Entidades médicas da Espanha, Portugal, Brasil, América Latina e Caribe deverão incentivar uma medicina de qualidade, uma adequada atenção aos cidadãos e defender a profissão médica. É o que preconiza a II Declaração de Toledo, aprovada ao final do XI Encontro do Fórum Ibero-Americano de Entidades Médicas (Fiem), realizado de 9 a 12 de maio na cidade espanhola. “As discussões foram extremamente ricas. Destaco o debate sobre o justo acesso a medicamentos, principalmente para os países da América Latina, sendo este um caminho para que alcancemos um sistema de saúde universal”, destacou o conselheiro federal Jeancarlo Cavalcante, integrante da comitiva do Conselho Federal de Medicina (CFM) que acompanhou o XI Fiem.

Durante os três dias, foram realizados debates sobre os sistemas sanitários nos países participantes do Fórum, a política de medicamentos, a violência de gênero, a formação médica continuada, a humanização da medicina e o uso das redes sociais e da inteligência artificial nos cuidados em saúde. No debate sobre o acesso da população aos medicamentos, foi destacado que 15% da população mundial consome 90% da produção da indústria farmacêutica e “que uma grande parte da população, portanto, não dispõe de um acesso equitativo aos medicamentos”, como destaca a Declaração de Toledo. A carta defende que o acesso a uma terapia inovadora e efetivamente superior à anterior deveria “ser incorporada a preços justos sempre que não se comprometam outras necessidades da sociedade”.

A Carta de Toledo afirma que a prática médica, deslumbrada pela tecnologia, está ameaçada pela relativização dos seus valores tradicionais (compaixão, ajuda, respeito pela vida humana e pela dignidade das pessoas). O texto enfatiza que não há dicotomia entre a Medicina Baseada em Evidências e àquela centrada no indivíduo, já que elas sempre foram complementares. Por fim, os signatários do documento manifestam o compromisso com a vertente humanística da profissão médica e pela defesa de um ato médico de qualidade, onde a relação com o paciente seja preservada.

Para Jeancarlo Cavalcante, eventos como o Fiem trazem o desafio de que se garanta a efetividade de suas conclusões para todos os países participantes. Em relação ao Brasil, se faz premente a “melhora das condições de trabalho, em especial na atenção primária de saúde”. Participaram do XI Fiem, dirigentes do Conselho Geral do Colégio de Médicos da Espanha, da Organização Médica Colegial da Espanha, da Confederação Médica Latino-americana e do Caribe (Confemel), do CFM, da Ordem dos Médicos de Portugal e da União Europeia de Médicos Especialistas. Representaram o CFM no evento, Carlos Vital, Mauro Ribeiro, Claudio Franzen e Jeancarlo Cavalcante. O Fiem foi fundado em 2007 com o objetivo de criar um espaço de intercâmbio permanente sobre ética médica e competência profissional entre organizações médicas da Espanha, Portugal e dos países participantes da Confemel (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua, México, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela).

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