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Os desafios enfrentados pelos cirurgiões de mão, como a relação com as operadoras, as glosas de procedimentos autorizados anteriormente e a incorporação de novas terapias foram alguns dos temas abordados no I Webinar de Cirurgia da Mão do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado na tarde desta quinta-feira (13). “As dificuldades vividas pelo especialista não se restringem à sala cirúrgica. Este webinar será o primeiro passo para buscarmos soluções para esses problemas”, afirmou a coordenadora da Câmara Técnica, conselheira federal Leopoldina Milanez, na abertura.

 

O webinar já está disponível na página do CFM no YouTube. Acesse AQUI.

Na abertura, o presidente do CFM, Hiran Gallo, falou sobre a Resolução CFM nº 2.448/2025, que tornou mais claros os deveres e os limites de atuação dos médicos auditores e assistentes. “Não podemos aceitar que operadoras glosem procedimentos já autorizados. Partes dessa Resolução foram suspensos, mas o Código de Ética é claro: a auditoria não pode se esconder em uma caneta para interferir no ato médico”, afirmou.

Hiran Gallo, presidente do CFM

O presidente do CFM também falou sobre a medida provisória nº 1.370/26, que torna o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) em avaliação obrigatória de proficiência para a concessão de título de médico. “O governo estava perdendo no Senado, onde o projeto de lei que cria o Exame de Proficiência do CFM foi aprovado em todas as instâncias, e editou a MP. Mas conseguimos que um defensor da medicina de qualidade, deputado Dr. Luizinho, fosse indicado relator da MP. Vamos vencer essa batalha”, afirmou.

Quem também falou na abertura foi o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão (SBCM), Roberto Luiz Sobania, que falou sobre os alicerces que norteiam a atuação da SBMC. “As nossas bases são o ensino e treinamento, a educação continuada e a defesa profissional”, afirmou.

Codificação – A primeira mesa redonda, que debateu o tema “Auditoria Médica na Cirurgia da Mão”, analisou vários aspectos que dizem respeito à relação dos médicos com os planos de saúde. O primeiro palestrante foi o presidente da Comissão de Defesa Profissional da SBMC, Giuseppe de Luca Júnior, que apresentou o Manual de Codificação da Cirurgia de Mão da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT).

Giuseppe de Luca Jr, presidente da Comissão de Defesa Profissional da SBCM

“O objetivo desse Manual é diminuir o tempo e reduzir o conflito entre o médico e as operadoras. Não é tabela de preços e nem autoriza atos não realizados, mas cria fluxos permanentes e evita fraudes”, explicou. Ele argumentou que o auditor não é um inimigo do médico assistente, por isso é importante que haja códigos aceitos pelos dois lados. “O que acontece, infelizmente, é que o médico solicita mal e a operadora também autoriza mal. O sistema perde a coerência. Remunera-se mais o coelho do que o mágico”, argumentou.

A “Visão do Auditor” foi apresentada pelo ortopedista e gerente de Boas Práticas Assistenciais da Seguros Unimed, Márcio de Castro Ferreira. “Tenho todos os conflitos de interesse: sou médico assistente, trabalho com auditoria e também sou paciente. Tenho interesse na melhor solução possível”, afirmou ele no início da apresentação. Para o auditor, a codificação é necessária, mas deve ser acordada entre todos os atores, devendo ser evitada a hiper codificação. “Também devemos ter em mente que o hospital não se incomoda com a glosa do procedimento médico, mas vai exigir que todos os serviços hospitalares sejam pagos pela operadora”, afirmou.

A palestra seguinte debateu o tema “Casos clínicos: o Manual da SBOT na realidade do consultório: as operadoras realmente autorizam?”, apresentado pelo ex-presidente da SBOT e advogado Eduardo Novak.

Na sua apresentação, Novak defendeu que o Manual de Codificação gera mais rapidez, menos discordâncias e judicializações, menos auditorias, redução de custos e de notificações junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar. “As vantagens são muitas, mas vamos precisar conversar mais para chegarmos a um consenso que satisfaça o paciente, os médicos e as operadoras”, argumentou.

O outro palestrante sobre o mesmo tema foi o membro da Câmara Técnica de Cirurgia da Mão do CFM Dirceu Cardoso Lima Sobrinho, que apresentou o resultado de uma pesquisa realizada com cerca de 10% dos cirurgiões da mão brasileiros. A maioria não conhecia o Manual da SBOT (53,3%) ou, apesar de conhecê-lo, não o utilizava para codificar as cirurgias (27,8%).

De acordo com essa mesma pesquisa, as operadoras liberam a quase totalidade dos procedimentos relacionados à descompressão do túnel do carpo simples e a osteossíntese da fratura de rádio. No geral, a maioria das glosas estavam relacionadas ao que a operadora considerava como inclusão abusiva, ou seja, que o código principal já incluía o procedimento.

Ao concluir sua apresentação, Dirceu Cardoso defendeu que as recusas por parte das operadoras prejudicam a relação médico-paciente, já que estes passam a desconfiar se o procedimento é realmente necessário, e postergam o tratamento cirúrgico definitivo. Por fim, ele defendeu a adoção do Manual “como um instrumento de fundamentação e defesa” para o cirurgião da mão.

No debate realizado após essa mesa, os participantes do webinar ressaltaram a necessidade de pedidos éticos e técnicos por parte dos médicos. “Temos muito a caminhar. Temos de evitar a super indicação e a super codificação. Assim podemos melhorar nossa remuneração”, defendeu Adalto Ferreira Lima Júnior, diretor da SBOT. “Há erros de parte a parte, tanto das auditorias, como quando o médico faz pedidos excessivos. Por isso temos de defender a boa prática médica”, afirmou a 2ª vice-presidente do CFM e relatora da Resolução CFM nº 2.448/2025 (auditoria médica), Rosylane Rocha.

Rosylane Rocha, 1º vice-presidente do CFM

O Webinar contou com a participação de um dos precursores da cirurgia da mão no Brasil, Luiz Carlos Sobania. A participação dele foi elogiada pelo presidente do CFM, Hiran Gallo. “Sobania é um grande nome da medicina brasileira. Além de excelente cirurgião, representou o Paraná por muitos anos aqui no CFM. A medicina brasileira precisa de mais médicos como ele”, enalteceu.

Luiz Carlos Sobania

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