
Primeira mesa redonda foi coordenada pelo autor cristão Fabio Ikedo (ao centro)
As experiências e desafios da incorporação da dimensão espiritual aos cuidados médicos e à formação acadêmica foram os principais assuntos discutidos nas mesas redondas do II Fórum da Comissão de Saúde e Espiritualidade do CFM, realizado nesta quarta-feira (2), na sede da Autarquia. A primeira delas teve a moderação do médico reumatologista e autor cristão Fabio Ikedo, membro da Comissão de Espiritualidade, e contou com as palestras “Saúde e Espiritualidade na Beira do Leito: A Experiência Assistencial e Integrativa do HCPA” e ainda “Evidências e Prática: Integrando a Dimensão Espiritual aos Cuidados Paliativos”.
As discussões tiveram início com a apresentação do médico Emanuel Burck dos Santos, ligado ao Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA/UFRGS). O palestrante detalhou o sistema adotado pela unidade de saúde universitária, que integra o acolhimento espiritual dos pacientes desde a anamnese até o cuidado assistencial, indo além do modelo tradicional. Para promover essa linha de atuação, Emanuel Burck relatou a existência de um Núcleo de Estudos na instituição voltado à capacitação técnica do corpo clínico.
A importância da formação em espiritualidade foi o destaque também da conferência Evidências e Prática: Integrando a Dimensão Espiritual aos Cuidados Paliativos, conduzida pelo psiquiatra Henrique Gonçalves Ribeiro, coordenador do Comitê de Espiritualidade da Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) e integrante de outras instituições médicas. Ele apresentou estudos que indicam a relevância do cuidado espiritual e da promoção do treinamento sobre o tema a todos os membros da equipe médica.
Integração à formação – Os desafios e barreiras para essa incorporação nos cursos de medicina foram discutidos na mesa redonda seguinte, coordenada pela neurologista Maria do Desterro Leiros da Costa e pelo radiologista Arismar Léon da Silva Alves Pereira, membros da Comissão de Saúde e Espiritualidade. A discussão teve início com a exposição de pesquisas sobre as visões e barreiras entre médicos e estudantes, conduzida pelo médico Giancarlo Lucchetti, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG).
Na apresentação, ele analisou dados de estudos nacionais e internacionais que apontaram a valorização da espiritualidade por grande parte dos pacientes e apontaram também a presença do tema nos currículos das escolas médicas, em constante crescimento.

Arina Peixoto Nobre ressaltou o valor da espiritualidade para os acadêmicos
Atenção ao estudante – A abordagem sobre espiritualidade entre os acadêmicos de medicina e o cuidado com o próprio estudante foi o tema da conferência “Experiências das Ligas de Espiritualidade e Medicina”, apresentada pela médica e vice-presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil (AEMED-BR), Arina Peixoto Nobre. A palestrante apontou a espiritualidade como dimensão de tratamento do próprio estudante, com destaque à saúde mental. Segundo ela, pesquisas mostram que, durante a graduação, uma atenção maior à espiritualidade proporcionou a redução de sintomas depressivos e melhora na qualidade de vida.
Após a apresentação, o evento abriu espaço para debates e foi encerrado com a conferência “Fé para o impossível”, relato da pastora norte-americana Renee Murdoch, sobrevivente de um ataque a pauladas sofrido por um morador de rua, enquanto corria na ciclovia da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em 2012. A missionária foi levada a um hospital em estado gravíssimo e chegou a ser desenganada pelos médicos.
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