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O Conselho Federal de Medicina realizou no final de julho (30) o II Webinar de Endoscopia Digestiva do CFM. Sob o tema “Cáusticos: danos reais para a saúde das crianças”, o evento foi considerado imprescindível por Emmanuel Fortes, 1º vice-presidente da autarquia. “O CFM não apenas regula a medicina, mas também é responsável por construir as estratégias de abordagem para atuação na saúde pública”, afirmou.

Participaram da abertura Nailton Lyra, coordenador da Câmara Técnica de endoscopia digestiva; Eduardo Hourneaux de Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED); e Emmanuel Fortes, representando a presidência do CFM. Em seguida, a primeira palestra foi conduzida por Margareth Portella, da Sociedade Brasileira de Pediatria. A médica abordou os motivos pelos quais acidentes domésticos continuam ocorrendo com frequência no Brasil. “Mais de 80% dos incidentes acontecem com crianças de 2 a 6 anos, pois são indivíduos que já desenvolveram boa mobilidade e curiosidade; por isso, raramente as famílias conseguem testemunhar a ingestão do cáustico”, confirmou Margareth. A palestrante concluiu com dados alarmantes: 76% dos casos envolvem o consumo de soda cáustica, elemento muito comum nos lares do país.

Em seguida, Paulo Fernando Souto Bittencourt (SOBED) apresentou abordagens sobre como o endoscopista deve manejar os casos de ingestão de cáusticos. O médico ressaltou que, nos Estados Unidos, a legislação sobre o tema já está consolidada há mais de 50 anos, ao passo que, no Brasil, ainda não há regulamentação sequer sobre a padronização de tampas de segurança.

Item que também é muito presente nas casas brasileiras, a bateria de lítio, usada em aparelhos eletrônicos e até brinquedos, pode provocar sérios danos à saúde quando ingerida. “Duas horas após engolir a bateria, a criança já pode ter lesões esofágicas graves. O protocolo estabelecido para um primeiro manejo após o acidente pode ser administrar dez mililitros de mel a cada dez minutos, totalizando no máximo seis doses, até que a família chegue ao Pronto Socorro, mas o uso do mel só é liberado para crianças acima de um ano; outra alternativa é o sucralfato, com dose de um grama, até três vezes. Nenhum desses procedimentos substitui o atendimento médico e a retirada da bateria”.

Encerrando a primeira mesa, Andrea Magalhães, consultora técnica da Coordenação-Geral de Vigilância em Saúde Ambiental, apresentou estratégias de comunicação, educação e prevenção. De acordo com a especialista, apesar da subnotificação de casos, os dados têm aumentado ano após ano, o que mostra que o trabalho de conscientização está sendo efetivo. “Entretanto, saber sobre os índices não basta; precisamos usá-los para alertar sobre a ingestão de cáusticos e transformar essas informações em políticas públicas de saúde”.

A segunda mesa contou com quatro palestras e foi iniciada por Bruno Leandro de Souza, Conselheiro Federal pelo estado da Paraíba. O pediatra abordou a responsabilidade das instituições e da categoria médica na condução de acidentes com cáusticos. “As ações precisam ser fomentadas pelo CFM em parceria com os conselhos regionais. Também é necessário articular medidas junto a outras instituições, como Ministério da Saúde, Inmetro e Anvisa, por exemplo”, declarou Souza.

Presidente da Associação Brasileira de Centros de Informação e Assistência Toxicológica (ABRACIT), Patrícia Drumond alertou a respeito dos riscos de saneantes feitos de modo caseiro e clandestino. “Os produtos de limpeza vendidos de forma irregular costumam ser muito mais baratos, chamativos e estão à venda em qualquer lugar. Precisamos mudar esse cenário com urgência”. A médica também defendeu enrijecimento da legislação, maior agilidade na notificação compulsória ao SINAN e melhoria da assistência ao paciente vítima de acidente cáustico.

Por fim, Mirtha Tanaka, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentou a regulação sanitária que já é exigida e refletiu acerca das lacunas existentes. Uma rodada de debates encerrou o evento.

O II Webinar de Endoscopia Digestiva do CFM foi transmitido pelo canal do CFM no YouTube e já está disponível. Assista!

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