Recentemente, foi noticiado que uma professora da Universidade de Campinas (Unicamp) teria roubado amostras de vírus que estavam armazenados em um laboratório NB-3 do Instituto de Biologia da Unicamp. Teriam sido furtados pelo menos 24 cepas, incluindo os vírus da dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr, H1N1 e H3N2, entre outros. Para o CFM, o roubo expõe fragilidades no armazenamento dessas cepas.

“Em países como Estados Unidos, Rússia e China os laboratórios que armazenam essas cepas estão também sob a responsabilidade dos ministérios da Defesa. Uma universidade sozinha não pode ser responsável pela vigilância de um local que tem um potencial para ser usado como arma biológica, pirataria e terrorismo biológico”, afirma o vice-corregedor do CFM e infectologista Francisco Cardoso.

“O furto das cepas mostrou falhas de biossegurança e que as universidades estão com responsabilidades superiores às suas capacidades. Provavelmente não houve nenhuma contaminação, mas os riscos foram muito grandes. O governo federal deveria estar preocupado com essa situação e a Polícia Federal teria de participar das investigações”, argumenta o também infectologista e conselheiro federal Domingos Sávio Dantas.
O CFM vai continuar acompanhando o desenrolar das investigações e cobra do governo federal mais segurança para os laboratórios que manipulam e armazenam cepas de vírus. Se usados de forma inadequada, eles são armas biológicas que podem afetar todo o sistema de saúde do país e do mundo.