A Comissão Interna sobre Médicos Generalistas do Conselho Federal de Medicina (CFM) realizou, nesta quinta-feira (15), reunião em formato híbrido para discutir os desafios enfrentados pelos médicos sem especialidade no Brasil, grupo que representa uma parcela significativa da categoria. O encontro centrou-se na análise do cenário atual, nas dificuldades de inserção profissional e na necessidade de ampliar o apoio institucional a esses profissionais, especialmente em regiões mais vulneráveis do país.
Durante os debates, os participantes destacaram o crescimento do número de médicos que ingressam no mercado de trabalho sem Registro de Qualificação de Especialista (RQE), fenômeno associado, entre outros fatores, à diferença entre o volume de formandos e a quantidade de vagas de residência médica disponíveis. Essa realidade impacta diretamente a organização da assistência, sobretudo em unidades básicas de saúde, serviços de urgência e emergência e áreas de fronteira.
Um dos pontos centrais da reunião foi a discussão sobre o reconhecimento profissional dos médicos generalistas e a necessidade de superar estigmas associados à atuação sem especialidade. Os conselheiros defenderam o uso da denominação “médico generalista” como forma de conferir maior clareza e respeito à atuação desses profissionais, além de alinhar a nomenclatura à prática adotada em outros países e em documentos do próprio Sistema Único de Saúde (SUS).
A qualificação profissional foi outro eixo prioritário do encontro. Relatos de conselheiros que atuam em regiões remotas e de difícil acesso evidenciaram a carência de oportunidades estruturadas de capacitação, especialmente para médicos recém-formados. Nesse contexto, foi destacada a importância de fortalecer programas de educação médica continuada, com uso de plataformas digitais, apoio audiovisual e parcerias institucionais, de forma a alcançar um número maior de profissionais em todo o país.
O encontro reafirmou o compromisso do CFM com a valorização do médico generalista e com a construção de estratégias institucionais que fortaleçam o exercício da medicina, respeitando a diversidade de trajetórias profissionais e assegurando a qualidade da assistência à saúde no Brasil. “Investir na capacitação dos médicos generalistas contribui não apenas para o desenvolvimento profissional, mas também para a melhoria da qualidade do atendimento prestado à população, sobretudo no âmbito do SUS”, enfatizou o coordenador da comissão, Mauro Ribeiro.