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O II Fórum CFM e Escolas Médicas, realizado nesta sexta-feira (29), na sede do Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília, reuniu especialistas, conselheiros, gestores acadêmicos e estudantes para discutir os principais desafios da formação médica diante das transformações éticas, tecnológicas e institucionais que impactam o exercício da profissão. O encontro abordou desde as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) até temas como violência contra médicos, inteligência artificial, responsabilidade técnica, saúde mental e gestão educacional.

A conferência de abertura, ministrada pelo coordenador do curso de Medicina do Centro Universitário UNIAC, Richard Halti Cabral, discutiu a convergência entre as novas DCNs da Medicina e as normativas éticas e técnicas do CFM. O palestrante destacou que, embora indicadores como o desempenho dos cursos e o reconhecimento internacional do Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (SAEME-CFM) apontem avanços, persistem desafios importantes relacionados à qualidade da formação prática, à supervisão dos estudantes e ao fortalecimento da identidade profissional médica. Também foi ressaltada a necessidade de equilibrar competências transversais, formação humanística e densidade técnica, defendendo maior integração entre instituições de ensino, órgãos reguladores e entidades médicas.

Na mesa-redonda “O desafio da prática: como estamos preparando o estudante para a realidade?”, o coordenador da Comissão de Elaboração do Projeto de Prova de Proficiência do CFM, Diogo Leite Sampaio, abordou o aumento dos episódios de violência contra médicos e seus impactos na assistência e na saúde mental dos profissionais. A palestra destacou os avanços trazidos pela Resolução CFM nº 2.444/2025, que estabelece garantias de segurança para os médicos no ambiente de trabalho e prevê mecanismos de fiscalização e até interdição ética de unidades que não ofereçam condições adequadas de proteção aos profissionais e pacientes.

Em seguida, o conselheiro federal Bruno Leandro de Souza tratou dos desafios da telemedicina e da inteligência artificial na formação médica contemporânea. A palestra ressaltou que as tecnologias digitais já fazem parte da realidade dos estudantes e profissionais, mas reforçou que a responsabilidade final pelas decisões clínicas permanece do médico. Foram apresentados os principais pontos das Resoluções CFM nº 2.314/2022 e nº 2.454/2026, com destaque para temas como segurança da informação, proteção de dados, limites éticos do uso da IA e a necessidade de formar profissionais capazes de utilizar essas ferramentas de maneira crítica e responsável.

A conselheira federal Maíra Pereira Dantas conduziu a palestra sobre responsabilidade técnica e empreendedorismo ético. Durante a apresentação, destacou a importância de preparar os futuros médicos para atuar em sistemas de saúde cada vez mais complexos, que exigem competências em gestão, liderança, tomada de decisão e governança. A palestrante chamou atenção para lacunas ainda existentes na formação médica relacionadas à administração em saúde e defendeu a inclusão de conteúdos voltados ao empreendedorismo ético, entendido como inovação responsável, segurança do paciente e conformidade com as normas profissionais.

A saúde mental dos estudantes de Medicina também ocupou espaço central na programação. Em palestra conduzida pelo estudante de Medicina Vitor Melo, foram apresentados dados nacionais e internacionais que apontam elevadas taxas de depressão, ansiedade, burnout e ideação suicida entre acadêmicos da área. O expositor destacou a necessidade de políticas institucionais voltadas ao bem-estar dos estudantes, incluindo suporte psicológico, programas de autocuidado, intervenções para melhoria do sono e estratégias de redução do estigma relacionado aos transtornos mentais.

Encerrando a programação da manhã, a professora Rosana Leite de Melo apresentou a palestra “Os Dois Lados da Moeda na Gestão Educacional: Fragilidades, Potencialidades e a Construção de uma Rede de Sustentação com o CFM”. A apresentação discutiu os desafios enfrentados pelos coordenadores de cursos de Medicina diante da expansão acelerada das escolas médicas, da insuficiência de campos de prática e da necessidade de garantir qualidade na formação. Foram abordadas as competências esperadas dos gestores acadêmicos, o papel das novas DCNs e a importância da atuação articulada entre instituições de ensino, órgãos reguladores e entidades médicas para fortalecer a formação dos futuros profissionais.

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