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Graças ao uso dos imunobiológicos, pacientes com artrite reumatoide, entre outras doenças autoimunes, estão tendo uma qualidade de vida melhor do que há vinte anos. Esta foi uma das conclusões do I Webinar de Reumatologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizado na tarde desta quarta-feira (27), que tinha como tema “Imunobiológicos”.

O evento foi transmitido pelo canal do CFM no YouTube e pode ser revisto AQUI.

Para o presidente do CFM, Hiran Gallo, a realização do webinar reforça o compromisso da autarquia com a educação continuada dos médicos e confirma o apreço do CFM pela ciência, dentro de uma estratégica na articulação de políticas públicas “que assegurem melhor qualidade no atendimento da população, sempre com segurança e respeito à ética”.

Segundo o coordenador da Câmara Técnica de Reumatologia e vice-corregedor do CFM, Francisco Cardoso, os imunobiológicos estão entre os mais caros do mundo, ao mesmo tempo em que são os mais prescritos nos Estados Unidos. “Muitos não sabem, mas este é um medicamento próprio da reumatologia, daí porque reunimos aqui hoje as principais autoridades sobre o assunto para debater o uso dos imunobiológicos para quem tem doenças inflamatórias”, afirmou, durante a abertura do evento.

A mesa de abertura também contou com a participação do presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), José Eduardo Martinez, que destacou os avanços advindos com o uso dos imunobiológicos. “Graças a esses medicamentos, hoje temos menos cirurgias e pacientes com mais autonomia. Porém, ainda temos o desafio do custo e do acesso”, destacou.

Programação – A primeira mesa debateu o tema “Fundamentos dos imunobiológicos: tipos, mecanismos e implicações clínicas”. O primeiro palestrante foi o membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e professor do curso de medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Valderílio Feijó Azevedo, que falou sobre o tema “Classificação dos imunobiológicos e terapias alvo específicas em reumatologia”.

Na sua fala, ele destacou que a medicina avançou muito nos últimos 25 anos no que diz respeito aos imunobiológicos. “Hoje não vemos pacientes com as sequelas que víamos no passado. As terapias estão muito mais eficazes. Os biossimilares foram um divisor de águas”, afirmou.

Em seguida, o professor titular da Faculdade de Medicina/UFRGS, reumatologista Ricardo Machado Xavier, também membro do conselho consultivo da SBR, falou sobre “Mecanismos de ação, imunogenicidade e impacto na resposta clínica”. Ele destacou que os imunobiológicos não garantem a cura, mas uma remissão que gira em torno de 20% a 60%. “Mesmo assim, o impacto positivo foi muito grande, uma revolução, tanto em relação às comorbidades, quanto a necessidades de cirurgias. Sem contar que antes os pacientes já chegavam ao consultório incapacitados”, lembrou.

A segunda mesa do webinar debateu o tema “Indicações e uso na prática: estratégias terapêuticas em reumatologia”, que começou com uma palestra da diretora técnica do Serviço de Reumatologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE-IAMSPE), Rina Dalva Neubarth Giorgi, que abordou o tema “Artrite reumatoide: treat-to-target e estratégias de uso de imunobiológicos”.

Corticoides – A especialista destacou que uma das grandes vantagens dos imunobiológicos foi permitir a redução do uso de corticoides “algo que todos queremos”. Disse, também, que o paciente com artrite reumatoide exige uma medicina mais personalizada. “Não é fácil conduzir tratamento. Se o paciente diz que está sem dor, ele está indo a outro lugar”, afirmou.

Em seguida, o professor adjunto da Faculdade de Medicina da UFRGS e membro da Câmara Técnica de Reumatologia do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul, Charles Lubianca Kohen, falou sobre o uso dos “Imunobiológicos as espondiloartrites axiais”. Segundo o palestrante, graças ao uso desses medicamentos, os pacientes deixam de chegar na fase anquilosante, quando ficam totalmente encurvados. “Fazendo o diagnóstico antes, a doença para de evoluir”, disse.

Contra-indicações – Respondendo a um questionamento feito pelo conselheiro Francisco Cardoso, o debatedor dessa mesa, Georges Basile Christopoulos, elencou os casos em que o uso de imunobiológicos é contra-indicado, como algumas doenças anteriores, como tuberculose e câncer. “O paciente, antes de começar a tomar o medicamento, também deve fazer a sorologia para algumas doenças, como HIV, estar vacinado. As mulheres não podem estar grávidas, nem amamentando”, destacou.

Também como parte do debate, Rina Dalva frisou que não é aconselhável a suspensão da medicação, pois o paciente em remissão corre o risco de ter de enfrentar novamente a doença. “Geralmente o paciente em uso do imunobiológico não quer parar, o que podemos fazer é reduzir a dosagem”, ensinou.

SUS – A última mesa debateu o tema “Acesso aos imunobiológicos no SUS: PCDTs, lacunas assistenciais e o papel dos centros de referência”. O primeiro palestrante foi o coordenador do ambulatório de artrite reumatoide do serviço de reumatologia do Hospital das Clínicas de Porto Alegre, Claiton Viegas Brenol, que apresentou um histórico sobre o acesso a medicamentos de alto custo no Brasil e o que são os Protocolos Clínicos de Diretrizes Terapêuticas (PCDTs).

“O PCDT não é apenas uma lista com medicamentos que podem ser prescritos. É uma fonte de conhecimentos científicos, que traz, inclusive, em qual nível de atenção o paciente deve ser tratado”, explicou.  Em seguida, o professor de medicina e chefe do serviço de reumatologia do Hospital Geral de Cuiabá, Vander Fernandes, falou sobre o tema “Serviços de terapia assistida no SUS: organização do cuidado e desafios para doenças complexas”.

Na sua apresentação, ele destacou a necessidade de criação dos Centros de Terapia Assistida (CTAs), que seriam os locais onde seriam feitas as infusões de alguns imunobiológicos. “Hoje há um gargalo que compromete o desfecho clínico, pois o paciente retira o medicamento da farmácia de alto custo, mas não consegue fazer a infusão, gerando desperdício. Falta integração”, alertou.

Ao final do evento, o coordenador da Câmara Técnica de Reumatologia, Francisco Cardoso, elogiou a qualidade das apresentações e adiantou que já está marcada a data do II Webinar da especialidade: 19 de novembro deste ano. Na ocasião, serão debatidos outros assuntos de interesse da reumatologia, além dos imunobiológicos.

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