Atenção primária, diagnóstico precoce e financiamento da assistência estão entre os temas do I Fórum de Nefrologia, realizado nesta sexta-feira (9)
A integração entre os níveis de atenção à saúde, o diagnóstico precoce e a ampliação do acesso ao tratamento marcaram os debates da abertura e da primeira mesa do I Fórum de Nefrologia do Conselho Federal de Medicina (CFM), nesta sexta-feira (9). Com o tema “O cenário atual da diálise no Brasil”, o encontro reúne médicos, representantes do Ministério da Saúde e de entidades da especialidade, com transmissão ao vivo pelo YouTube.

Na abertura, o coordenador da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM, José Elêrton Secioso de Aboim, destacou que a assistência às pessoas com doença renal crônica exige equipes qualificadas e condições que permitam conciliar o tratamento com a vida pessoal, familiar, profissional e social. Segundo ele, o debate deve contemplar tanto as necessidades dos pacientes quanto as dificuldades enfrentadas pelos profissionais e pelas instituições responsáveis pelo cuidado.
“É preciso considerar a realidade dos pacientes, as dificuldades de acesso a serviços, os desafios enfrentados pelos profissionais e as instituições responsáveis pela assistência”, afirmou o conselheiro.
O presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e membro da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM, José Andrade Moura Neto, defendeu que a saúde renal faça parte da rotina dos profissionais que atendem a população na ponta do sistema. “O conhecimento precisa chegar em quem tem a oportunidade de reconhecer a doença antes que ela avance”, defendeu.
Moura Neto chamou atenção para a persistência de dificuldades, como a espera por vagas de diálise e os gastos com um tratamento que não pode ser interrompido. Ao abordar o financiamento da terapia renal, defendeu que as discussões considerem os custos reais da assistência, as diferenças regionais e a demanda crescente.
Qualidade de vida e continuidade da assistência – A primeira mesa, intitulada “Vivendo bem com a Doença Renal Crônica: Cuidados Médicos Necessários”, teve como palestrante Alexandre Silvestre Cabral, membro da Câmara Técnica de Nefrologia do CFM. A sessão foi presidida por Mário Henriques de Oliveira Junior e moderada por Gracilene Lobato Cardoso Guimarães, também integrantes da Câmara Técnica.
Cabral destacou que viver bem envolve qualidade de vida e bem-estar físico e mental. Nesse contexto, os pacientes precisam de acompanhamento das doenças de base, assistência farmacêutica e acesso a terapias especializadas. Segundo ele, a fragmentação do cuidado e a distribuição desigual de recursos, serviços e especialistas dificultam essa assistência.
O palestrante abordou as modalidades de cuidado, incluindo tratamento conservador e paliativo, hemodiálise, hemodiafiltração, diálise peritoneal e transplante. Também apontou a carência de vagas para terapia renal substitutiva em algumas regiões e ressaltou que a ampliação da oferta pode produzir impactos importantes na qualidade de vida dos pacientes.
Ao discutir a organização da rede, Cabral defendeu linhas de cuidado baseadas em evidências, com definição das responsabilidades de cada nível de atenção e previsão orçamentária. Durante os debates, reforçou a necessidade de fortalecer a atenção básica para identificar e acompanhar os pacientes precocemente, além de estabelecer indicadores que permitam avaliar os resultados da assistência. “A doença renal crônica é um sintoma de que precisamos de uma melhora na atenção básica”, sintetizou.
Os debates contaram com a presença de representantes do Ministério da Saúde, que ressaltaram a importância de organizar os serviços em torno das necessidades de cada pessoa. Estiveram presentes o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde, Arthur Lobato Barreto Mello, e as assessoras da Coordenação-Geral de Atenção Especializada, Vanessa Santos e Camila Simões.
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