
O Conselho Federal de Medicina (CFM) participou, nesta terça-feira (7), de sessão solene realizada na Câmara dos Deputados em homenagem ao Dia Mundial da Saúde. A autarquia foi representada pela 2ª vice-presidente, Rosylane Rocha, que integrou a mesa da cerimônia e levou ao debate os principais desafios estruturais para a garantia de uma saúde de qualidade no Brasil.
Proposta pelos deputados Dr. Luiz Ovando (PP-MS) e Laura Carneiro (PSD-RJ), a solenidade reuniu autoridades e representantes do setor para reconhecer a relevância de profissionais, instituições e iniciativas voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, além de reforçar a importância do fortalecimento das políticas públicas na área.
Durante sua participação, Rosylane Rocha destacou que, embora simbólica, a data ainda não recebe a devida atenção diante da complexidade dos problemas enfrentados pelo país. Para ela, discutir saúde de qualidade exige enfrentar temas centrais da agenda nacional.
Entre os pontos elencados, a representante do CFM chamou atenção para o aumento da violência contra profissionais de saúde. “Como a população pode ter acesso à saúde que merece se nossos médicos e demais profissionais de saúde têm sido alvos de agressões e ataques quando cumprem o seu papel? Esse é um quadro inadmissível que precisa ser combatido”, afirmou.
Outro aspecto abordado foi a atuação de pessoas sem a devida qualificação em procedimentos médicos, situação que representa risco direto à população. “Nos questionamos: como é ter saúde no Brasil se há pessoa sem formação adequada invadindo competências médicas e realizando impunemente procedimentos invasivos? O resultado aparece na forma de adoecimento, de sequelas irreversíveis e de mortes”, disse.
A conselheira também criticou a abertura indiscriminada de escolas médicas, defendendo maior rigor na formação profissional. “Cabe ao governo tomar providências para disciplinar essa farra e garantir que futuros médicos bem capacitados cuidem da saúde do povo brasileiro”, pontuou.
No campo da qualificação, Rosylane Rocha reforçou a defesa do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed). “Somente o exame aplicado pelo CFM dará à população o acesso a profissionais realmente aptos a velar pela saúde integral dos pacientes”, destacou.
A 2ª vice-presidente do CFM também ressaltou que o avanço do sistema de saúde passa por investimentos estruturais, como ampliação da oferta de leitos, acesso a medicamentos, valorização dos profissionais e melhorias em áreas como educação, saneamento básico e vacinação.
Ao encerrar sua fala, a conselheira reforçou a necessidade de medidas concretas para assegurar a qualidade da assistência à população. “Sem combater a violência contra médicos, qualificar a formação, proteger o ato médico e avaliar adequadamente os profissionais, o ideal de saúde para o Brasil não se concretizará”, concluiu.
A sessão contou ainda com a participação dos deputados Pedro Westphalen (PP-RS), Luiz Carlos Hauly (PODE-PR) e Hildo Rocha (MDB-MA), além do presidente da Confederação Nacional de Saúde, Breno de Figueiredo Monteiro, da subdiretora do Hospital Militar de Área de Brasília, coronel Anaditália Pinheiro Araújo, e da diretora da Escola Superior de Ciências da Saúde do Distrito Federal, Viviane Peterle.