CRM VIRTUAL

Conselho Federal de Medicina

Acesse agora

Prescrição Eletrônica

Uma solução simples, segura e gratuita para conectar médicos, pacientes e farmacêuticos.

Acesse agora

O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu, nesta quarta-feira (22), o V Fórum de Medicina de Emergência, reunindo especialistas do Brasil e do exterior para discutir os principais desafios, avanços e perspectivas da área. Com participação de representantes de quatro continentes, o evento destacou a centralidade da medicina de emergência como eixo estruturante dos sistemas de saúde e reforçou a necessidade de qualificação profissional, integração em rede e uso de novas tecnologias para garantir assistência segura à população.

Na abertura, o presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, alertou para os riscos associados à formação inadequada de médicos que atuam na linha de frente. “Médicos mal formados na emergência é desastroso. Ter pessoas despreparadas no primeiro atendimento pode ser fatal”, afirmou, ao defender o fortalecimento da qualificação e da especialização na área.

O coordenador da Câmara Técnica de Medicina de Emergência do CFM, Estevam Rivello Alves, destacou a importância da estruturação do sistema de atendimento, com ênfase no papel do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e na necessidade de ampliar a presença de especialistas. A presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), Maria Camila Lunardi, ressaltou que o Brasil conta com menos de mil emergencistas registrados, o que representa uma baixa densidade em relação à população.

O caráter estratégico da especialidade também foi destacado no cenário internacional. Representantes de entidades globais apontaram que a medicina de emergência é essencial para reduzir a mortalidade, aumentar a eficiência dos sistemas e garantir resposta adequada a crises sanitárias e desastres. Além disso, enfatizaram que decisões tomadas nos primeiros momentos do atendimento têm impacto direto em todo o desfecho clínico do paciente.

Na primeira palestra, Maria Camila Lunardi abordou o cenário da medicina de emergência no Brasil, destacando a baixa densidade de especialistas e a necessidade de consolidar a especialidade. Ela ressaltou que o emergencista atua nos primeiros minutos do atendimento, momento decisivo para o prognóstico, e defendeu investimento em formação, carreira estruturada e ampliação da presença desses profissionais em todas as regiões do país.

Em seguida, Pauline Convocar, presidente eleita da International Federation of Emergency Medicine (IFEM), apresentou o panorama global da especialidade, destacando a medicina de emergência como componente estratégico dos sistemas de saúde. Segundo ela, decisões tomadas em cenários de incerteza e sob pressão definem o futuro do paciente, sendo a especialidade essencial para reduzir a mortalidade, aumentar a eficiência e garantir resposta a crises, epidemias e desastres.

Na análise do contexto latino-americano, Hélio Penna Guimarães, presidente da Federação Latino Americana de Medicina de Emergência (FLAME) discutiu a consolidação da especialidade na região, marcada por desigualdades estruturais e modelos distintos de organização dos sistemas de saúde. Ele destacou a importância da cooperação internacional, da formação acadêmica e da construção de políticas públicas para fortalecer a medicina de emergência como eixo estratégico na América Latina.

Representando os Estados Unidos, Anthony Cirillo, presidente do American College of Emergency Physicians (ACEP) apontou desafios comuns entre diferentes países, como superlotação, violência contra profissionais, escassez de recursos e aumento da complexidade dos pacientes. Ele também destacou o impacto crescente da inteligência artificial e a necessidade de garantir financiamento adequado e reconhecimento da especialidade para sua sustentabilidade.

Na segunda mesa, Gustavo Moreira, coordenador do Programa de Residência Médica do Hospital de Urgências de Goiás (HUGO) apresentou uma análise sistêmica do funcionamento dos departamentos de emergência, comparando-os a uma torre de controle responsável por organizar o fluxo de pacientes. Ele destacou que os problemas de superlotação e desfechos inadequados decorrem de falhas estruturais nas linhas de cuidado — dentro do pronto-socorro, na execução de protocolos e na transferência entre unidades —, defendendo uma abordagem integrada e orientada por indicadores.

Ao tratar do uso da tecnologia, Tom Scaletta, fundador e CEO da Auscura, Serviços de Inteligência Artificial – Chicago (EUA), apresentou aplicações da inteligência artificial na triagem de pacientes, com foco na priorização de casos mais graves e na otimização do fluxo assistencial. Segundo ele, sistemas baseados em dados permitem identificar riscos de forma mais rápida, reduzir o tempo de espera e melhorar a alocação de recursos, sem substituir a avaliação clínica do médico.

Na sequência, Juliana Souza, membro de Gestão da ABRAMEDE, discutiu os protocolos de triagem, contrapondo modelos padronizados e abordagens individualizadas baseadas em inteligência artificial. Ela destacou que sistemas dinâmicos, capazes de processar múltiplas variáveis em tempo real, tendem a ser mais precisos, embora a escolha do modelo deva considerar a realidade de cada serviço, sempre priorizando a segurança do paciente.

Abrindo a terceira mesa, Lionel Lamhaut, coordenador do SAMU de Paris (França) abordou o uso da ressuscitação cardiopulmonar extracorpórea (ECPR) no atendimento pré-hospitalar, destacando seu potencial para aumentar a sobrevida em casos críticos. Ele ressaltou, no entanto, que a efetividade da técnica depende de tempo, organização da equipe e adequada seleção de pacientes, sendo fundamental o equilíbrio entre intervenção no local e transferência para ambiente hospitalar.

Encerrando a manhã de apresentações, Lucas Oliveira Junqueira e Silva, professor adjunto de Medicina de Emergência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), discutiu o conceito de regulação inteligente, destacando a necessidade de integrar serviços, otimizar fluxos e utilizar dados em tempo real para direcionar pacientes ao local adequado. Ele ressaltou que o Brasil já possui ampla estrutura de atendimento, mas enfrenta desafios de comunicação e coordenação, defendendo o uso de telemedicina e inteligência artificial como ferramentas para aumentar a eficiência do sistema.

O V Fórum de Medicina de Emergência do CFM continua com programações ao longo da tarde. Para acompanhar as discussões na íntegra, acesse aqui.

Notícias Relacionadas

V Fórum Medicina de Emergência debate os desafios enfrentados pelo médico emergencista

22 Apr 2026

V Fórum do CFM ouve médicos estrangeiros sobre como a especialidade é praticada no exterior

20 Apr 2026
Aviso de Privacidade
Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar o Portal Médico, você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse Política de cookies. Se você concorda, clique em ACEITO.