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Como a Inteligência Artificial pode ser uma aliada do médico jovem empreendedor? E o que as entidades médicas podem fazer para apoiar o recém-formado que sai da faculdade desempregado? Essas foram algumas das questões debatidas no III Webinar de Integração do Médico Jovem, realizado na tarde desta quinta-feira (29), em Brasília, que teve como tema central “Empreendedorismo, Inovação e Gestão”.

O evento já está disponível na internet e pode ser assistido AQUI.

Na abertura, o coordenador da Comissão de Integração do Médico Jovem, Bruno Leandro de Souza, enfatizou que os temas abordados no webinar preocupam hoje os médicos de todas as idades e não apenas os recém-formados, “pois a realidade nos impõe uma renovação contínua”. Argumentou, também, que hoje o empreendedorismo médico não é uma opção, mas uma necessidade.

Falando em nome do presidente do CFM, a 2ª vice-presidente da entidade, Rosylane Rocha, analisou o mercado de trabalho enfrentado pelos recém-formados, “cada vez mais complexo, com vínculos trabalhistas frágeis, pressões constantes e com rápidas inovações tecnológicas”, o que tem exigido do médico jovem “uma qualificação contínua” e uma preocupação diária com a gestão da carreira, empreendedorismo responsável e o uso ético e responsável das novas tecnologias.

Programação – “O papel das entidades médicas na proteção dos interesses da medicina e da sociedade” foi o tema da primeira palestra, proferida pelo membro da Câmara Temática do Médico Jovem do Conselho Regional de Medicina da Paraíba e secretário-geral do Sindicato dos Médicos paraibanos, Fernando Melo Neto. Em sua apresentação, ele mostrou as atribuições e competências de entidades como o sistema CFM/CRMs, Associação Médica Brasileira (AMB), Academia Nacional de Medicina (ANM), sindicatos e federações médicas.

“Os médicos precisam conhecer essas entidades. Todas, com suas características específicas e áreas de atuação distintas, trabalham em um único sentido: o fortalecimento da medicina e, em última análise, a proteção da sociedade”, defendeu Fernando Melo. Ele argumentou que hoje as entidades estão exercendo atividades múltiplas: o sindicato já orienta os médicos que atendem como pessoa jurídica e o sistema de conselhos fiscalizam estabelecimentos que não cumprem regras trabalhista, por exemplo, “sempre com o objetivo maior de defender a medicina”.

Gestão – A palestra seguinte foi dada pela consultora em gestão de clínicas médicas Thaísa Leite Rolim Wanderley, que defendeu uma maior apropriação, por parte dos médicos, dos assuntos relacionados ao empreendedorismo. “Não entender de gestão não torna o médico mais ético. Porém, o deixa mais vulnerável”, argumentou.

A palestrante ensinou que ao pensar em abrir uma clínica, o médico deve pensar na estrutura física, no fluxo de caixa, na formação de uma equipe capacitada “muitas vezes o médico perde pacientes porque a assistente não responde corretamente as mensagens de whatsapp” e nos dados e indicadores.

Também deve buscar o apoio de uma equipe de marketing especializada “é preciso quebrar o paradigma de que o bom médico não precisa aparecer nas redes sociais”, na gestão de processos, de um escritório de contabilidade e de advocacia.

Inteligência Artificial – “IA para o médico jovem: aspectos éticos” foi o tema da última palestra do evento, ministrada pela nefrologista e conselheira da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Paula Fuscaldo Calderon. Em sua fala, ela enfatizou que a IA não vai substituir o médico, mas que será preciso usá-la a favor da medicina.

Disse, também, que seguir as indicações do algoritmo não isenta o médico das suas responsabilidades. “Temos de usar a IA para otimizar o nosso tempo, mas continua sendo nossa a responsabilidade pela prescrição”, enfatizou.

Ao final da apresentação, o coordenador da Câmara Técnica, Bruno Leandro, fez uma brincadeira e transmitiu uma pergunta que tinha sido formulada pelo Chat GPT para Paula Calderon. “Que tarefa clínica você nunca delegaria a uma IA e por quê?”, queria saber a inteligência regenerativa.

“O acolhimento, a relação médico-paciente, a confiança, são habilidades médicas que nenhuma IA conseguirá suprir. Num tratamento de um paciente com câncer, por exemplo, nós vamos mostrar os prós e os contras e deixaremos para o paciente decidir. Uma IA ficaria insistindo no ‘melhor tratamento clínico’. Quanto maior o avanço da IA, mais nós teremos de desenvolver as nossas habilidades clínicas, as quais nunca serão superadas pela máquina”, respondeu a médica.

Coincidência, ou não, o coordenador da Câmara Técnica perguntou para o Chat GPT o que ele achava que seria uma resposta de Cláudia Calderon à pergunta dele e resposta foi ao encontro do que ela falou anteriormente, ou seja, de que não se deve deixar à cargo de uma IA uma conduta que mude o destino do paciente.

Ao final do evento, Bruno Leandro reforçou o convite para o VI Fórum da Comissão de Integração do Médico Jovem, que será realizado nos dias 12 e 13 de maio, em Campina Grande, na Paraíba.
Temas como empreendedorismo, relações de trabalho, saúde e bem-estar e desenvolvimento da carreira também foram debatidos no I (link)e no II (link) webinares da Comissão de Integração do Médico Jovem e podem ser assistidos na página do CFM do YouTube.

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