
Evento promovido pela Câmara Técnica de Medicina do Trabalho reúne especialistas de todo o país na sede do Conselho para discutir temas como saúde mental na era digital, judicialização e novas tecnologias
Teve início na manhã desta sexta-feira (14), na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), o XII Fórum de Medicina do Trabalho, promovido pela Câmara Técnica de Medicina do Trabalho da autarquia. Com o tema central “Os Desafios Contemporâneos da Medicina do Trabalho: autonomia médica, inovação e proteção à saúde do trabalhador”, o encontro segue até 14h e reúne alguns dos principais especialistas da área no país.
A mesa de abertura foi composta pelo presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo; pela 2ª vice-presidente do CFM e coordenadora da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho, Rosylane Nascimento das Mercês Rocha; e pelo presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), Francisco Cortes Fernandes.
Na abertura, o presidente Gallo ressaltou que a medicina do trabalho “é de suma importância para a saúde do trabalhador” e dedicou parte de sua fala à defesa da qualidade da formação médica no país. “Eu assumi a presidência do Conselho Federal de Medicina e pensei em dois pilares. O primeiro pilar é olhar a qualidade do ensino médico no Brasil”, afirmou, ao criticar a abertura de cursos sem condições adequadas de funcionamento e o endividamento dos recém-formados.
Gallo conclamou ainda as entidades médicas à atuação conjunta. “Se nós não estivermos unidos com o sistema conselhal, com as Sociedades de Especialidade, não teremos chance de nada”, disse, lembrando que as 55 câmaras técnicas de especialidades instaladas no CFM têm garantido a integração entre o Conselho e as sociedades médicas.
Coordenadora da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho, Rosylane Rocha destacou que é a décima segunda vez que o CFM sedia um fórum dedicado exclusivamente à especialidade e agradeceu à diretoria da autarquia, aos membros da câmara técnica e aos palestrantes convidados. Para ela, o evento ocorre em um momento de grandes transformações no mundo do trabalho, o que exige planejamento e preparo da categoria.
“Pensar o futuro de nossa especialidade exige reconhecer o médico do trabalho como verdadeiro agente de atenção primária à saúde do trabalhador. Somos muitas vezes a primeira e a principal linha de cuidado desse indivíduo”, afirmou. “A nossa atuação não pode ser meramente burocrática, ela deve ser essencialmente resolutiva. Garantir a assistência integral à saúde de quem trabalha significa ser capaz de acolher, diagnosticar precocemente, intervir nos determinantes ambientais e mitigar riscos antes que o agravo se consolide”, disse.
“Esse fórum surge justamente com essa missão: colher informações, insights e subsídios para que nós, médicos que atuamos diretamente na promoção e na proteção à saúde de milhões de brasileiros, possamos desenvolver estratégias consistentes, com base técnica, ética e científica”, completou.
O presidente da ANAMT, Francisco classificou como um privilégio acompanhar os trabalhos da Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do CFM, que culminaram na realização do fórum, e chamou a atenção para a dimensão da especialidade. “Falamos de um universo de quase 20 mil especialistas, que representam quase 4% dos RQEs ativos, colocando a medicina do trabalho na 7ª posição no ranking das maiores especialidades do país”, afirmou.
Para Fernandes, apesar de nem sempre receber dos governos o reconhecimento que merece, a especialidade tem se mantido firme na defesa da saúde dos brasileiros e tem encontrado apoio institucional nessa trajetória. “A medicina do trabalho tem encontrado no CFM um importante aliado. Duas instituições cujas trajetórias têm se cruzado ao longo das décadas em favor da saúde e de uma assistência de qualidade para os brasileiros”, destacou, ao afirmar que CFM e ANAMT compartilham o compromisso com a promoção da saúde, a prevenção de doenças e a valorização dos médicos.