Além da hesitação vacinal, mesa também debateu a prevenção da dengue e do herpes zóster
A última mesa do IV Fórum de Infectologia, realizado na manhã desta sexta-feira (18), teve como tema “Doenças Imunopreveníveis – sempre um desafio” e contou com a participação de palestrantes que debateram a hesitação vacinal e o uso de imunizantes na prevenção da dengue e do herpes zoster.
O IV Fórum foi transmitido pelo canal do CFM no YouTube e pode ser acompanhado AQUI.
Hesitação vacinal – O primeiro palestrante da mesa foi o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, conselheiro federal pelo estado de Pernambuco e membro da Câmara Técnica de Infectologia do CFM, que falou sobre a Hesitação Vacinal. Em sua fala, ele apresentou os motivos que levaram à redução da cobertura vacinal no Brasil e no mundo e apresentou os caminhos para reverter a situação atual.
“A primeira coisa que temos de entender é que as pessoas deixam de vacinar seus filhos por vários motivos. Alguns não tomam nenhum tipo de vacina, outros tomam algumas e outras não. Alguns países são tradicionalmente antivacinas, como Itália e Alemanha, mas em outros é um movimento recente”, explicou.
Para o palestrante, a hesitação vacinal é um fenômeno social, institucional, político e comunicacional, que deve ser combatido em diferentes frentes. “Nesse contexto, o médico tem um papel essencial, pois cabe a ele conversar com a família e com o paciente, não apenas para corrigir fake news divulgadas nas redes sociais, mas para restaurar a confiança nas instituições”, defendeu.
Para que o Brasil volte a ser referência em vacinação, Eduardo Jorge também defendeu a redução de barreiras concretas, como a ampliação do horário de atendimento dos postos de saúde, disponibilidade dos imunizantes e serviço de busca ativa. Outro ponto defendido por ele foi uma participação maior dos profissionais de saúde no convencimento aos pacientes. “A recomendação do profissional de saúde continua sendo uma das intervenções mais eficazes, desde que seja firme, empática e baseada na melhor evidência científica disponível”, afirmou.
Dengue – A palestra seguinte, do infectologista e professor da faculdade de medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Norte Kleber Giovanni Luz, debateu as vacinas disponíveis para o combate da dengue e alternativas para controlar o mosquito aedes aegypti.
O palestrante explicou que não é possível dizer em qual região brasileira há uma maior incidência da dengue “pois há uma variação muito grande de um ano para outro”. Até o último mês de junho, o Brasil tinha registrados 392.816 casos de dengue, concentrados em estados do Sudeste, Goiás e Tocantins.
Kleber Giovanni argumentou que a redução da doença depende do controle do mosquito, do uso de repelentes e de mosquiteiros e da vacinação. “É nosso papel, como médicos, orientar nas consultas que o paciente deve tomar medidas caseiras que evitem a proliferação do mosquito. O médico inspira confiança, então devemos aproveitar esta oportunidade para educarmos sobre as medidas de prevenção”, destacou.
O palestrante também explicou as especificidades das três vacinas contra a dengue produzidas até o momento (CYD, TAK-003 e Butantã), ressaltando que a vacina brasileira está suspensa e que CYD apresentou problemas e não é mais usada. “A dengue continua sendo uma arbovirose importante, que causa muita morbidade e letalidade. A sua prevenção se baseia no controle vetorial e na vacinação dos susceptíveis. Portanto, a educação em saúde é fundamental”, concluiu.
Herpes – A última palestra foi do infectologista professor da faculdade de medicina da Universidade Federal do Tocantins (UFT) Flávio Augusto de Pádua Milagres, que falou sobre a prevenção do herpes zoster. Após explicar sobre o ciclo da doença, os tratamentos disponíveis, os fatores de risco para a reativação do vírus e as vacinas existentes, ele defendeu a vacinação como a melhor alternativa de prevenção.
“Essa é uma doença que tem fatores de riscos muito variáveis, como a idade acima dos 50 anos, doenças crônicas, imunossupressão e estresse físico e emocional e complicações que podem perdurar por toda a vida do paciente, o que inclui neuralgia pós-herpética e dores crônicas. Diante desse quadro, a melhor alternativa é a prevenção por meio da vacina”, argumentou.
Flávio Augusto explicou que por enquanto a vacina só está disponível na rede privada, mas que há projetos no Congresso Nacional para que ela seja incluída na Programa Nacional de Imunização (PNI). “Vacinar é a intervenção mais custo-efetiva contra o herpes-zóster e a neuralgia pós-herpética. Todos deveriam ser acesso a essa vacina”, defendeu.
Ao final do IV Fórum de Infectologia, o coordenador da Câmara Técnica, Domingos Sávio, elogiou a qualidade dos debates. “Fizemos discussões importantes, como o papel da infectologia nos tratamentos paliativos, o uso responsável das novas tecnologias e das redes socias e, por fim, a hesitação vacinal e a importância das vacinas na prevenção da dengue e do herpes zóster. Discussões muito ricas e produtivas”, afirmou.
O debate foi presidido pelo membro da Câmara Técnica de Infectologia do CFM Werciley Saraiva Vieira Júnior e moderada pelo também membro da Câmara Técnica, Luis Enrique Bermejo Galan. Acompanhe, abaixo, a transmissão do IV Fórum de Infectologia do CFM.