A necessidade de ampliar a participação dos médicos jovens nas entidades médicas, fortalecer o planejamento de carreira e preservar a dimensão humana da profissão marcaram os debates da programação da tarde do VI Fórum da Comissão de Integração do Médico Jovem do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado em Campina Grande (PB), nesta terça-feira (12).
No primeiro painel, intitulado “O médico jovem não pode ser apenas plateia: precisa ser voz!”, os participantes discutiram a presença dos jovens médicos nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), no CFM e nas entidades representativas da categoria.
Durante as discussões, o conselheiro federal Carlos Magno Dalapicola destacou a importância do engajamento institucional da nova geração médica. Segundo ele, muitas transformações deixam de acontecer porque os jovens ainda participam pouco das entidades. Ele também alertou para a necessidade de equilíbrio entre os objetivos financeiros do início da carreira e o aprofundamento técnico e científico da formação profissional.
A vice-presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (Aemed-BR), Arina Nobre, ressaltou que a inquietação dos jovens médicos pode e deve ser transformada em propostas concretas. Para ela, os conselhos profissionais estão cada vez mais abertos à participação ativa da categoria. Ela também abordou os desafios enfrentados pelas mulheres na medicina, especialmente na conciliação entre maternidade e profissão, defendendo maior representatividade feminina e direitos trabalhistas para médicas mães.
Membro da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, Levi Costa Carioca chamou atenção para a necessidade de valorização do ato médico e das condições dignas de trabalho. Para ele, os médicos não devem naturalizar vínculos precários, remunerações reduzidas e estruturas inadequadas de plantão. Carioca defendeu ainda a união das entidades médicas em torno da defesa profissional.
Já Fernando Melo Neto, membro da Câmara Temática do Médico Jovem do CRM-PB, destacou que os médicos jovens e acadêmicos precisam assumir protagonismo e buscar maior aproximação com os conselhos de medicina.
Carreira e sustentabilidade – No painel “Escolher bem também é ato médico: carreira, propósito e sustentabilidade”, os participantes discutiram os desafios do início da trajetória profissional, os critérios para escolha dos primeiros vínculos de trabalho e a importância do planejamento de médio e longo prazo.
Membro da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, Willian Adami reforçou a importância da especialização médica como fator decisivo para estabilidade e consolidação no mercado de trabalho. Ele também alertou para dificuldades enfrentadas pela categoria no âmbito jurídico e destacou que a escolha adequada da formação e da instituição onde será realizada a especialização pode definir oportunidades futuras.
O conselheiro do CRM-PB Guilherme Veras Mascena afirmou que os primeiros anos da carreira são determinantes para toda a trajetória profissional. Ele incentivou os jovens médicos a refletirem sobre perfil profissional, vocação e ética médica. Segundo ele, reputação, integridade e competência técnica continuam sendo diferenciais importantes na construção da carreira.
Representando a Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos (Codame), Marcio Rossani abordou os desafios éticos relacionados à publicidade médica e alertou para os riscos da divulgação irregular de especialidades sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE). Ele afirmou que é possível utilizar as redes sociais de maneira ética, sem apelos sensacionalistas.
Espiritualidade – O último painel trouxe reflexões sobre humanidade, espiritualidade e propósito na medicina. A médica Maria do Desterro Leiros da Costa destacou estudos que relacionam espiritualidade a menores índices de depressão, suicídio e dependência química. Segundo ela, a espiritualidade deve ser compreendida como uma dimensão humana capaz de fortalecer o enfrentamento do sofrimento e contribuir para o equilíbrio emocional durante a formação e o exercício profissional.
Os participantes da mesa também refletiram sobre a importância de preservar a sensibilidade humana no exercício da medicina, reforçando que a profissão continua sendo construída a partir do cuidado, da empatia e do compromisso ético com os pacientes.