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O Enamed (Exame Nacional de Avaliação de Formação Médica) não é um exame de proficiência e, sim, uma avaliação para escolas médicas e estudantes. Dessa forma, não tem o caráter adequado para atestar habilidade ao exercício da medicina, principalmente competências práticas. Essa é a opinião do presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, dada em entrevista para o Jornal da Record sobre a Medida Provisória nº 1.370/26, que torna obrigatória a comprovação de proficiência no Enamed para que o recém-formado possa se registrar no Conselho Regional de Medicina.

Em entrevista ao telejornal da TV Record, o presidente do CFM afirma que o formato proposto pelo governo é insuficiente para chancelar a competência de um médico. “Uma prova com cem questões não avalia a habilidade daquele profissional. Toda e qualquer prova a nível mundial tem no mínimo 300 questões.”

“O ensino da medicina tem de ser ao lado do paciente. Todas as escolas médicas deveriam ter hospitais universitários, mas esta não é a realidade. O Ministério da Educação tem ferramentas para averiguar isso, mas não usa”, denunciou.

Na conversa, ele afirmou que a MP nº 1.370/26 é um reconhecimento, por parte do governo, de que o CFM estava certo quando denunciava o excesso de escolas médicas e a consequente má formação médica no Brasil. “No último Enamed foi demonstrado que 14 mil médicos tiraram notas sofríveis, alcançando 1 e 2, numa escala de até 5. Situação que preocupa o CFM”, disse. “O governo acordou, mas achamos que o Exame de Proficiência não devia ser feito da forma que ele quer fazer”, argumentou.

Jornais – Em entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, o presidente do CFM ressalta que a divisão de responsabilidades entre o Executivo e o conselho precisa ser respeitada legalmente. “Quem avalia escolas médicas e estudantes de medicina é o governo. Quem avalia o egresso é o Conselho Federal de Medicina. Nós somos os fiscalizadores e normatizadores da prática médica no Brasil e não podemos permitir que essa prerrogativa legal seja quebrada.”

Nessa matéria, ele também argumentou que o Palácio do Planalto atropelou um debate que estava acontecendo no Congresso Nacional em torno da aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed). “Quando [o governo] tira o projeto do Congresso e recorre a uma medida provisória sem consultar as entidades médicas, ele nos surpreende e, ao mesmo tempo, quebra o debate democrático que estava em curso”, afirmou José Hiran Gallo, presidente do CFM, em entrevista à Folha.

Na matéria, Hiran Gallo também argumentou que o Enamed é um exame para avaliação de escolas médicas e, dessa forma, “não teria o caráter adequado para atestar habilidade ao exercício da medicina, principalmente competências práticas.”

O presidente do CFM também deu entrevista sobre o assunto para o Estado de S. Paulo. Na entrevista, ele destacou que o Enamed não foi concebido como um exame de proficiência, mas como um instrumento de avaliação de cursos e estudantes. “O modelo proposto não possui as características necessárias para aferir, de forma adequada, a capacidade do médico para o exercício profissional, especialmente no que se refere às competências práticas”, argumentou.

 

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