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Como o cirurgião da mão pode se habilitar para obter a certificação da área de atuação em neurofisiologia clínica? Esse foi o questionamento apresentado pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do Mato Grosso (CRM-MT) e membro da Câmara Técnica de Cirurgião da Mão do CFM, Adriano Bastos Pinho, que apresentou a palestra “Análise comparativa de Matrizes Curriculares: a suficiência da cirurgia da mão para o ingresso da neurofisiologia clínica” durante o I Webinar de Cirurgia da Mão do CFM, realizado no dia 13 de agosto.

Adriano Pinho, cirurgião da mão e presidente do CRM-MT

O evento já está disponível na página do CFM no YouTube. Acesse AQUI.

Adriano Pinho explicou que passou a defender a cirurgia de mão como pré-requisito para a área de atuação em neurofisiologia clínica após ouvir alguns cirurgiões que realizam o exame de eletroneuromiografia (ENMG), mas não são remunerados pelas operadoras por não terem o Registro de Qualificação de Especialistas (RQE) na área de atuação.

Área de atuação – Após apresentar a matriz de competência da residência médica em cirurgia da mão, que inclui o tratamento de lesões nervosas, ele defendeu que a especialidade tem condições para ser pré-requisito para a área de atuação em neurofisiologia clínica. “Muitas coisas não ousamos empreender por parecerem difíceis. Entretanto, são difíceis porque não ousamos empreende-las”, afirmou, citando o filósofo Sêneca.

A palestra seguinte, dada pelo 2º secretário do CFM e representante da entidade na Comissão Mista de Especialidades (CME), Hideraldo Cabeça, teve como tema “Os caminhos para a incorporação da cirurgia da mão como pré-requisito na neurofisiologia clínica”.
Após explicar como funciona a legislação que regulamenta a formação de especialistas no Brasil, o conselheiro federal afirmou que o primeiro passo deve ser um trabalho de convencimento junto à Comissão Científica da Associação Médica Brasileira (AMB). “Já existe uma discussão sobre a formatação na neurofisiologia clínica, o que favorece o pedido. É plenamente possível, desde que haja um fracionamento do foco e não seja tão amplo como na neurofisiologia”, afirmou.

Relação com operadoras – “Estratégias para superar desafios administrativos e legais na prática médica” foi o tema da palestra do diretor da SBOT Adalto Ferreira Lima Júnior. “Existem duas frentes para proteger nossos honorários: detalhar o pedido, fundamentando clinicamente a decisão, e apresentar o laudo de imagem, mesmo quando não precisa. Também não podemos tentar burlar as normas”, ensinou. Outra dica dada por ele é não colocar que é urgência, quando não é.

Adalto Ferreira explicou que as operadoras sabem qual é o tíquete médio de médico, tanto com o pedido de exames, quanto de procedimentos. “Quanto mais despesa o médico gerar para operadora, mais ele será monitorado”, afirmou. Por fim, ele defendeu que para evitar problemas com as operadoras, os médicos devem conhecer as regras e o mercado, ter previsibilidade, realizar boas práticas e agir com ética.

A última palestra, dada pelo ortopedista e médico da dor Alessandro Queiroz de Mesquita, abordou o tema “Terapêutica regenerativa em cirurgia da mão: evidências atuais”. Na sua apresentação, ele apresentou pesquisas científicas sobre o uso do Plasma Rico em Plaquetas (PRP), ácido hialurônico no tratamento de doenças que afetam a mão, como túnel de carpo, dedo em gatilho e rizartrose.

Alessandro Queiroz de Mesquita, cirurgião da mão

“O uso dessas substâncias não quer dizer que o paciente não vai precisar operar, vai depender da evolução da doença de cada paciente”, afirmou. Alessandro Queiroz explicou que os estudos científicos ainda são poucos, até porque as pessoas apresentam mais problemas nos joelhos do que nas mãos, “mas a ausência de evidências não significa que não haja evidência alguma. Temos de estudar mais”, defendeu.

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14 Aug 2026
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