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O Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou na quinta-feira (30) mais um evento online relacionado à Covid-19, com o tema “Assistência digna aos idosos em tempo de pandemia”. O webinar, transmitido pelo canal oficial da autarquia no YouTube, contou com a participação de duas autoridades no assunto: Elisa Franco, professora de Geriatria e Cuidados Paliativos do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás; e Inês Tavares Vale e Melo, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará e professora do Curso de Cuidados Paliativos da Universidade de Fortaleza.

 

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O encontro foi mediado pela conselheira federal pelo estado de Pernambuco, vice-corregedora e coordenadora da Câmara Técnica de Geriatria do CFM, Helena Leão. Segundo ela, o evento tem um apelo interessante pelo momento em que vivemos. “Embora dignidade, idade e assistência devam estar sempre presentes, o clamor da sociedade trouxe grande mudança com relação aos idosos, com a chegada de uma doença nova, viral, infectocontagiosa, em um grau que ninguém jamais imaginou. É um dos maiores desafios da humanidade. Cada idoso faz parte da história de seu país e tem sua importância pelos conhecimentos e experiências transmitidos. Seja na assistência domiciliar, hospitalar ou em instituições de longa permanência, o idoso está em foco nesta pandemia”, afirmou Helena.

A professora da UFG e membro da Câmara Técnica de Geriatria, Elisa Franco, começou sua apresentação com uma citação da publicação da revista científica The Lancet: “Controlar um surto tem tudo a ver com a redução de baixas como mortes, perdas econômicas, desemprego, solidão e até a perda da dignidade humana no final da vida”. Ela destacou a grande sobrecarga no sistema de saúde brasileiro indicada pelos números de internações de pacientes com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e mostrou também dados de óbitos, sendo 71% deles com mais de 60 anos e 60% do total com pelo menos uma comorbidade ou fator de risco.

Vulnerabilidade – Elisa ressaltou a importância de se conhecer os idosos brasileiros. De acordo com ela, cerca de um quarto é dependente de cuidadores para atividades básicas diárias, o que dificulta o isolamento social e muito mais o isolamento vertical. Além disso, 66% deles residem com alguém que não é seu cônjuge. A palestrante apresentou vários dados e lembrou que a população idosa é mais vulnerável não só à covid-19, mas a qualquer quadro agudo, inclusive outras infecções.

“A população idosa é vulnerável, mas é heterogênea. Tem que se ter o cuidado de não usar a idade cronológica para a tomada de decisão, porque a população acima de 60 anos engloba várias faixas etárias e diferentes condições de saúde e estado funcional. Então é preciso avaliar cuidadosamente cada quadro e utilizar as escalas de fragilidade”, disse Elisa Franco, que realçou também a relevância da preocupação com o pós-pandemia nos indivíduos mais fragilizados e finalizou a exposição com as dez recomendações para o cuidado com o idoso elaboradas pela Sociedade Brasileira de Geriatria.

Cuidados Paliativos – Maíra Dantas, conselheira federal pelo estado da Bahia e coordenadora da Câmara Técnica de Cuidados Paliativos, também foi moderadora da atividade e apresentou a segunda palestrante. “Embora todos nós médicos tenhamos a obrigação de saber sobre cuidados paliativos, há especialistas que se dedicam mais a essa matéria. Na Câmara Técnica do CFM, estes especialistas procuram compilar as evidências e a melhor forma de fazer o paliativismo no Brasil. E por isso trouxemos uma dessas pessoas, Inês Melo, para compartilhar um pouco do seu conhecimento”.

Anestesiologista especialista em clínica de dor e em cuidados paliativos, Inês iniciou sua participação com as principais definições de “Cuidados Paliativos”. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes (adultos e crianças) e de seus familiares, que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida. Além disso, previne e alivia o sofrimento através da identificação precoce, avaliação correta e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psíquicos, sócio familiares e espirituais.webinar covid idosos

“Esse cuidado jamais poderá ser exercido por um único médico. É preciso ter uma equipe multiprofissional, e cada profissional com sua competência dá o seu melhor para oferecer o que chamamos de cuidado total. É importante esclarecer que a pandemia não alterou os critérios para a indicação de cuidados paliativos, são os mesmos de antes”, declarou. Ela discorreu ainda sobre a tomada de decisão com pacientes hospitalizados com Covid-19, os objetivos dos cuidados paliativos frente ao coronavírus, as recomendações indicadas e as fundamentações para essa tomada de decisão, citando princípios do Código de Ética Médica.

“O sofrimento é inadmissível e só acontece quando ninguém cuida. É importante evitar a associação das práticas de cuidados paliativos à omissão ou exclusão de cuidados. É preciso um controle impecável de todos os sintomas em todas as esferas. É imperativo que os cuidados paliativos façam parte do tratamento dos pacientes acometidos com essa infecção e eles devem ser precoces. Precisamos utilizar protocolos bem embasados e material de qualidade para a consulta, oferecendo a melhor assistência possível ao paciente neste cenário complexo em que vivemos”, enfatizou.

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