A Comissão de Ensino Médico do Conselho Federal de Medicina (CFM) reuniu-se nesta quarta-feira (30) para debater uma questão que vem sendo muito debatida nas faculdades de medicina: o uso de cadáveres ou de peças anatômicas sintéticas nas aulas de anatomia.
As conclusões da reunião serão usadas para subsidiar uma resposta que o CFM vai encaminhar a faculdades de medicina que fizeram um questionamento sobre o assunto. Durante os debates, os estudantes de medicina Guilherme Kalluf e Luis Flávio Fabrini Paleare apresentaram trabalhos sobre o uso de cadáveres ou de peças anatômicas no ensino de práticas cirúrgicas e de anatomia. Após analisarem vários artigos, os estudantes concluíram que só o modelo sintético não é viável, sendo necessário que o estudante tenha acesso aos cadáveres.
Os professores Milton Arruda Martins, Paulo Rafael Sanches e Richard Halti Cabral também falaram sobre experiências brasileiras e de outros países no uso de cadáveres. Em Taiwan, por exemplo, o corpo é chamado de “professor silencioso” e quando deixe de ser útil para o estudo, é devolvido para que a família faça a despedida fúnebre. A reunião contou também com a participação do presidente da Associação dos Estudantes de Medicina do Brasil, Gabriel Okida.
O coordenador da Comissão de Ensino Médico e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), conselheiro federal Alcindo Cerci Neto, elogiou a qualidade do debate e disse que as informações serão muito úteis. “A opinião dos professores e dos estudantes serão levadas em conta no nosso parecer”, adiantou.