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Dando sequência às atividades do II Fórum sobre Auditoria Médica do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado nesta quarta-feira (29), a mesa-redonda “O dia a dia da auditoria médica” reuniu representantes da auditoria, da assistência, dos estabelecimentos de saúde e da Associação Médica Brasileira (AMB) para o compartilhamento de experiências práticas sobre os desafios enfrentados no cotidiano da atividade. Para assistir aos debates na íntegra, clique aqui.

Membro da Câmara Técnica de Auditoria Médica do CFM, Laércio Soares Gomes Filho apresentou a visão do médico auditor e destacou que a atividade exige equilíbrio entre assistência, ética e sustentabilidade financeira. Segundo ele, a auditoria deve ser construída por meio do diálogo permanente entre o auditor e o médico assistente, evitando interpretações equivocadas e garantindo que decisões técnicas sejam tomadas com base nos prontuários, nos códigos de procedimentos e na documentação clínica. Também alertou para a necessidade de atualização constante dos manuais utilizados na auditoria.

Sob a perspectiva do médico assistente, Shirllane Rodrigues de Barros ressaltou que o conhecimento técnico sobre auditoria reduz conflitos e facilita a comunicação entre os profissionais. A palestrante explicou que um prontuário bem elaborado constitui o principal instrumento para fundamentar solicitações e prevenir glosas, além de representar importante mecanismo de defesa do médico. Também orientou os profissionais a conhecerem as coberturas dos planos de saúde e manterem diálogo respeitoso com os médicos auditores, pautado por critérios científicos e éticos.

Na sequência, a gerente regional de Auditoria Interna da Rede D’Or, Carolina Ery Hosaka de Vasconcelos Henke, apresentou a perspectiva dos estabelecimentos de saúde. Destacou que médicos assistentes, auditores, hospitais e operadoras não ocupam lados opostos, mas desempenham papéis complementares dentro da assistência. Segundo ela, a auditoria deve ir além da verificação documental e transformar-se em instrumento de aprendizagem institucional, capaz de identificar fragilidades, compreender as causas dos problemas e produzir melhorias permanentes nos processos assistenciais.

Encerrando a  mesa-redonda, o representante da Associação Médica Brasileira (AMB), Marcos Eurípedes Pimenta, abordou a auditoria médica sob os aspectos ético, técnico e profissional. Ele reforçou que a auditoria constitui ato privativo do médico e deve ser exercida com autonomia, imparcialidade e sólida fundamentação científica, destacando que o médico auditor não pode interferir na conduta do médico assistente, limitando sua atuação à análise da cobertura contratual e da pertinência técnica dos procedimentos. 

Ética e exercício da auditoria médica – Na sequência, a programação concentrou os debates nos conflitos éticos relacionados ao exercício da auditoria médica. Coordenadora da Câmara Técnica de Auditoria Médica do CFM, Rosylane Rocha explicou que a Resolução CFM nº 2.448/2025 foi elaborada para tornar mais claros os deveres e os limites de atuação dos médicos auditores e assistentes, conferindo maior segurança ética às relações entre profissionais, pacientes e operadoras.

Rosylane ressaltou que o médico auditor não substitui o médico assistente nem assume a condução clínica do paciente, cabendo-lhe analisar tecnicamente a indicação médica, verificar sua conformidade científica e avaliar a adequação da assistência prestada. Também destacou que eventuais divergências devem ser resolvidas por meio do diálogo técnico e, quando necessário, pela junta médica, jamais por interferências unilaterais na autonomia do profissional assistente. 

A conselheira alertou ainda que a remuneração dos médicos auditores não pode estar vinculada ao número de glosas e reforçou que a atuação desses profissionais deve ocorrer com absoluta isenção, transparência e respeito às evidências científicas. Em sua exposição, apresentou dados da saúde suplementar brasileira para demonstrar a importância de equilibrar sustentabilidade econômica e qualidade assistencial. “O paciente deve permanecer no centro da decisão”, enfatizou Rosylane Rocha.

Debate amplia perspectivas sobre a auditoria médica – O encerramento do fórum reuniu representantes das operadoras de saúde, dos hospitais, da auditoria médica e do Poder Judiciário para discutir os desafios atuais da atividade.

O 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes, abordou a responsabilidade técnica dos estabelecimentos de saúde prevista na Resolução CFM nº 2.147/2016. O conselheiro destacou que o diretor técnico responde perante a lei e os Conselhos de Medicina pelo funcionamento da instituição e ressaltou que o médico auditor exerce papel fundamental na verificação do cumprimento das obrigações contratuais, atuando como elo entre hospitais, profissionais e operadoras de saúde para assegurar a qualidade da assistência prestada.

Cassio Ide Alves, Diretor Técnico-Médico da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE), refletiu a respeito dos conflitos na auditoria médica na visão das operadoras: para ele, é necessário quebrar o paradigma de que a auditoria seja uma limitação da autonomia médica; trata-se de um processo de deliberação ética no qual diferentes deveres igualmente legítimos precisam ser harmonizados. Ferramentas de Inteligência Artificial também foram abordadas na explanação. “A IA pode ampliar a capacidade analítica da auditoria, mas não substitui as responsabilidades ética e técnica do médico. Todos os esforços devem convergir para o melhor interesse do paciente”, concluiu Alves.

José Américo Penteado de Carvalho, Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná, enfatizou que a atividade de auditoria médica sempre será medicina. “Trata-se de ato médico, que necessita atenção e monitoramento do CFM e dos conselhos regionais de medicina”, afirmou. O desembargador também salientou que o médico auditor precisa guardar muitas premissas e cuidados para garantir a atenção à saúde e a sustentabilidade das operadoras. “Se houver conflito, é papel do Conselho Federal de Medicina normatizar a conduta desses profissionais”, afirmou José Américo Penteado Carvalho. 

O debate foi concluído com a visão do médico auditor, representado por Carolina Ery Hosaka de Vasconcelos Henke, da Rede D’Or. A médica abordou a importância da codificação clara para a justa remuneração do médico assistente. “Os médicos estão em todos os lados da cadeia de saúde suplementar. Por isso, é necessária a regulamentação do CFM: é ela que promove uma comunicação eficiente entre os entes envolvidos na auditoria”, concluiu Carolina Henke.

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