O arcebispo dedicou parte da vida à luta em favor dos direitos humanos e da democracia.

 

Em nome dos 426 mil médicos brasileiros, o Conselho Federal de Medicina (CFM) expressa seu pesar pela morte do arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, que morreu nesta quarta-feira (14) em São Paulo, aos 95 anos de vida, sendo mais de 76 deles dedicados à igreja e à luta em favor dos Direitos Humanos e da Democracia. Aos familiares, amigos, admiradores e discípulos, o CFM envia suas condolências e sua solidariedade.

Quinto de 13 filhos de imigrantes alemães, Arns nasceu em 1921 em Forquilhinha, Santa Catarina. Ingressou na Ordem Franciscana em 1939, e iniciou seus trabalhos como líder religioso em Petrópolis, no Rio de Janeiro. Formou-se em teologia e filosofia em universidades brasileiras. Ordenado sacerdote em 1945, ele foi estudar na Sorbonne, em Paris, onde cursou letras, pedagogia e também defendeu seu doutorado.

Foi bispo e arcebispo de São Paulo entre os anos 60 e 70. Durante a Ditadura Militar, destacou-se por sua luta política, em defesa dos direitos humanos, contra as torturas e a favor do voto nas Diretas Já.
Em 1985, criou a Pastoral da Infância, com o apoio de sua irmã, Zilda Arns, pediatra, que morreu no terremoto de 2010 no Haiti, onde realizava trabalhos humanitários. Assim, como o irmão, ela teve trabalho destacado na igreja e foi também fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Por seus feitos, recebeu inúmeros prêmios e homenagens no Brasil e no exterior. Dentre eles, o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA), além de 38 títulos de cidadania.

Em 28 anos de arcebispado, criou 43 paróquias, construiu 1.200 centros comunitários, incentivou e apoiou o surgimento de mais de 2.000 comunidades eclesiais de base (CEBs) na capital paulista.  Entre os livros de maior repercussão está a obra “Brasil Nunca Mais”, um trabalho de pesquisa que teve papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar.

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