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Responsáveis por cerca de 60% das internações por acidentes viários no Brasil, os acidentes com motos, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), consumiram, em 2024, mais de R$ 270 milhões das despesas públicas hospitalares. Para debater essa situação, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) realizou na tarde desta terça-feira (26), com o apoio do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), o Fórum Duas Rodas: Ciência para Salvar Vidas.

Na abertura, o presidente do CFM, Hiran Gallo, enalteceu o trabalho da SBOT, que tem alertado, junto com Abramet, para os índices de mortalidade causados pelos acidentes de trânsito. “Em Rondônia, meu estado, 70% das internações são por traumatismo, a maioria em decorrência de acidentes com motos. Por isso esse evento é tão importante, pois permite que este problema seja debatido”, afirmou.

“A moto é o veículo que mais fere e mata no Brasil. Nós, como médicos, temos o dever de fazer alertas e apoiar campanhas de esclarecimento”, afirmou o presidente da SBOT, Paulo Lobo. “Não estamos conseguindo realizar as cirurgias eletivas porque os leitos estão ocupados com os pacientes politraumatizados”, complementou o diretor da Comissão de Campanhas Públicas e Responsabilidade Social da SBOT, Marcos Musafir. “Os acidentes com motos são hoje um problema de todo o Brasil, até em cidades pequenas há uma sobrecarga do sistema de saúde devido a esses pacientes”, pontuou o 2º secretário do CFM, Estevam Rivello.

Pesquisa – Durante o evento, Paulo Lobo apresentou o resultado de uma pesquisa feita pela SBOT com ortopedistas. A pesquisa mostrou que 64% das vítimas eram os motoqueiros, 26%, passageiros e 10%, pedestres. Também constatou que 34% dos acidentados ficaram com sequelas permanentes e 40% tinham entre 20 a 29 anos. Em consonância com a pesquisa do IPEA, o levantamento da SBOT constatou que 66% dos sinistros eram causados por acidentes com moto.

Marcos Musafir também apresentou as conclusões de uma enquete nacional feita pela SBOT. O trabalho concluiu que 53% dos acidentados estavam trabalhando no momento do acidente e que os principais locais foram cruzamentos (26%), pontos cegos (23%) e falta de sinalização (13%). Entre as causas dos acidentes, estavam imprudência (92%), excesso de velocidade (83%) e baixa fiscalização (58%). “Temos de fazer campanhas de conscientização para respeitar essa situação”, defendeu.

O presidente da Abramet e conselheiro federal, Antônio Edson Souza Meira Júnior, falou sobre o que pode ser feito para mudar a situação atual. “Uma das propostas da Abramet é que o acidente de trânsito seja um agravo de notificação compulsória. Ele é sinistro que precisa constar nos registros de saúde. Hoje há uma subnotificação muito grande”, argumentou. Foi dado o exemplo de um acidente que gera uma fratura de fêmur, que não é notificado como um sinistro de trânsito.

O conselheiro do CFM também defendeu uma articulação junto ao Congresso Nacional para a aprovação de leis que tragam mais segurança no trânsito. “Temos de procurar os parlamentares que defendem a causa da segurança nas estradas”, afirmou Antonio Meira. A medida provisória 1.360/26, que facilita o registro das atividades de moto-frete e mototáxi foi muito criticada durante o evento, principalmente por representantes dos trabalhadores desse segmento. “A MP deveria exigir que o candidato a moto-frentista fizesse um curso de pilotagem defensiva”, defendeu o presidente do Sindmoto-DF, Luiz Carlos Garcia.

Ao final do evento, Marcos Musafir informou que as propostas apresentadas no evento farão parte de um único documento, a ser entregue futuramente às autoridades governamentais e ao Congresso Nacional.

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