
A segunda parte do I Webinar de Cirurgia Pediátrica, realizado na manhã desta sexta-feira (17), que tinha como tema as cirurgias ambulatoriais, debateu o manejo clínico cirúrgico de algumas enfermidades, como as hérnias inguinais, e o papel dos exames de imagens no diagnóstico dessas doenças. Os dois palestrantes, o cirurgião pediátrico Fábio Volpe, e o radiologista Robertson Bernardo, foram enfáticos em defender um exame clínico criterioso e uma escuta atenta às queixas apresentadas pelos familiares da criança.
“No caso da hérnia, por exemplo, quando não conseguimos identificá-la na apalpação, mas a mãe diz que existe, temos de dar crédito ao que ela diz”, defendeu o cirurgião pediátrico Fábio Volpe, que desenvolveu o mnemônico HMA, para enfatizar a necessidade de que o médico escute a História da Mãe.
Em sua apresentação, Volpe apresentou vários tipos de hérnias inguinais e as melhores formas e momentos de tratamento, se por cirurgia aberta ou por videolaparoscopia, a depender da situação. “Não existe uma idade ideal para o procedimento. É melhor que o problema seja resolvido no menor tempo possível após o diagnóstico, antes de gerar outras comorbidades”, aconselhou.
Assista abaixo à íntegra do evento, transmitido pelo Canal do CFM no YouTube:
Imagens – Na palestra “Exames de imagem no Diagnóstico das Doenças Ambulatoriais”, o radiologista Robertson Correia Bernardo defendeu prudência na indicação de exames de imagens em crianças. Em diálogo com a apresentação de Fábio Volpe ele afirmou que, no caso de indicação cirúrgica da hérnia inguinal, a cirurgia não deve ser adiada devido à falta do exame. “Não devemos esperar por imagens só para confirmar o diagnóstico feito no exame clínico e na anamnese”, defendeu.
Após explicar indicações de uso dos exames de imagem no diagnóstico de doenças infantis, Bernardo deixou uma mensagem para o atendimento a ser feito em consultórios. “Entre os exames complementares, a ultrassonografia é o mais indicado, pois não há radiação; o exame físico é o padrão-ouro; cada exame complementar deve ser justificado; não atrase uma urgência na espera que uma confirmação do seu diagnóstico”, aconselhou. Ele também enfatizou que os exames de tomografia e ressonância só devem ser solicitados em situações muito específicas.
A moderadora da mesa, cirurgião pediátrica Elisângela de Mattos e Silva enfatizou a complementaridade entre as duas palestras. “Há hoje uma realização exacerbada de exames em crianças, muitas vezes por pressão dos pais. Por isso é importante que estejamos fazendo essa discussão aqui”, afirmou.
“Foi uma mesa fantástica, em que enfatizamos o protagonismo da história clínica do paciente. Adorei o mnemônico HMA apresentado do Volpe e da preocupação do Bernardo para que não sejam feitos exames desnecessários”, afirmou a coordenadora da Câmara Técnica de Cirurgia Pediátrica e presidente da mesa, Ana Jovina Barreto.