conselho diretor da Pastoral da Criança Internacional, dom Geraldo Majella Agnelo. Em 25 anos, a pastoral acompanhou 1.816.261 crianças menores de seis anos e 1.407.743 famílias pobres em 4.060 municípios brasileiros. Nesse período, mais de 261.962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania.

A médica missionária, que também fundou e coordenou a Pastoral da Pessoa Idosa, recebeu dezenas de premiações nacionais e internacionais e foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2006. Zilda Arns faleceu em 2010, durante um terremoto, quando estava em missão humanitária em Porto Príncipe (Haiti).

 

 

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