O Conselho Regional da Paraíba (CRM-PB) realizou um estudo fazendo uma correlação entre as mortalidades maternas no estado paraibano e as falhas apontadas pelas fiscalizações realizadas pelo CRM usando a plataforma de fiscalização disponibilizada pelo CFM. O resultado foi apresentado no II ENCM 2026 pela obstetra e conselheira do CRM-PB Andrea Correia Nóbrega de Sá, que foi a expositora da mesa temática “Comissão de Avaliação de Segurança Obstétrica – Estudo em maternidades da Paraíba à luz dos levantamentos do Defis”.
Em 2025, 36 mulheres morreram em decorrência do parto no estado nordestino, o que dá uma média de 70,4 por cem mil nascidos, que é a terceira pior do país, cuja média é de 54. Dessas mortes, 27 foram investigadas pela Comissão. A conclusão é de que a maioria ocorreu no puerpério, quando as mulheres já tinham saído da maternidade, e por causas obstétricas diretas, como hemorragia, hipertensão e infecção. A falha mais citada foi a insuficiência de hemoderivados, seguida de falta de vagas em Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), regulação e transporte inter-hospitalar.
Paralelamente ao estudo sobre as mortes, o CRM-PB fez um cruzamento com a estrutura das maternidades. Nas oito instituições investigadas, foram encontradas 381 inconformidades, que podiam ser desde medicamentos vencidos, até falta de equipamentos essenciais. “Não podemos dizer que essas inconformidades foram determinantes, ou que uma epinefrina vencida causou a morte de uma paciente, mas é certo que, nesses serviços, a segurança da paciente dependia de que todos os componentes estivessem disponíveis”, afirmou Andreia Nóbrega de Sá.
A palestrante também ressaltou que as investigações não buscaram encontrar culpados. “Pelo contrário, o nosso objetivo é identificar onde o sistema falhou para que possamos corrigir os erros, dar mais segurança aos médicos e às pacientes e permitir que menos mulheres morram de mortes evitáveis”, afirmou a palestrante.
O coordenador da mesa, presidente do CRM-PB e conselheiro federal Bruno Leandro de Souza, elogiou a Resolução CFM nº 2.056/13, que estruturou os Departamentos de Fiscalização dos CRMs e criou os Roteiros de Fiscalização. “Por meio desses instrumentos, podemos melhorar a segurança do ato médico e, consequentemente, o atendimento prestado aos pacientes”, afirmou.
A mesa teve como secretária a presidente do CRM-SC, Andréa Antunes Caldeira, e como moderador o conselheiro federal pelo Amazonas, Ademar Carlos Augusto.