Os obstáculos e caminhos para ampliação da representatividade das mulheres médicas pautaram as discussões da abertura e apresentações da manhã no 2º Fórum da Mulher Médica. A segunda edição do encontro realizado pelo Conselho Federal de Medicina teve como tema central a presença feminina na medicina, que representa a maioria de profissionais no País.
Apesar de representarem 50,9% dos médicos no Brasil, segundo o estudo Demografia Médica, elas enfrentam sérias dificuldades pra atuar, como a conciliação da intensa rotina da medicina com a vida familiar, diferenças salariais, situações de assédio e discriminação no ambiente de trabalho e sobretudo a baixa presença feminina nos espaços de decisão e liderança.

O 1º vice-presidente do CFM, Emmanuel Fortes, chamou a atenção para os casos de violência contra a mulher médica
Os desafios foram destacados na abertura do encontro pela 2ª vice-presidente do CFM, Rosylane das Mercês Rocha, também coordenadora da Comissão da Mulher Médica. Na cerimônia, a diretora apresentou a contradição enfrentada pelas mulheres médicas. “Não é razoável que um grupo que hoje sustenta grande parte da assistência médica no País ainda encontre barreiras para alcançar posições de chefia, gestão e direção nas instituições de saúde”, alertou Rosylane Rocha.
Casos de violência – Sobre a atuação feminina na medicina, também o 1º vice-presidente do Conselho, Emmanuel Fortes, destacou uma preocupação que tem permeado o trabalho do Conselho Federal de Medicina: o combate à violência contra o médico. Sobre os casos de agressão, o diretor ressaltou a preocupação “principalmente com as mulheres que estão nessa vanguarda do atendimento nos postos de urgência e emergência”, frisou Emmanuel. Como exemplo, o diretor citou o caso ocorrido na madrugada desta quarta-feira (4), em Macaé (RJ), contra uma pediatra em uma UPA do município fluminense.

Conferência teve a participação da coordenadora Rosylane Rocha, da palestrante Paula Tavares e da conselheira Yáscara Lages
Abrindo o evento, a especialista sênior em Direito da Mulher do Banco Mundial, Paula Tavares apresentou a conferência “Mulheres Médicas – uma nova realidade na medicina: Já somos a maioria. E agora?”. Na apresentação, a palestrante destacou os casos de assédio enfrentados pelas médicas e ressaltou a importância da Resolução CFM 2.444/25, que estabelece garantias de segurança para os médicos no exercício de sua atividade profissional nas unidades de saúde.
Demografia médica –Dando continuidade às discussões, o 1º secretário e diretor de Tecnologia e Informática do CFM, Hideraldo Luís Souza Cabeça; apresentou dados do estudo Demografia Médica CFM-Brasil. Conforme apontou o conselheiro, as mulheres médicas representam a maioria, alcançando o índice de 46,8% dos registros de especialistas nos conselhos de medicina CRMs).
Além das inscrições nos CRMs, Hideraldo destacou dados relacionados ao ensino. Segundo ele, em 2023, as mulheres representavam 61,8% dos estudantes de medicina no Brasil.
Após a conferência, a Mesa contou ainda com apresentações sobre os desafios e oportunidades do trabalho médico no Brasil, proferida pela presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência – (ABRAMEDE), Maria Camila Lunardi, e ainda a conferência “Formando Lideranças”, conduzida pela Superintendente do SEBRAE-DF, Rosemary Rainha.
A íntegra do encontro está disponível no canal do CFM no YouTube, acessível em youtube.cfmedicina. Confira abaixo: