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O Plenário do Conselho Federal de Medicina (CFM) lamenta, com pesar, informar o falecimento do conselheiro federal por Amazonas, ortopedista e professor Júlio Rufino Torres, ocorrido na madrugada desta quinta-feira (11), em Manaus (AM). Homem de formação cristã arraigada, Júlio Torres sempre teve a preocupação de compartilhar seu conhecimento, oferecendo sempre contribuições valiosas nos sete anos que representou seu Estado no CFM.

O professor e conselheiro se recuperava de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que exigia cuidados, mas não o impediam de realizar várias atividades. No entanto, o falecimento resultou de problemas gerados após uma queda. O corpo de Júlio Torres está sendo velado na sede do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), com missa às 14:30 e sepultamento a seguir, no cemitério São João Batista.

Para o presidente do CFM, Torres foi um “exemplo de bom profissional, médico, professor e pai de família”.  Considerado como um dos principais precursores de sua especialidade, a ortopedia, no estado do Amazonas, “como conselheiro federal atuou com muita relevância aos legítimos interesses da classe médica e da sociedade brasileira”.

“É uma grande perda para todos que tiveram o privilégio de sua convivência. Os seus exemplos permanecerão como fortes elementos da sua eterna presença entre os membros do Conselho Federal de Medicina. Faleceu um bom e grande homem”, ressaltou Carlos Vital.

Atuação conselhal – No CFM, o conselheiro Júlio Torres teve participação importante em debates sobre a ética no exercício da profissão e também na importância de evitar conflitos de interesse na relação entre médicos e representantes da indústria e da farmácia. Como membro da autarquia, contribuiu em comissões e câmaras técnicas, inclusive em encontros em outras entidades, como a Associação Médica Brasileira (AMB).

Além das suas atividades como médico, conselheiro e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Júlio Torres tinha uma intensa atividade pastoral, sendo, junto com a esposa, orientador de casais em cursos matrimoniais em toda a prelazia de Manaus.

A notícia do falecimento comoveu o conselheiro federal Ademar Carlos Augusto, que foi eleito como suplente, mas que, nos últimos meses, assumira a cadeira efetiva devido aos problemas de saúde de Júlio Rufino. “Era mais do que um irmão para mim. Além de professor e colega, frequentávamos a mesma paróquia, local onde o conheci. A dor está muito funda. Ele era extremamente carinhoso”, lamentou.

Para o presidente do CRM-AM, José Bernardes Sobrinho, a morte de dr Júlio Torres é uma “grande perda para a classe médica e a para a sociedade amazonense. Dr. Julio Torres foi um verdadeiro exemplo de médico humanista e de multiplicador de conhecimentos”, definiu o presidente do Conselho amazonense.

Trajetória – Natural de Manaus, Júlio Torres nasceu em 1941, filho de Pedro e Donzinha. Casado com Maria Auxilium, teve quatro filhos – Mônica, Kátia, Juliana e Júlio – e 11 netos. Formou-se na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 1966. Um ano depois, concluiu residência em Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).

Júlio Torres Foi professor emérito da Faculdade de Medicina da Ufam, onde exerceu atividades por 32 anos. Neste período, foi professor de Clínica Cirúrgica, chefe do Departamento de Medicina Especializada e diretor do Serviço de Ortopedia do Hospital Universitário Getúlio Vargas. Também foi presidente por duas gestões do Conselho Regional de seu estado, de 2003 a 2008. No CFM, foi conselheiro efetivo de 2009 a 2016.

Foi autor de quatro livros, um deles o volume Pegadas de Deus, uma obra que abordou a fé sob a ótica de homens que exercem a medicina e defendem que sua prática ocorra subordinada a valores como justiça, solidariedade e respeito ao próximo. Em 2016,  Júlio Torres recebeu a Comenda Fernando Figueira de Medicina e Ensino Médico, uma homenagem do CFM ao seu trabalho e empenho prol da medicina.

Universidade – A reitora da Ufam, Márcia Perales, afirma que Júlio Torres fará muita falta, e não apenas na universidade. “Ele teve uma vida dedicada ao ensino, à pesquisa e à extensão, mas, principalmente, aos seus alunos. Sempre deu o seu melhor. Era firme e ao mesmo tempo conciliador, o que o fazia ser querido por todos”, ressalta. A reitora lembra que na solenidade de entrega do título de professor emérito da Ufam, os presentes ressaltaram o sentimento de afeto que tinham por ele. “Era isso mesmo, as pessoas amavam doutor Júlio por tudo o que ele tinha feito”, lembra a reitora.

Segundo Márcia Perales, o título de professor emérito é uma honra concedida a pouco professores. “O Consuni é muito criterioso no momento de avaliar, deliberar, indicar um professor. É motivo de orgulho, fruto do reconhecimento público”, argumentou. Já o diretor da Faculdade de Medicina da Ufam, Dirceu Benedicto Ferreira, ressaltou a atuação de Júlio Torres na formação dos médicos amazonenses: “a trajetória de Júlio Torres, como professor e médico no Amazonas, não deixa dúvidas de que foi merecedor dessa homenagem. Ortopedista ímpar, além de ensinar, também cuidou de alguns alunos que hoje são professores da Faculdade de Medicina. Se temos bons profissionais sendo formados, a contribuição do professor Júlio, com certeza, faz parte disso.”

 

* Com informações do CRM-AM

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